segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Pqna Dosagem...
...sobre: Porteiros, crachás e afins
Entro com o carro (na maioria das vezes cantando muito alto) e vou procurando uma vaguinha 'pra chamar de minha'. Katarino não tem direção hidráulica então é mais chato para fazer a baliza. Carro finalmente em linha reta, vou me expremendo pra sair, pegar a bolsa, pegar a mochila, apagar a luz, bater a porta e ativar o alarme. Vida que segue! Não fosse toda santa noite eu avistar o maldito porteiro passar em frente ao carro pra conferir se está com o crachá. Ai caralhos! Já não viu que sou eu? Já não viu que é meu velho carro? Já não viu que não há nenhum ser humano dentro do carro? Então porque diabos tem que conferir? Pelo menos me espera subir e sei lá, me deixa iludida na tentativa de me achar livre dentro de um condomínio!
Uma vez esqueci a zica do crachá no apartamento. Na manhã seguinte tinha um bilhetinho no párabrisa: "Veículo sem o crachá, a terceira advertência é multa". Inferno.
Fico pensando que esse tipo de gente ( e de situação) é que deixa a vida mais burocrática, mais chata. Não há jogo de cintura, não há humanismo dentro de um condomínio. Sei bem que para administrar um local com milhares de pessoas há que se impor regras, mas penso que deixamos o lado humano e passamos a ser frios, mecânicos, máquinas. O porteiro nem era o mais mala do grupo, era até educado. Mas ficar caçando de carro em carro, de hora em hora quem é que está sem crachá (e nem avisar a pessoa disso)(e alegar 'esse é meu trabalho), dá o tom de encrenquinha, briguinha, coisinha.
De diminutivo quero ficar longe. E meu crachá está intacto diariamente no meu carro.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Água
vertendo em lágrimas
até secar
sou peixes, não fujo do tisunami!
onda vem, onda vai
e como bem disse Otto
como um bom barco no mar, eu vou...
até secar
sou peixes, não fujo do tisunami!
onda vem, onda vai
e como bem disse Otto
como um bom barco no mar, eu vou...
domingo, 1 de setembro de 2013
Eis Setembro
Vem setembro,
você que é dono da primavera, antecipa o final do ano, inicia dias quentes. Vem
setembro, cura feridas abertas no inverno, encerra dívidas do outono, renove
energias, explode novos ares, infle os pulmões desses que vão e vem nessa
correria incessante pra num sei o quê.
Invade
setembro, nessa sua inconstância de temperaturas quentes e frias, mas, sobretudo, amenas. Flore setembro, que esse povo precisa é de flores no dia a dia, precisa
de cor, de pôr do sol, de noites iluminadas pela lua, do cheiro de dama da
noite.
Casa
setembro, casa prima e casa amiga, essas que decidiram ser em teu mês noites
mágicas e marcantes. Que setembro possa ser leve e alegre como a estação em que
nele se inicia, que ele desperte sorrisos, fortaleça laços, de continuidade em planos
já iniciados, é quase hora da colheita.
Setembro, mês
dos virginianos racionais e objetivos, é tempo de brindar mais um ano dos que são da terra e têm um plano desenhado na cabeça. Dose Setembro, pra que eles não se percam na busca pelo perfeccionismo.
Que setembro
possa ser tudo o que acreditamos (assim como em todos os meses).
Como diria Beto
Guedes:
“Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor, só nos resta aprender.”
“Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor, só nos resta aprender.”
Reina setembro que o calendário é agora todinho seu cheio de esperança!
terça-feira, 27 de agosto de 2013
La lechuza
(...) em meio à minha zona de papel, entre contas, fotos, frases perdidas e desconexas, lá estava ela. Feita a lápis, num traço entre e o perfeito e o tosco, estaba la lechuza mirándome. Com sua frase 'Con el alma abierta', ela ressurge sempre quando preciso. Quase um sinal. Quanto mais se abre a alma, mais o medo de feri-la. Pisar em solo desconhecido com vendas nos olhos é no minímo desafiador. Você vai aos poucos sentindo firmeza em cada passo, um de cada vez, com calma. Tropeça, cai, levanta. Usa as paredes como apoio e vai seguindo. Cai de novo, tropeça. Pensa em recuar e levantar a venda pra enfim enxergar tudo duma vez e acabar com a brincadeira. Mas respira, levanta e segue. E a coruja na árvore. Me olhando com seus olhos redondos fixos e negros. A frase, a alma, o sentido, a vida e o respiro.
