quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Voltar também faz parte




Voltei de Cuba com muitas sensações. Algumas já se concretizaram e assim facilita escrever, externalizar. Voltei com ainda mais certeza de quem sou, do que gosto e desgosto, dos meu limites, da minha coragem e sinceridade, da impulsividade que me faz largar e voltar, pular ou ficar.

Voltei com saudade dos meus pais, da raiz, do lugar do qual sai, essa sensação pra mim é nova. Logo eu, a ovelha desgarrada da família - como já diria minha mãe - com saudade? Pois é.

Voltei mais apaixonada pelo Demis, entendendo questões que antes relutavam em entrar na minha cabeça (pela educação, pelo ritmo, pela cultura com que cada um foi criado). Agora conheço suas raízes, sua família, o cenário em que foi criado, as paisagens da infância, os detalhes na criação do filho. O conheço mais e conheço mais a mim também.

Voltei dando mais valor ao dinheiro, às roupas, aos sapatos, aos móveis, aos bens materiais. Não me considero muito consumista, mas voltar de Cuba me fez enxergar que tenho muito. Voltei com o peito cheio de vontade de conhecer outros lugares, outros caminhos, novos cheiros e povos. Voltei com sonhos, planos, anseios, metas.

Voltei com vontade de aprender (logo) a falar espanhol fluente. La lengua me encanta, assere!

Voltei (mais) apaixonada pelo Brasil. Durante 24 dias ouvindo espanhol, um cubanês rasgado e rápido, ouvir um pouco de português, reconhecer alguns brasileiros perdidos na ilha, era de encher os ouvidos e aquecer o coração. E ouvir sambas, erguer a bandeira na janela e lembrar porque é que eu adoro tanto ser apelidada de Brasil. Um Brasil de Martinho, Cartola, Gonzaga, Clara, Elis, responsáveis por embalar a festa e animar ainda mais a bebedeira.

Essa viagem foi um verdadeiro presente. Um presente que eu mesma construí. Poupei festas, economizei cervejas, comi arrozefeijão aos finais de semana (querendo morrer!), deixei de comprar roupas, das mais simples às mais rebuscadas, engoli infinitos sapos no trabalho, engoli infinitos sapos dentro de casa, deixei meu carro ainda mais velho, me afastei da terapia, me afastei do forró, passei a fazer a conversão Real>Dólar>Cuc, e TUDO, T-U-D-O valeu a pena. Faria tudo novamente com certeza!

Voltar é concretizar todo o processo da viagem que começou lá pelos idos de maio. Voltar é curtir uma viagem que agora é guardada na memória. É por os pés no chão e degustar através de fotos e contos tudo o que vivi e não foi sonho, foi real! Voltar é curtir a saudade e programar a próxima viagem.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Cuba, Ilha de Contradições (parte 1)

Hoje completa uma semana que retornei de Cuba.
Esperei um tempo para acalmar o coração,  
sentar e escrever. Fui sentindo, degustando, e em meio a esse retorno de rotina, família e amigos, fui contando a eles um pouco do que vivi por lá. Contei que há duas Cubas: a dos gringos, exótica, meio roots, com belas praias, atividades culturais baratas e de boa qualidade, restaurantes charmosos e com hotéis chiques. E a Cuba dos cubanos - a ilha da contradição, do rum barato, de andanças e ônibus lotados, dos táxis que deixam cheiro de diesel nas roupas, das comidas de rua não tão boas assim e nem tão frescas, do turismo que ainda está em desenvolvimento, de um povo acomodado e feliz, que sabe viver com o simples, que sabe viver sem essa necessidade de se matar para trabalhar, a Cuba de um povo que vive da troca, que não tem internet nem Facebook, que é fascinado por novela brasileira e pelo Brasil, a Cuba simples e comovente por assim ser simplesmente.

Tem música dentro do ônibus, o pão é entregue sem papel, embrulho ou sacola, alguns bolos decorados não vêm embalados e é normal andar com um bolo nas mãos pelas ruas de Havana. As mulheres usam unhas de acrílico enormes, sempre pintadas e com alguns detalhes desenhados. A Cuba que eu conheci e pela qual me apaixonei, tem um cheiro misturado de perfume barato, mar e diesel. Foi no Cerro, bairro próximo a Santo Suarez, que meu um click. 

