quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dá meu microfone!


Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress

 Eu adoro caos (ainda vou cobrir enchente!), tragédias, descontroles e etc. Hoje o metrô e o trem aqui da cidade cinza estão em greve. Tem trânsito, tem gente fazendo protesto, tem fonte oficial querendo falar e não resolvendo nada, tem link ao vivo e tem fila no metrô. Me manda cobrir que eu vou fácil e vou feliz.

Pulsar, São Paulo pulsa sempre, mas em dias assim, é necessário reajustar o cotidiano, mudar, deixar que os paulistanos tons pastel deixem seu umbigo de lado e passem a reparar no todo. Geral se ferrando? Aí sim.

Penso, rascunho na cabeça textos de abertura, passagem, essas coisas que só gente que ama muito essa coisa maluca entende. Heidy entenderia.

Já fiz promessa, o movimento aqui dentro e fora também já mudou.
  
Que os santos me ouçam, pq é pra lá que eu vou!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Eu não gosto de você inverno

Passei vários anos desejando que o inverno trouxesse alguém pra me esquentar. Sou daquelas que o-d-e-i-a inverno com todas as forças. Fico triste, deprimida, mal humorada, carente, não tenho ânimo para sair ou conversar com amigos. Eu sou da rua e do calor, dos botecos que vendem cervejas geladas, sou das saias e shorts e vestidos floridos e tempo quente e alegre, que sem querer faz o povo se movimentar. Ou você já viu alguém ficar parado, letárgico suando em pleno verão? Eu não.

O frio é bom pra deitar junto, pra comer muito junto, pra assistir filme, essas coisas de namorado, até dá pra fazer tudo isso com amigo ou sozinho, mas convenhamos que junto é muito melhor. Esse ano não quero alguém, quero uma vida mais viável. Quero ver a vida fluir sem amarradas e desespero, quero poder trabalhar com o que eu gosto e sair se der na telha, pagar minhas contas já que não há outra saída e andar no meu carro quentinho, velho e embaçado! Quero estudar o que me dá prazer sem me preocupar se vai vingar ou contar no currículo. Quero conhecer outros lugares, caminhos, gente nova e poder voltar pra minha cama. Por favor inverno, me traga tudo isso? Novas ideias e projetos que façam pulsar, preciso de respostas, agora que entendi que nada posso controlar. Antes eu tinha uma meta, sempre tinha. Fazia planos, rabiscava caminhos até consegui chegar, e na maioria das vezes, chegava com êxito! Agora tenho algo em mente e isso muda muito rápido, inconstante e chata tal e qual um peixe muda seu caminho dentro d´água. Assim fica difícil e acho que viver só por viver e completar os dias, meses e anos, muito chato.

A cabeça ferve. Ter que unir o que se gosta e o que pague uma vida no mínimo digna (sem contar com dinheiro de papai e mamãe, por favor), não é algo que se resolva de uma hora para outra. E vem os dias, e eles são frios porque maio se anuncia, e eu preciso planejar e me mover quando na verdade minha vontade é dormir muito e só levantar pra comer. Mas dei a zica de morar em frente à uma escola e vocês sabem, as crianças não perdoam! Às 07h seja maio, julho, novembro, estão de pé com seus uniformes e mochilas nas costas, brincando animadas de montinhos e é aquela correria. Agora ressuscitaram aquela merda de brinquedo bat bag, e é o perfeito descontrole que bate, bate, invade meu sonho, acaba com o meu sono e me faz levantar. Depois de tomar meu café quente penso que isso não é de todo ruim, já que eles serão o futuro desse mundão e é bom que tenham muita energia. Sei...

Talvez eu não goste o inverno porque ele me faz ficar quieta e pensar. Ou talvez isso não faça sentido, mas estou mais complexa e debochada. Muito mais fácil arranjar alguém pra dormir junto do que tornar a vida mais fácil, né?

Só que é exatamente isso que eu quero NOW, acho que matei a charada lá de cima.

Foco, força, fé e mãos à obra!

ou não, frio do caramba!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Bem vindo, jornalistas! ou O que deveria ser dito

Deveriam ter perguntado na primeira aula de jornalismo se os alunos estavam preparados para empunhar suas credenciais, conseguir a primeira fila de alguns eventos e umas entrevistas bem sensacionais, mas se pra isso eles também tinham gana para enfrentar estrelismo de alguns, regras capitalistas de todas as empresas (ou seja, rabo preso com algumas fontes), paciência para ver seu texto, vídeo, áudio sendo editado, esquartejado, alterado sem um pingo de dó e nem sempre poder retrucar.