O medo paralisa e proteje.
Há que se encontrar o equilíbrio.
Há que se encontrar o equilíbrio.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Pqna Dosagem...
Tá fácil, não. Tem academia, tem natação, tem supermercado, tem trabalho, tem forró, tem cabelo, tem Santo, tem namorado, tem filme, tem sono, tem cerveja, tem vida, e tem apenas 24 horas pra tudo isso!
São caminhos, estratégias, alternativas e jeitos pra dar conta de tudo, mas confesso que é pesado. Se não nada, a ansiedade quase mata, fora o peso na consciência. Se não toma umas, o cansaço abate. Se não dança, tristeza chega. Se não vê filme, cobranças. Como proceder? Em meio a todo esse emaranhado, deseja chutar tudo pro alto e viver de textos, chocolate e MPB.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Cuida
Cuida de mim
Das minhas aflições, do meu coração, da minha saúde mental, cuida de mim na parte que cabe a você. E eu cuidarei de você
Dos dos seus detalhes, das suas piras, das iras, do medo da morte, vou cuidar de te apoiar, de te sarar na parte que me cabe
O cuidado deve ser constante, saudável, leve, brisa, deve ser bom, acolhedor
Deixado no chão as lanças, as armas e armaduras que nos cercam numa atitude pequena de nos proteger
O objetivo não é ferir, é amar!
Pode vir! Eu cuido de você.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Minitexto de Aniversário
Bati o olho de relance no ponto de ônibus e vi um cara de dread que em uma das mãos segurava uma mochila, na outra, um brinquedo educativo, e ainda arranjava tempo e espaço para observar tudo que uma criança loirinha fazia. Bati o olho de relance e ví o mesmo cara descendo a rua de chinelo, sorriso nos lábios me perguntando porque eu não tinha descido no ponto final do Vila Gomes. Bati o olho de relance e estava num samba no centro de São Paulo tomando cerveja feliz da vida e ele ensaiando alguns passos. Bati o olho de relance e estava pegando a estrada rumo ao litoral com um cara que tinha conhecido no ônibus, saca? Bati o olho de relance e hoje é o aniversário dele que me ensinou entre tantas coisas, viver da forma mais simples e feliz possível. Que rendeu bons papos (e discussões homéricas!) sobre rótulos, capitalismo, espanhol, literatura, ciúme, filmes, amor, manjericão, músicas, libertação, árvores, praças, uma ilha úmida que ferve e tantos outros assuntos, e tantos outros dias, e tantas outras cervejas e danças.
O que mais posso desejar pra um cara desse senão muita saúde e pé na tábua? E dizer que ele é uma graça mesmo quando decide sair com um meião azul na canela? Que ele é o pai mais dedicado e amoroso que eu conheço nesse mundo e falo sem exagero de boca cheia pra geral ouvir? Que eu odeio muito quando ele come alguma coisa e suja a mão inteira de óleo e sorri dizendo que "é a melhor coisa da terra?" Que ele tem um sotaque lindo mesmo dizendo sica e não Zica? Que sendo o Dremis, o irritante, o exibido e egocêntrico ainda assim é um fofo?
E dizer que aonde quer que eu esteja lembrarei desse maluco que cruzou meu caminho, me tirou do sério, me tirou sarro e me deu muito amor! É muito amor! Pra você querido, Feliz Aniversário!
O encontro, você me disse uma vez, é pra sempre, tenho certeza disso!
Muita vida pra você, muita vida pra nós!
Te amo!
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