Voltávamos do estádio LatinoAmericano onde assistíamos um jogo de beisebol  do Industriales, que fora interrompido por conta de uma forte chuva. Ignoramos a água e decidimos voltar para casa a pé. Era noite de terça-feira, passava Avenida Brasil e dava para ouvir a novela pelas televisões da vizinhança.  Eram poucas as casas que não acompanhavam a saga de Nina e Carminha. Andamos tranquilamente pelo bairro e pude praticar minha atividade preferida em Cuba, que foi olhar dentro das casas e tentar sentir um pouco como é que vivem, observar sem julgamento, observar e me incluir, fazer de conta de que eu era de lá. Casas humildes, móveis antigos, chão e paredes sem reboco, muitos porta retratos e quadros com fotos penduradas. Mesas de aço antigas, sofás velhos, cadeiras de balanço de madeira, cadeiras de balanço de plástico, moto estacionada dentro da sala. E famílias vidradas na novela. Senhores, jovens, crianças, adultos distraiam-se com o folhetim de João Emmanuel Carneiro após um dia quente de inverno. Paramos em uma doceria. Prateleiras vazias, doces velhos, rosquinhas gostosas. 

Em muitos momentos senti um nó na garganta. Não sei se o nó era por mim, que reaprendia a dar valor às coisas simples, ou se era pelos cubanos, que acostumados com essa vida, nem se questionavam sobre uma possível melhoria, um outro ritmo, uma outra vida. 


Talvez as palavras não sejam suficientes para descrever tudo o que é esse país e como eu o descobri, a ilha de 12 milhões de cubanos e toda a peculiaridade, ritmo, sangue e vida dos que vivem numa constante contradição.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

(...)

voltei... com histórias, experiências, outra visão de mundo e de vida. já tinha ouvido que Cuba era um lugar mágico e que de alguma maneira modificava as pessoas, mas estando lá não percebia, a ficha só caiu quando pisei em São Paulo... agora entendo tantas outras coisas, outras tantas só agora fazem sentido. E eu tbm mudei. só que ainda não tenho crteza das mudanças. elas estão aqui dentro e o tempo em que ficarão aqui só comigo em rascunhos e nuances eu ainda não sei.

voltar não é de todo ruim. é apenas voltar à mesma vida e rotina certinha da qual sai por um mês.
só que não.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Eu vou pra Cuba





Antigamente Cuba resumia-se a Che, vôlei feminino, charuto, rum, homens fardados de verde oliva, comunismo, barba, fim. Foram esses tópicos que me vieram à cabeça quando ele disse que vinha da ilha, isso em setembro do ano passado. Aos poucos a cultura cubana e suas peculiaridades foram fazendo parte da minha vida. 

Banana Frita, malícia, Congri, sedução, Los Ban Ban, pinga, Yusa, cacharros, cojones, Bucanero, tudo foi sendo absorvido por mim ao me apaixonar  por um cubano. Eu até imaginava que seria um sonho ir para lá junto com ele, mas parecia surreal, distante, abstrato. Eu em Cuba? Aham Cláudia. Agora, faltando quatro dias para o meu embarque, (ele chegou à ilha hoje), eu nem sei o que me espera do lado de lá. É muito mais que uma viagem de férias, é muito mais do que conhecer a família do namorado, é muito mais do que saber de onde aquele cara vem, suas raízes, seus porquês e a base de tudo aquilo que ele me contou. É muito mais do que a minha primeira viagem internacional. É muito mais do que sair do virtual e abraçar de quem ele tanto me falou. É muito mais que pisar no solo de um país revolucionário, político, forte e rústico. 

O sol latente e escaldante, o mar azul do caribe, a humildade e singularidade do povo, tudo tão perto e tão longe. Que cheiro tem Cuba? Que gosto tem? Como é o pulsar duma terra tão singular? Quais os detalhes que a compõe para apaixonar quem vai e jamais quer voltar? 

Um misto de felicidade, ânsia, medo, lembranças, ansiedade, alegria, choro me invadiu. Batemos o martelo em maio. Em julho comprei a passagem. De lá pra cá foi a espera e o planejamento de como seriam os dias na terra do Fidel (rascunhos que serão totalmente modificados na hora H). 