Os professores deveriam dizer que eles vão trabalhar muito, muito mais que alguns, ganhar nem tanto assim, viver na dependência de especialistas que não tem tempo de falar ao telefone ou responder email, muito menos gravar um conteúdo. Deveriam ter avisado que os plantões não são brincadeira! Enquanto seus amigos vão viajar pra praia, campo ou camping, ele enfrentará a redação e vai ter de tirar leite de pedra pra produzir algo que valha pelo menos alguma audiência.

E precisa falar bem, escrever bem, ouvir bem, entender bem dos diversos assuntos que estarão em sua responsabilidade para chegar de maneira clara e interessante pra uma porrada de gente faminta por informação.

Na primeira aula, além do que é lead, notícia, nota e matéria especial, também deveriam ter dito, assim como quem não quer nada, que os veículos ou departamentos de comunicação e marketing nem sempre possuem recursos que viabilizem os trabalhos. E adiantar que ele terá que pegar quantas conduções for necessário, chegar antes do evento e entrevistado, estar impecável independente do trânsito, calor ou chuva que tiver pegado pelo meio do caminho e não terá hora certa para ir embora. E dependendo da urgência da matéria, o celular vai servir de câmera fotográfica ou de vídeo, o bloco de notas vai ajudar quando o entrevistado falar rápido demais, e quem diria, o gravador do mp3, aquele que ele comprou dos chineses na Av. Paulista, vira braço direito e não sai mais da bolsa/mochila. Não dá tempo de esperar por um equipamento bacaninha.

Ah! Importante lembrar que algumas fontes moram ou trabalham longe das redações. Tem gente que trampa em ou mora em Osasco, Guarulhos, Santo André, Grajaú, Granja Julieta,Parada Inglesa, Jaguaré, Penha, Aricanduva, Alphaville e todos esses lugares compõem a mesma São Paulo, nem sempre o email ou telefone são suficientes, e sem choro nem vela, ele terá que ir até lá, sem reclamar!

Deveriam ter dito também que muitas vezes ele pode ter conteúdo e ser esforçado pra caralho, mas aquela patricinha linda e gostosinha é sobrinha de algum diretor ou cacique da redação, e por isso meu caro, ela tá lá e ele não. Ou que ele pode fazer o processo seletivo junto com aquele mala da classe que não consegue escrever uma nota sequer. Mas no final das contas o processo seletivo é apenas um processo, e o mala tem muitos contatos e é carismático, por isso é ele quem assina aquela matéria esportiva. Essa é a vida, esse é o Brasil.

Vale dizer que dead line não é lenda e estar informado não é garantia de matéria pronta. De que adianta nego ler Carta Capital, Bravo!, Folha, assinar a Piauí, Época São Paulo, assistir a Globo News e ouvir a CBN se na hora H, nego trava. Não há tempo para pesquisas profundas e momentos de inspiração. Senta a bunda na cadeira e começa logo a produzir o que você precisa entregar.

Soa como pessimismo? Desculpa, a vida real é essa. Aquela cena em que você anda pelas ruas congestionadas em Nova York ou numa cidade grande se equilibrando num salto e com um gravador na mão só acontece nos filmes ou novelas da Rede Globo, ok? Vamos combinar que esse glamour que envolve o cargo de jornalista é balela? Falaremos de um fato real que o salário de um foca é cerca de R$ 2000,00? (chutando alto) Dá pra bancar as contas sem a ajuda do papai? É isso que você quer pro resto da tua vida?

Se os professores dissessem e questionassem tudo isso logo de cara o pensamento ia ser outro. A profissão é boa, mas requer trabalho (como todas as outras, obviamente). Agora se você quer estudar jornalismo simplesmente porque te agrada, ok, mas ser jornalista pra encher a boca na rodinha do bar ou almoço de família não enche a barriga de ninguém.

Não sei se quero mais jogar nesse time
Eu quero mais é ser feliz.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tudo igual, mas diferente

Sei lá, sabe? Sei nem por onde começar, mas quando revira aqui dentro é melhor não ignorar. Acordei depois daquelas noites em que a gente se joga na cama e prega os olhos, mas não necessariamente descansa. Em meio aos deveres domésticos, natalinos e jornalísticos, uma sensação me acompanhou, meio pano de fundo, meio sombra, porém latente. Essa sensação sem nome é um misto de decepção, alívio, tristeza, alegria, coragem, impotência.

