sexta-feira, 16 de julho de 2010

Viver em São Paulo é...

Dia desses saindo da manicure, chovia e chovia muito. Guarda-chuva em punho me dirigia ao ponto de onibus. Nesse interim olhei um cara com uma prancha na mão, normal. Do nada ele que estava do outro lado da rua apareceu juntinho de mim.

-Me dá uma carona no seu guarda-chuva?, pediu ele num sotaque gringo.
- Vem! Respondi estendendo o objeto, afinal ele era cheiroso e muito atrante.

Ele é Francês e faz faculdade em Curitiba, está passando férias aqui em SP e no fim das contas tentou me xavecar. O mais engraçado é que ele chegava pertinho e eu me afastava, ai ele ficava tomando chuva. Ai a conversa seguia e ele vinha pra debaixo do guarda-chuva, eu me afastava e lá ia ele tomar água na cabeça. Hilário essa sequência de vai e vem. Pegou um cartão da Condominial que quase se desfez de tanto que molhou.

E eu que quase não quero diálogo (ainda mais com estranho) fiquei tranquila conversando até o bendito onibus surgir.
São essas situações que tornam São Paulo tão atraente. Apesar dos problemas que ela me faz passar é ainda deliciosa de viver.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pqna Dosagem...


... Sobre: Copa do Mundo 2010

É Copa, né? Vuvuzelas, bandeiras, o verde e amarelo tomando conta da cidade de cinza.
E o trânsito: em dia de jogo do Brasil a expectativa é de trânsito de feriado prolongado. Às 08h dessa terça-feira fria o congestionamento já era acima do normal. Quem aguenta? SP não tem mais jeito, mas como brasileiro tem memória fraca, quando o relógio marcar 15h00 será clima de festa. Salve-se quem puder, achem uma televisão, juntem-se, torça, É Brasil em campo.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Apartamento Antigo

Crédito: Crucismogiensis

Eu ainda vou morar num apartamento antigo. Daqueles feitos de pastilhas com duas cores e que fazem um desenho na lateral do prédio. E pra valer à pena tem que ser com aquelas janelas emperradas e que só abrem o vidro na vertical. Na horizontal perde a graça. Precisa ter aquele salão de festas com porta de vidro e um adesivo vermelho bem no centro. Aí sim poderei alugá-lo e mobiliá-lo do jeito que tanto quero.

Cozinha e banheiro com azulejos antigos e que só achamos naquelas lojinhas bem de segunda mão. Se não tiver a quantidade exata do mesmo desenho, ai invento e misturo duas. Mas o banheiro vai ter aquela pia antiga e redondona, só dispenso o lavabo que antigamente ficava ao lado dos vasos sanitários. Acho feio demais. Lembro de entrar num banheiro assim quando era pequena e quase conseguir mergulhar na pia de tão grande que era. Era festa de uma prima e eu chamava minha mãe na hora de lavar as mãos. A casa era térrea e o banheiro bem maior que o meu tipicamente paulistano de apartamento e lavabo minúsculo.

Quero muitos móveis de madeira e um banco pra três pessoas, no maior estilo Praça é Nossa. Como o apartamento vai ser antigo, será consequentemente maior do que os atuais (atuais do preço de classe média, ta? Ninguém aqui é milionário) e com uma sala extensa. E vai ter uma estante até o teto na parede principal pra poder colocar toda a papelada, livros, cadernos, livros de receita, porta-retrato com foto da Lóris, porta incenso, quadrinhos e quinquilharias. Sou moça apegada, gosto de colecionar. Nessa estante também ficará a televisão. Ainda não me decidi sobre a sacada.

No meu quarto quero uma cama bem gostosa e aconchegante pra poder exibir um edredon verde musgo lindo. E da janela vou poder olhar a cidade seja cedo ou tarde, frio ou calor envolta em vários pensamentos que alegram e gelam o coração tudo ao mesmo, bem Clarice. Supostos endereços: Rua Artur Prado - Bela Vista, Morato Coelho - Vila Madalena, Rua da Mooca - Mooca e tantos outros que ja ví.