Desde a última sexta-feira os dias foram ficando estranhos, exigindo força física e emocional, fazendo mudança, vivenciando despedidas, é difícil se desapegar de uma rotina de um dia pro outro, literalmente. 

Sei que o pote de ouro está lá quietinho me esperando para descobri-lo, mas até sábado às 12h tudo o que até então vivi e escrevo na expectativa de adivinhar como será a viagem, será uma passagem do abstrato pro concreto.

E então encostarei a mala no chão, olharei ao meu redor e enfim poderei dizer: CUBA, CHEGUEI.






segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pqna Dosagem...


...sobre: Porteiros, crachás e afins

Entro com o carro (na maioria das vezes cantando muito alto) e vou procurando uma vaguinha 'pra chamar de minha'. Katarino não tem direção hidráulica então é mais chato para fazer a baliza. Carro finalmente em linha reta, vou me expremendo pra sair, pegar a bolsa, pegar a mochila, apagar a luz, bater a porta e ativar o alarme. Vida que segue! Não fosse toda santa noite eu avistar o maldito porteiro passar em frente ao carro pra conferir se está com o crachá. Ai caralhos! Já não viu que sou eu? Já não viu que é meu velho carro? Já não viu que não há nenhum ser humano dentro do carro? Então porque diabos tem que conferir? Pelo menos me espera subir e sei lá, me deixa iludida na tentativa de me achar livre dentro de um condomínio!

Uma vez esqueci a zica do crachá no apartamento. Na manhã seguinte tinha um bilhetinho no párabrisa: "Veículo sem o crachá, a terceira advertência é multa". Inferno.

Fico pensando que esse tipo de gente ( e de situação) é que deixa a vida mais burocrática, mais chata. Não há jogo de cintura, não há humanismo dentro de um condomínio. Sei bem que para administrar um local com milhares de pessoas há que se impor regras, mas penso que deixamos o lado humano e passamos a ser frios, mecânicos, máquinas.  O porteiro nem era o mais mala do grupo, era até educado. Mas ficar caçando de carro em carro, de hora em hora quem é que está sem crachá (e nem avisar a pessoa disso)(e alegar 'esse é meu trabalho), dá o tom de encrenquinha, briguinha, coisinha.

De diminutivo quero ficar longe. E meu crachá está intacto diariamente no meu carro.



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Água

vertendo em lágrimas
até secar
sou peixes, não fujo do tisunami!

onda vem, onda vai
e como bem disse Otto
como um bom barco no mar, eu vou...





domingo, 1 de setembro de 2013

Eis Setembro



Vem setembro, você que é dono da primavera, antecipa o final do ano, inicia dias quentes. Vem setembro, cura feridas abertas no inverno, encerra dívidas do outono, renove energias, explode novos ares, infle os pulmões desses que vão e vem nessa correria incessante pra num sei o quê.

Invade setembro, nessa sua inconstância de temperaturas quentes e frias, mas, sobretudo, amenas. Flore setembro, que esse povo precisa é de flores no dia a dia, precisa de cor, de pôr do sol, de noites iluminadas pela lua, do cheiro de dama da noite.

Casa setembro, casa prima e casa amiga, essas que decidiram ser em teu mês noites mágicas e marcantes. Que setembro possa ser leve e alegre como a estação em que nele se inicia, que ele desperte sorrisos, fortaleça laços, de continuidade em planos já iniciados, é quase hora da colheita.

Setembro, mês dos virginianos racionais e objetivos, é tempo de brindar mais um ano dos que são da terra e têm um plano desenhado na cabeça. Dose Setembro, pra que eles não se percam na busca pelo perfeccionismo.

Que setembro possa ser tudo o que acreditamos (assim como em todos os meses).

Como diria Beto Guedes:
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor, só nos resta aprender.”