É sempre mais ou menos assim: você conhece, pega, gosta, os defeitos surgem aos poucos, feito nuances, nada demais, e as qualidades prevalecem. Dai você insiste, os bons momentos continuam ali, a sensação de que tudo está normal retorna e a vida vai seguindo. Pensa que todas as relações tem lá seus arranca rabos - mas que não há nada melhor que um bom diálogo - planeja os finais de semana ignorando que mudanças possam acontecer ao longo do caminho e segue com o sorriso de quem enfim não está mais só.

Só que não controlamos o mundo, muito menos a vida, os desejos, as pirações e os sentimentos de outra pessoa, quem crê nisso precisa abrir os olhos, a mente e principalmente o coração (Simples na teoria, difícil na prática).

Uma relação é feita por duas pessoas, uma é sempre mais compreensiva, explosiva e decidida que a outra, mas a segunda parte que pode ser delicada, maloqueira e subjetiva é tão fundamental quanto. E se essas duas partes não souberem fazer o cruzamento de características tão diferentes e ao mesmo tempo semelhantes de forma sensata e equilibrada, danou-se. Danou-se porque discussões infantis surgirão; Danou-se porque parece que um fala mandarim enquanto o outro esperneia num húngaro perfeito; Danou-se porque por mais que o desejo exista, as alfinetadas, as farpas no dedo doem e irritam com mais intensidade.

Diferenças postas, eis a solução: jogar a toalha pondo um ponto final sem mais nem menos, inventar planos mirabolantes para que tudo entre nos eixos, chorar, tomar uma catuaba, seguir a vida mais descrente do que nunca, todas as alternativas anteriores. Nunca ví um pisciano correr da briga, nem do choro. Mas todo esse ciclo repetitivo e constante diminui a esperança de conseguir construir, e mais importante, manter, uma relação bacana. Um parceiro. No sentido literal e subjetivo da palavra. Parceiro de cerveja, telejornal, futebol, cinema, forró. Parceiro dos problemas, das ocasiões, dos planos, das angústias, do colo amigo.

Melhor do que ter um rosto bonito, corpo sarado, dinheiro e diploma, é ter um namorado companheiro. E deve ser por isso que as mulheres dizem "O mercado tá difícil", porque elas querem mais do que a embalagem. Se relacionar não é fácil. Nem com pai e mãe, nem com chefe, nem com os amigos que a gente tanto ama, como poderia ser fácil com alguém que surge com suas manias, qualidades, defeitos, inseguranças e todo o resto?

É mais fácil viver sozinho, mas tiro o chapéu pra deliciosa sensação da parceria cotidiana (que semi experimentei). Por mais que se seja fiel, presente, e empenhe quilos de energia pra que o negócio saia e permaneça, se o outro pira (e pira MUITO!), tira até a rima!

É importante respeitar nosso limite interno. Mesmo que a vaidade acene como boa opção.
Mais uma vez essa sensação de desgaste, de semi luto, de perda e de vaidade ferida, me acomete. Porém, vou (tentar) agir diferente. E da próxima vez que surgir um novo potencial a rolo, ficante, pegada, affair ou algo do gênero espero lembrar dessa sensação e não me iludir pela milhonésima vez.


Continua engasgada. e com o choro preso. e com a injustiça escancarada no rosto. pelo menos tentou. cresce.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Quereres


O ser humano é um insatisfeito que sempre quer aquilo que o outro não pode dar. Não sei por que isso acontece, mas comigo é assim que o negócio desenrola. Meu pai, por exemplo, é umas das paixões da minha vida, mas acorda feliz e cantando e isso me dá nos nervos. Se ao menos ele ficasse em silêncio até às 09h30 seria perfeito! Como também seria perfeita a minha mãe que pesa a mão na sinceridade e quase nunca percebe que as verdades ferem, e ferem muito! É claro que todos possuem defeitos e não é sobre isso que esse texto fala, até porque com certeza você já deve ter lido algo relacionado e vamos combinar que texto batido em semana de Natal é de fuder.

A minha mente não dá trégua! Quando os assuntos caminham bem (trabalho, família, picaretagens e afins) sempre surge um sinal de alerta de que a matéria poderia ter ficado melhor, a minha irmã poderia ser muito mais legal e aquele cara que eu tô pegando deveria declarar amores aos 4 cantos do mundo. E se alguma dessas hipóteses acontece, logo surge mais um infeliz alerta pra tentar vender uma outra situação, fazendo uma propaganda perfeita daquilo que poderia ter sido e não foi. Insatisfeita! Chata, cricri todos esses adjetivos são destinados à mente mentirosa e sonhadora dessas que voz escreve.