Se eu realmente conseguir morar sozinha nesse apartamento, tenho 70% de certeza que serei feliz.
Demorei pra concluir esse texto maquinando direitinho como é que eu quero que ele seja. Hoje tá um frio enorme e eu tenho certa melancolia quando está esse clima. Descobri a música "Circo Marimbondo" do Milton Nascimento tão linda e a ouvi após mais uma discussão em família. Mentalizei minha casa e imaginei a sensação maravilhosa de poder arrumar tudo do jeito que eu bem entender. O condomínio, os móveis, o aluguel do bairro, tudo isso tem preço e pesa no bolso, mas ser feliz no seu canto cobre todas as despesas.

"Circo marambaia,
eu cheguei de longe, não me atrapalha,
vê se não me amola, larga minha saia"

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O centro da praça


A vida andava boa. Era festa hoje, jantarzinho amanhã, café na sexta, balada sábado e jogo no bar domingo, um clássico. Não sabia como aguentava tanto vai e vem, mas se ficasse um dia em casa entrava em depressão profunda, era melhor fazer nada na rua. Acostumou-se. Conheceu e ficou conhecida, mas amigos mesmo continuaram não enchendo duas mãos inteiras. Era aquele tipo de crise, pauta recorrente nas revistas: ao mesmo tempo que em que se está rodeado de pessoas, continua-se sozinho.

E entre uma tarde aqui, cerveja lá e entrevistas aos montes, sentou na praça pra esperar o horário da próxima gravação. Avistou um casal de namorados, desses bem apaixonados. Tava na cara que ali era compromisso sério com direito a anel, festa da vovó e presente no aniversário da sogra. Há quanto tempo não gostava de ninguém? Mas GOSTAR mesmo, assim em caixa alta. Lembrou do tempo em que escrevia cartas de amor às 2 da madrugada. Ou por ter perdido o sono em pleno fogo da paixão, ou por estar desesperada, tinham brigado. Só mesmo um grande amor pra fazer com que se escreva cartinhas à tinta em plena Era do email.


Olhou para o outro lado e vinha um casal de idosos, saco de pão nas mãos. Por que será que as praças têm sempre esse ar bucólico, hein? Será que ela um dia iria casar? Ela que sempre foi tão independente e sem paciência? Entre o passado que caminhava de um lado e o futuro que cruzada de outro, preferiu ficar com o presente, o meio, o centro. Levantou e foi encontrar seu entrevistado. Já dizia a música: Sei lá, a vida tem sempre razão.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Invenção e dor

Invenção na certa...

Machuquei a coluna e isso me deixou triste. Só 23 anos e esse problema digno de senhorinhas. Voltei à velha e verdadeira máxima que afirma "A gente só da valor quando perde", e como perdi o 100% de saúde da região lombar, sinto exatamente isso. Meu lugar é dentro d'água não adianta.

E foi na sala de espera do hospital, indo tirar o raio X, que tive um desses insights tipo propaganda de novela de como a vida é bela e os humanos reclamões. Aliás nesse quesito ganho o troféu de rainha. A gente perde tanto tempo com bobeiras, com a opinião do chefe, o presente super mega especial do Dia das Mães, o motivo do cara não adicionar no MSN, etc. etc. etc.

Adoro o texto de Danuza em que ela diz: "não procure a dor", que é mais ou menos o contrário do que nos acostumamos a fazer. Resolve um problema e já arruma outro pra ocupar a mente.

Por isso tantos saúdam com saudade a infância, época em que tudo valia e o principal era inventar, inventar uma nova brincadeira, inventar desculpa pra falar na aula, inventar um jeito de parecer mais maduro, inventar apenas, e se não desse certo, bora inventar outra coisa pra fazer. Pra que perder tanto tempo, não é? As crianças sim vivem de fato uma vida leve e quase sem responsabilidades, sem procurar a dor. "Mãe me dá Novalgina, Cataflam, Amoxil!", exclamam práticas e sem paciência.