Reina setembro que o calendário é agora todinho seu cheio de esperança!



terça-feira, 27 de agosto de 2013

La lechuza




(...) em meio à minha zona de papel, entre contas, fotos, frases perdidas e desconexas, lá estava ela. Feita a lápis, num traço entre e o perfeito e o tosco, estaba la lechuza mirándome. Com sua frase  'Con el alma abierta', ela ressurge sempre quando preciso. Quase um sinal. Quanto mais se abre a alma, mais o medo de feri-la. Pisar em solo desconhecido com vendas nos olhos é no minímo desafiador. Você vai aos poucos sentindo firmeza em cada passo, um de cada vez, com calma. Tropeça, cai, levanta. Usa as paredes como apoio e vai seguindo. Cai de novo, tropeça. Pensa em recuar e levantar a venda pra enfim enxergar tudo duma vez e acabar com a brincadeira. Mas respira, levanta e segue.  E a coruja na árvore. Me olhando com seus olhos redondos fixos e negros. A frase, a alma, o sentido, a vida e o respiro. 

O medo paralisa e proteje.
Há que se encontrar o equilíbrio.








quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Pqna Dosagem...


... sobre logística

Tá fácil, não. Tem academia, tem natação, tem supermercado, tem trabalho, tem forró, tem cabelo, tem Santo, tem namorado, tem filme, tem sono, tem cerveja, tem vida, e tem apenas 24 horas pra tudo isso!

São caminhos, estratégias, alternativas e jeitos pra dar conta de tudo, mas confesso que é pesado. Se não nada, a ansiedade quase mata, fora o peso na consciência. Se não toma umas, o cansaço abate. Se não dança, tristeza chega. Se não vê filme, cobranças. Como proceder? Em meio a todo esse emaranhado, deseja chutar tudo pro alto e viver de textos, chocolate e MPB.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cuida

Cuida de mim
Das minhas aflições, do meu coração, da minha saúde mental, cuida de mim na parte que cabe a você. E eu cuidarei de você
Dos  dos seus detalhes, das suas piras, das iras, do medo da morte, vou cuidar de te apoiar, de te sarar na parte que me cabe

O cuidado deve ser constante, saudável, leve, brisa, deve ser bom, acolhedor
Deixado no chão as lanças, as armas e armaduras que nos cercam numa atitude pequena de nos proteger
O objetivo não é ferir, é amar! 
Pode vir! Eu cuido de você.





quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Minitexto de Aniversário


Bati o olho de relance no ponto de ônibus e vi um cara de dread que em uma das mãos segurava uma mochila, na outra, um brinquedo educativo, e ainda arranjava tempo e espaço para observar tudo que uma criança loirinha fazia. Bati o olho de relance e ví o mesmo cara descendo a rua de chinelo, sorriso nos lábios me perguntando porque eu não tinha descido no ponto final do Vila Gomes. Bati o olho de relance e estava num samba no centro de São Paulo tomando cerveja feliz da vida e ele ensaiando alguns passos. Bati o olho de relance e estava pegando a estrada rumo ao litoral com um cara que tinha conhecido no ônibus, saca? Bati o olho de relance e hoje é o aniversário dele que me ensinou entre tantas coisas, viver da forma mais simples e feliz possível. Que rendeu bons papos (e discussões homéricas!) sobre rótulos, capitalismo, espanhol, literatura, ciúme, filmes, amor, manjericão, músicas, libertação, árvores, praças, uma ilha úmida que ferve e tantos outros assuntos, e tantos outros dias, e tantas outras cervejas e danças.

O que mais posso desejar pra um cara desse senão muita saúde e pé na tábua? E dizer que ele é uma graça mesmo quando decide sair com um meião azul na canela? Que ele é o pai mais dedicado e amoroso que eu conheço nesse mundo e falo sem exagero de boca cheia pra geral ouvir? Que eu odeio muito quando ele come alguma coisa e suja a mão inteira de óleo e sorri dizendo que "é a melhor coisa da terra?" Que ele tem um sotaque lindo mesmo dizendo sica e não Zica? Que sendo o Dremis, o irritante, o exibido e egocêntrico ainda assim é um fofo?

E dizer que aonde quer que eu esteja lembrarei desse maluco que cruzou meu caminho, me tirou do sério, me tirou sarro e me deu muito amor! É muito amor! Pra você querido, Feliz Aniversário! 

O encontro, você me disse uma vez, é pra sempre, tenho certeza disso! 

Muita vida pra você, muita vida pra nós!

Te amo!













quarta-feira, 24 de julho de 2013

Pqna Dosagem...