Queria ser mais tranquila e simplesmente aceitar que a vida é assim mesmo, exige coragem (ai meu Guimarães!) e não sai como capítulo perfeito de novela e é nesse emaranhado de tudo que é possível ser feliz. Nisso, vou seguindo faminta por dias diferentes e sensações que nunca tive, sendo que ao me dar conta de que atingi meu objetivo mor, sou capturada pela ET que discorda, é do contra, aquém de mim, manda e desmanda!

Os que são gracinhas eu quero que sejam frios, os frios quero que fervam, os românticos que sejam picaretas e os picaretas melosos de enjoar! O galinha quero prender, o nerd quero engalinhar. A estagiária gente fina quero que seja chata, o chato quero que seja simpático e sigo nessa lista infinita do quereres.

Se a Ju fosse mais maloqueira, o Guilherme me bajulasse, a Nath mais faladeira, a Agnes menos objetiva, o Renato menos crítico, a Lóris mais apegada, a Neide mais vó, a Nathália mais tranquila e a Katharine menos romântica eu com certeza estaria no céu. Esse negócio de bipolaridade é coisa séria.

Sou a eterna insatisfeita que não fica parada no lugar, mesmo que erre, mesmo que peque pelo excesso ou pela falta de, mesmo que fale aquilo que não podia, ou chore por nada e grite por tudo. Insatisfação essa que move, porque ficar parada olhando a outra margem do rio não é comigo! (Ai meu Guimarães de novo!)


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Há tempos que não escrevo, nem sei se sei fazer mais isso. Me habituei com textos pequenos e caras e bocas. Ao invés do lápis, microfone. Dos papéis fez-se improvisações baratas e edições. Era o que tanto queria, não era? Tá, mas nem por isso eu quis abandonar o meu bloguinho.

Não invento mais histórias, nem analiso de diversos pontos de vista a cidade. Parece que SP ficou coadjuvante, só tenho olhos para os prédios e administradoras. Odeio admitir, mas me tornei prisioneira do meu trabalho. Chego exausta e só me resta a piscina pra esgotar de vez.

Se antes eu já era sem paciência agora tô chata de dar dó. Não quero amizades, não quero ensinar, não quero bajulações, nem DR (coisa que eu era viciada) quero mais. Tô prática, pé no chão, chata. E uma vontade de dormir sem fim. Ao mesmo tempo pretendo conhecer a Bahia, o Ceará e o Presidente do Secovi, se é que me entende. O professor de natação que insiste em dar em cima. Ó pai livrai-me dos cafajestes, amém.

Enjoei das danças, das viradas, dos rolos e emboladas. Mesmo assim em outubrão tô lá, aliás estaremos todos. Preciso voltar a estudar, pois tenho a sensação de enburrecer. E enburrecer conscientemente não é legal nem agradrável. Falta muito pra dezembro chegar? Miedo.
Há que treinar direitinho pra nada dar errado, mas eu desconfio, pro bem de todos.

Adoro a virada que a música Yellow, do Colplay, tem. Me faz pensar que ao mesmo tempo em que preciso aquietar, o mundo a minha volta não dá tempo para pausas. Se eu não pular a onda ela passa por cima de mim. Não é fácil adolescer muito menos adultecer. Entre o altar e a bicicleta eu realmente não sei qual escolha fazer e a dúvida nem me assusta.

Às vezes quero ser mais uma e descarregar o peso imaginário que enverga a coluna e traz dores. E como desacelerar? Como não cobrar? Viver de questionamentos consome muito.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Viver em São Paulo é...

Dia desses saindo da manicure, chovia e chovia muito. Guarda-chuva em punho me dirigia ao ponto de onibus. Nesse interim olhei um cara com uma prancha na mão, normal. Do nada ele que estava do outro lado da rua apareceu juntinho de mim.

-Me dá uma carona no seu guarda-chuva?, pediu ele num sotaque gringo.
- Vem! Respondi estendendo o objeto, afinal ele era cheiroso e muito atrante.

Ele é Francês e faz faculdade em Curitiba, está passando férias aqui em SP e no fim das contas tentou me xavecar. O mais engraçado é que ele chegava pertinho e eu me afastava, ai ele ficava tomando chuva. Ai a conversa seguia e ele vinha pra debaixo do guarda-chuva, eu me afastava e lá ia ele tomar água na cabeça. Hilário essa sequência de vai e vem. Pegou um cartão da Condominial que quase se desfez de tanto que molhou.

E eu que quase não quero diálogo (ainda mais com estranho) fiquei tranquila conversando até o bendito onibus surgir.
São essas situações que tornam São Paulo tão atraente. Apesar dos problemas que ela me faz passar é ainda deliciosa de viver.