Olha eu aqui defendendo a classe infantil. Acho que minha dor me deixou um tanto melancólica. Meu desejo era esquecê-la, desprezá-la, mas ela está juntinho comigo latejante e enjoativa. Enquanto não viro a Phelps do Butantã vou soltar a criança que vive aqui e inventar um jeito de pelo menos aliviar, vou lá inventar outros textos e passagens, inventar uns sonhos pra realizar, uma maneira do meu cabelo ser menos rebelde, mas tudo light senão a invenção vira a procura por problemas, ahh de novo não!


A vida às vezes é estranha. Minha coluna dói.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Só acontece comigo

Tô eu lá cantando e curtindo minha Itaipava quando chega um cara X:
- Nossa que cara de brava!
- É só a cara, disse após soltar uma gargalhada.
- Qual seu nome?
- Nathália
- Jura, é o nome da minha filha que vai nascer.
- Mentira! Tá falando isso só pra ser meu amigo (mala sim, assumida)
- É nada, é sério. Eu queria Catarina, mas minha ex me conveceu

- Hahahahahahhaah, meu nome é Nathália Katharine
- Quem tá mentido é você
- Olha aqui (mostrando o RG)
... não é a primeira vez que coisas desse tipo acontecem.
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Estava voltando de carona de uma reportagem quando do nada uma idosa(uma velha) para no farol e pergunta se podemos dar uma carona. Sim, podemos, bufei. No banco de traz ia ouvindo toda a ladainha de que a filha dela havia falado verdades que ela não queria ouvir. E que assim sendo, ela tinha fugido e queria ficar numa outra casa ali na frente, na avenida.
- Mas em qual casa?
- Ali na frente, na avenida.
É óbvio que fiquei nervosa e ao mesmo tempo com dó da senhorinha. E roda de carro no bairro e nada. Até que ela pediu pra ficar na casa branca porque lá morava a amiga Elizabeth.
Volta o câmera dizendo que não tinha ninguém com nome de Elizabeth.
É Brasil, a velha tinha Mal de Auzaimer. A sorte é que havia um Corpo de Bombeiros ali perto e pedimos ajuda. Quando estávamos quase indo embora, ela começa a agradecer:
- Deus abençoe você e seu marido!
- Magina, mas ele não é meu marido!
- Vocês merecem tudo de bom, você tem um marido de ouro!
- ELE NÃO É O MEU MARIDO.
- Deus abençoe.
Eis que surge o bombeiro.
- Ela é conhecida aqui no bairro, vive perdida, mas as filhas não cuidam direito.
Coitada, né?
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Daí que decidi deixar o sedentarismo de lado e voltei a malhar.
Mas tem a caralha de um aparelho em que a pessoa fica de bunda virada pra cima.
Pensei: não vou nesse nem ferrando. Pagar bundão? Jamais.
E o professor veio todo charmosinho dizendo que aquele era ótemo pros glúteos.
Fugi, relutei, mas fui rendida.
E tem o espelho na frente do aparelho, é claro que comecei a observar se o povo tava olhando na minha bunda.
Sim todos (inclusive mulheres) estavam, teve um cara (e tem sempre um idiota) que teve a pachorra de cutucar o outro e fazer cara de mendigo tarado. Que raiva! Eu sei que homem olha pra bunda de mulher, mas assim descaradamente me faz sentir uma picanha demais pro meu gosto.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Pqna Dosagem...


... Sobre: A vida

Comprou ovinho pra dizer que não passou em branco (embora continue a andar na corda bamba entre a tradição capitalista e liberdade vazia). A sensação repetida começa a enjoar e assim vai vivendo, preenchendo os dias com papéis, telefonenas e passagens.

Depois do rompimento abrupto que cometera, a caixa há tempos que não sorria, fases da vida.
E entre um xote aqui, metrô ali, cerveja lá e prédios nos caminhos, questionava todos os
Por quês, dos sociais aos jurídicos passando pelos dramáticos. Era necessário achar razão.

Se por um lado Nara acalma, Benício alegra e Lenine faz feliz, por outro, Marcelo chateia, Thiago é mesmice e Josefa enjoa. Opa! mais um telejornal no ar. Pelo menos assim esquecia, vagava.
Acabou de comer a última orelha branca. Moça sentimental, guardou o papel alumínio colorido no armário. Sozinha.