... sobre saudade

Hoje, especialmente hoje, essa quarta-feira de julho, o frio e a baixa temperatura romperam portas, frestas, janelas e alojaram-se em todos os lugares dessa cidade que por si só já é cinza. Encontrei um carrinho laranja no meio de toda a bagunça da minha bolsa. Junto com ele, a carteira, a chave e o livro A Ilha me lembravam o porquê do peso carregado. Já me acostumei com a mudança de que agora eu adoro crianças, mas levar um carrinho na bolsa talvez seja um pouco demais. Ou talvez não, já que há quase um ano é assim. E há quase um ano eu vivo e convivo num vai e vem entre Morro do Querosene e Bonfiglioli, ambos sub bairros do Butantã. E hoje nessa quarta-feira fria e feia, me deu saudade da dupla imbatível que alegra e cansa meus dias com uma explosão de energia! Os queridos estão curtindo o restinho das férias na praia e eu já quase enjoada dessa mansidão solitária vim aqui no blog esclarecer o que era esse sentimento. É saudade.    

domingo, 28 de abril de 2013

O grito calado


Eu, jornalista e faladeira do jeito que sou, posso ficar sem muita coisa, mas não tire a minha voz!
E adivinha o que justamente tenho sempre quando fico gripada? Sim, laringite! Sim, rouquidão! Sim, fico semi muda desesperada. Quanto menos voz, mais quero falar. Sou da comunicação, do grito, da fala, eu falo muito sempre, quietude deixo pros outros. Argumentativa, debochada, séria, divulgando, falando com a Lóris, tirando uma dúvida, pra tudo isso necessito dela.

Calo. Um calado obrigatório e imposto. Que angústia! muda. Comunicando-me através dos gestos. Tristeza.

O que me puxa e acalma o coração é que meu silêncio é insurdecedor. Grito onde não falo. Apareço sem precisar comunicar. Minha presença é sentida no silêncio do salão vazio, quando não estou. A gargalhada bloqueada, agora é só lembrança. Meu silêncio mata, maltrata. Tenho ciência desse efeito. Eu deveria valorizá-lo, mas minha vontade é falar, falar, falar até não mais poder, até não mais garganta ter, num bla bla bla desnecessário.

Engraçado isso de querer uma coisa quando a outra é muito melhor e nosso inscosciente sabe. Quero minha voz de volta!

Entre a gripe mal curada e a voz falhada passo agora pelo silenciamento da situação.

Minha voz logo volta, ela  (graças aos Deuses!) sempre volta!

Por enquanto vou sentindo o estardalhaço que a ausência causa.



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Pequena Dosagem...




... sobre a virada



Tirei monstros, pedras e farpas do caminho, da mente e do coração. Libertei personagens, pessoas, lembranças, que eu nutria e aperfeiçoava com a força da mente e que sempre ganhavam a parte mais legal da trama me fazendo mal. Ajustei o foco para o que estava embaçado e agora posso ver cenas simples de uma vida simples. É quase, quase, como um botão que você desliga e tem o grande poder de tornar seus dias mais leves. Agora é correr pro abraço, comemorar o golaço, desfrutar vagarosamente cada gostinho delicioso que isso traz.


Digo, repito, escrevo, canto e sapateio: a vida é bela rapá!



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Partiu?

Eu acho fundamental saber a hora de sair cena. Acho bem mais bonito, mais amor próprio, mais legal. Tenho pavor das pessoas me acharem simpática demais, legal demais e acabar sendo tosca, dessas que não tem feeling pra saber que o momento já foi. Ainda bem que Deus me deu simancol, irreverência e jogo de cintura, e isso não se compra em loja, e não é mestrado ou doutorado que me trazem.

É uma pena saber que algumas pessoas preferem viver assim... Com pouco, com o mínimo, tendo que conquistar ao redor pra ter por perto outra que está tão longe. Não pelo Facebook, não por responder SMS, não por retornar ligações, não por encontrar às vezes. Falo do coração. Da paixão que acabou, do tesão que mingou, da atenção que já não é mais a mesma. Acho tão pequeno essas ações pra poder ser lembrada. Acho dissimulado, fake, pequeno. Por isso é fundamental a hora de saber sair de cena. De que adianta ser querida por amigos, família, colegas, se não é por você que o coração da pessoa balança na hora do encontro? Será que ter o posto de legalzona a traz de volta? Acredito que não.

