sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

São Paulo: inferno astral


São Paulo vive seu inferno astral. A duas semanas de completar mais um aniversário é natural que ela fique chatonilda, e está. A começar pelas temíveis enchentes que insistem em infortunar os paulistanos. Famílias perdem tudo, água não baixa, Kassab sem saber como contornar a situação. Congestionamentos homéricos, rios transbordando. Quando as chuvas dão trégua é o calor da Bahia que aquece nossas cabeças e ao contrário do mar e do óleo de Dendê, topamos com uma pilha de papel pra resolver.

Umidade relativa do ar, viroses, doenças respiratórias em crianças, motivadas pela mudança brusca de temperatura. Aumento na taxa do transporte público, do álcool, IPVA dando problema. Rodas de ônibus que atingem pedestres, ponto de ônibus desmoronando, montanhas de lixo poluindo o Centro e até na hora de ajudar as pessoas do Vale do Paraíba dá uma zica: a PM não tem mais lugar para armazenar os alimentos. Tudo isso e estamos apenas na primeira quinzena de janeiro.

E sem pessimismo, tá tudo estampado pra quem quiser ver. Eu que sempre defendi (e defendo!) essa cidade com unhas e dentes preciso falar sobre todas essas dificuldades que ela vem enfrentando. E dá raiva. Como engolir que a maior cidade do Brasil não possui um sistema de bombeamento que de conta de toda quantidade de água que cai principalmente em janeiro? E simplesmente ignorar o fato de que não há moradias decentes pra todo mundo. Famílias instalam-se na várzea do Rio Tietê, em morros, pedaços de terras ilegais e perigosos. Apenas transferi-las não soluciona o problema.
Como um cidadão que sai para trabalhar às 05h15 e espera o ônibus morre esmagado pelo ponto de ônibus. É demais! E não. Não foi o acaso. O ponto estava danificado há algum tempo e nada foi feito. Fora a taxa do transporte público que está cada vez mais cara e em situações piores.

Passar batido, ignorar, maldizer, se conformar ou mudar de cidade são opções que todos possuem. Porém, não é isso que eu quero e ajustando o foco vejo o quanto é necessário mudar para que a cidade volte a ficar mais calma e gostosa para se viver.
São Paulo precisa de gente interessada e apesar da impotência com que concluo esse texto meus sinceros votos de que realmente seja apenas o inferno astral e que essas agruras passem (ou pelo menos diminuam) junto com o seu aniversário.



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