Eu, dona da minhas inseguranças e ciente do meu ciúme, sinto-me vitoriosa por não viver na ilusão. Se vejo que pra mim não vai dar pulo fora! Sem enrolação, sem pieguismo, sem ter que deixar rastro, sem pagar de Dalai Lama que acima de tudo é amor. Sou de carne e osso, porra!

Além de não precisar desse tipo ínfimo de carinho, me respeito e tenho certeza de que a vida continua e outras histórias surgirão.  Não preciso convencer ninguém a ficar comigo. Preciso é convencer a mim mesma de que pessoas vão, outras surgem, algumas até continuam, mas nunca é a mesma coisa. As relações, as pessoas, tudo nesse mundinho muda e gira.

Por isso, meu coração está paz.

Mas sendo mais direta: vaza, sabe? Vai cuidar de você.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Lembrete:

eu sou chata, muito chata, eu não gosto de dar beijo nas pessoas pra ser educada, odeio ser simpática, odeio ir em lugares que não quero, odeio fazer sala, social, tirar foto com quem não quero, odeio que me obriguem a ser quem eu não sou, odeio ouvir opinião alheia sem ter solicitado, odeio que me julguem por se acharem mais experiente, isso tudo ai de cima sou eu. Faço análise para poder me aceitar, não pra me modificar. não vou mudar, não quero mudar, não quero ter milhões de amigos e ser lembrada por simpatia. na verdade eu quero muito que se foda. pode ser infantilidade, egoismo, burrice, pode ser o que for, eu continuo querendo que se foda. porque quando finjo ser o que não sou, me fodo. quando deixo de ir onde como e quando quero pra ser gentil ou parceira, me fodo. quando deixo de falar pra não ser maloqueira, me fodo. não dou minha opinião sem que me pessam, não dou beijo pra parecer legal, não faço piada pra conquistar pessoas, não escrevo pra ser popular, e se quebro o pau e vou pra cima é porque acredito que aquilo seja certo. posso sim mudar de ideia, mas só quando eu quiser, não porque pessoas vão tentar me convencer.

sou ciumenta, barraqueira e impulsiva e se vier com graça o bicho pega.
além de tudo isso possuo um lado muito gente boa, engraçado, comunicativo, doce, sincero, romântico e único. mas só mostro esse meu outro lado muito sensacional pra quem eu acho que mereço. e se me arrepender eu volto atrás e começo do zero sempre!


só um lembrete pra eu não me esquecer.
e sempre que necessário ler, reler, ler, reler, ler, reler, até que grave, encrave e fique claro aqui dentro e aí fora. 

e se vierem me encher o saco eu mando esse link e poupo palavras e energia.

terça-feira, 19 de março de 2013

Logo ela






Logo ela que sempre foi imediatista, extremista, ou vai ou fica...
Logo ela que sempre (achou) que sabia tudo...
Logo ela que nutriu certezas indissolúveis, que tinha sempre uma resposta na ponta da língua, 
que não engolia sapos, que não media seus atos, falava, vivia, explodia!
Agora conversa,
Agora repensa,

Agora. Pausa.
Agora respira,
Agora vê além das precipitações.

E cansa.
Na tentativa de fazer diferente,
Vive junto, tudo junto
Sem a ilusão de que num passe de mágica, plin!
tudo será diferente.

Logo ela...


quinta-feira, 7 de março de 2013

E aí?

Então é isso: o carnaval passou, o aniversário já se foi e agora a vida de cara lavada me pergunta: E aí? E aí que novamente eu não sei, ficou pra trás planejar e seguir tudo à risca. Tento segurar a ansiedade ao máximo e ir vivendo aos poucos, mas ao mesmo tempo sinto que não saio do lugar.
A única coisa que sei desde 2004 lá pelos idos do ensino médio, era a vontade e o objetivo de me tornar jornalista. E me tornei. Só que nunca me passou pela cabeça o que viria além dos quatro anos de faculdade, além dos estágios e possíveis empregos fixos. Nunca tive esse questionamento do depois, porque pra mim o mais importante era ter essa porra de profissão. Mas passado o sonho de ser recém-formada, agora fico a ver navios.

Vivendo os primeiros dias com 26 anos, a única certeza que tenho é de que quero ser feliz. Preciso é achar a maneira que viabilize essa felicidade e não importa se viverei de freelas e fazendo cursos grátis, se batalharei um trampo voraz num lugar onde eu me sinta completa como repórter, se vou largar tudo e estudar letras numa faculdade pública de Fortaleza ou se vou vender o carro e ficar quatro meses fora do Brasil vivendo uma experiência única e sozinha.

Todos os dias de manhã sinto que falta algo, que falta um sentido pra tudo isso, que é esforço demais para felicidade de menos. Sinto os dias escorrendo pelas minhas mãos e eu cada vez mais burra, nessa superficialidade de viver apenas para pagar contas e comprar cervejas. Sinto que é possível ser feliz trabalhando menos e com mais tempo para mim.

Quero dias sem amarradas, com menos estress, com menos questionamentos, apenas fazendo algo que me deixe satisfeita e que me faça ter certeza porque decidi lá pelos idos de 2004 cursar esse tal jornalismo.
E se mesmo assim a insatisfação continuar, é porque uma nova curva tenho que fazer na vida. Sem frustrações, sem arrependimentos, sem neuras e cansaço exarcebado de tanto pensar. Apenas mais uma mudança como tantas que fiz e terei que fazer nessa loooooonga caminhada.

Tem que fazer sentido, senão é vida disperdiçada. (e eu já não posso mais).

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Pela janela


do trabalho pra casa. da casa pro trabalho. da casa pra casa de amigos. da casa pro forró. do forró pra casa, do supermercado para casa, da balada pra casa. de casa pra casa da vó, do trabalho pra casa, da casa pro trabalho. eu moro em um condomínio e na maioria das vezes em meio a tantos trajetos, idas e vindas, imersa num cotidiano que exige rapidez, vejo a menina na janela. Parada, calada, quase uma sombra. Não é bonita, nem feia, tem uma expressão triste, talvez seja casada, sei que tem um filho, é dona de casa.

Tenho flashs dela de cabelo preso e blusa vermelha, cabelo solto e blusa preta, sempre com a mesma expressão de quem vê a vida passar. Só passar. E eu sempre muito feliz, muito brava, muito triste ou muito cansada, nessa intensidade que me suga, penso em como será a vida dela. Às 07h da manhã bêbada penso se ela também já teve noites de esbórnia. Pessimista sem ver solução pros problemas, desejo trocar de lugar com ela. Olha, vai lá e faz o que você quiser, mas me deixa aqui olhando, pensando, olhando, nem sei se vendo, mas olhando essas janelas, esses carros, a avenida, e essa galera sem freio. E ela lá, continua a olhar.

Talvez eu quisesse ter a mesma paciência pra ficar parada olhando. Talvez uns a achem a mais fofoqueira do residencial Jardim Bonfiglioli, talvez a vida dela seja pouco interessante ou tenha muitas questões pra refletir. Ao certo mesmo, não sei de nada. Mas sempre que a vejo ali parada na janela tenho uma vontade de gritar: - Ei fulana, desce! entra aqui no carro e vamos tomar uma cerveja.

Eu e minha inquietação.

Nesses caminhos e vidas que se cruzam em cenas típicas de condomínio e se esbarram entre corredores, estacionamentos, janelas e portarias, a menina fita tudo ao seu redor e me pergunto se precisamos de muito para relaxar ou ser feliz.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Marchinha

Oh! Catarina porque estas tão triste, mas o que foi que te aconteceu?
Foi a Nathália que caiu do galho deu dois suspiros e depois morreu...


É na verdade uma marchinha antiga de carnaval. Um amigo me escreveu há tempos essa paródia e sempre me vem à cabeça.

Quando metade de mim fica down, a outra tbm se atinge, ainda que seja ela quem impulse a outra pra voltar ao estado normal.

Sempre penso na nathália caindo do galho e na Katharine olhando tudo ao redor...

tentar separar é impossível.

há que se ajudar

Ano Novo

Que em 2013 eu tenha mais coragem pra me conhecer melhor, principalmente meus limites,
Que eu não tenha medo de me jogar, mas saiba a hora de voltar à superfície.
E progrida no entendimento do sentido da vida - a minha vida, no aprendizado dia após dia, e nunca, nunquinha, jamais, esqueça o quão é bom sorrir e fazer sorrir.


Mais um ano CC!

#nóis