De tudo que tenho aprendido essa lição é a que mais tem me dado trabalho. Parece um grande clichê, e talvez até seja mesmo, mas controlar a expectativa, e quiçá tentar viver sem ela, seja uma puta virada de chave. Falo sobre expectativa em geral, nas relações, nas amizades, nos acontecimentos e sobretudo na vida. Eu sempre fui a rainha da expectativa e por isso também sempre me frustrei. Primeiro porque não tem como criar a ideia de como uma coisa vai ser, e do jeito que vai ser. Segundo que de 20 pessoas que conheço, 18 tem um lado bem filha da puta e maldoso e aí é balde de água fria.
Quanto mais vivo, mais vejo como as pessoas são egoístas e é por isso que conto nos dedos quem é que vale a pena incluir. Em quase 09 anos de terapia me percebo menos ingênua, mas ainda muito tonta de acreditar na coerência das pessoas. E de uns tempos pra cá, apenas aceitar a situação e me modificar em relação à ela tem me aliviado e poupado várias sensações de dessabor. Sem cobrança, ligando o foda-se que me é apresentado.
Com o Whatssap então, nem se fala.
Acho uma falta de respeito retumbante ler uma mensagem e responder 5 dias depois.
E sabe quantos acham isso normal? Incontáveis.
Desencanei, mas desencanei real mermo, só por isso posso contar isso aqui.
E aprendi a me delegar menos e a me poupar mais.
O intercâmbio age tão profundamente que ainda não consigo explicar.
Mas consigo sentir.
Esse exercício sobre redução de expectativa é tão maravilhoso que agora tenho me adaptado com mais facilidade com as mudanças, e morar fora do país é uma mudança voraz.
O que eu posso controlar?
Eu mesma! Meus planos, meus sonhos, sem querer controlar o futuro, um pouquinho por vez.
Metas traçadas, ano já bombando, rascunhos aos montes e o mais importante: foco ajustado.
Agora é construir, construir e viver!
Mostrando postagens com marcador autoconhecimento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador autoconhecimento. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Outuno em Knocklyon
O melhor sono da minha vida teve um up date: Knocklyon, Dublin. No quarto mais bonito e aconchegante que já tive (mais do que o da Vila Sônia), aqui tenho tido minha melhores noites.
Após seis meses de muitas agruras que somam-se por roncos, insônias, áudios de barulho de chuva, incontáveis interrupções e vontade de chorar, eis-me aqui, digitando esse texto do alto da minha cama single, ao lado de meus dois criados-mudo, meu abajur meia luz, meus livros, minha vela aromatizada e todo o resto do espaço que compõe-se meu! Meu quarto, caralho!
Após seis meses de muitas agruras que somam-se por roncos, insônias, áudios de barulho de chuva, incontáveis interrupções e vontade de chorar, eis-me aqui, digitando esse texto do alto da minha cama single, ao lado de meus dois criados-mudo, meu abajur meia luz, meus livros, minha vela aromatizada e todo o resto do espaço que compõe-se meu! Meu quarto, caralho!
Aqui ninguém entra, aqui é meu aconchego, meu reduto, o espaço onde traço meus caminhos, invento meus planos, planejo meu Carnaval, estudo adentro meu novo idioma, é aqui eu tenho a paz e onde recarrego minhas energias, onde escuto e calo os meus medos, onde tenho sonhos mirabolantes e verdadeiros, é aqui onde acordo e sigo na batalha como imigrante nesse país tão frio. A Irlanda é fria, mas o meu quarto é quente.
Pra chegar até aqui eu tive que abrir mão do meu comodismo de morar no Centro.
Agora enfrento trânsito, adolescente chata, tenho responsabilidades que na verdade nem são minhas, preciso me acostumar com uma nova vizinhança. Mas quando é o fim do dia e eu entro aqui, sinto que tomei a decisão certa, ainda que seja só por uma temporada. Eu tenho descansado tanto, deito às 22h30 e acordo só no outro dia, delícia dos Deuses.
Agora enfrento trânsito, adolescente chata, tenho responsabilidades que na verdade nem são minhas, preciso me acostumar com uma nova vizinhança. Mas quando é o fim do dia e eu entro aqui, sinto que tomei a decisão certa, ainda que seja só por uma temporada. Eu tenho descansado tanto, deito às 22h30 e acordo só no outro dia, delícia dos Deuses.
O quarto fica no sótão da casa, bem daqueles que vemos nos filmes. Tem três janelinhas e em uma delas posso ver a claridade do dia quando amanhece, e é dela que escuto os pingos da chuva que embalam o meu sono.
O Outono já é a estação mais bonita pra mim. A luz é clara e o sol não esquenta tanto. Venta demaaaais na Ilha Esmeralda e jajá as folhas começam a cair. Dai o povo começa a falar que lá vem o inverno e lalala como se fosse o apocalipse, e quando ele chegar eu estarei quentinha e aconchegada no meu quarto.
É tanto aprendizado, tanta descoberta, me vejo ainda mais corajosa, cheguei aqui sozinha, ultrapassei a barreira dos seis meses, conheci gente, me esforcei MUITO pra aprender a falar o inglês nativo, e quanto mais o tempo avança, mais eu me conheço e sinto um orgulho imenso de tudo isso. Quem escreve agora é a nova Nathália, a versão nascida em Dublin. É maravilhoso escutar dos Irlandeses que o meu inglês é bom. Olhar pra trás e relembrar tudo o que eu passei pra chegar até aqui, foi foda, é foda e vai ser foda pra sempre.
Aaaahhhh o delicioso gosto de lacrar a realização de um sonho.
Marcadores:
amor,
autoconhecimento,
Dublin,
emoção,
jornalista,
vida
terça-feira, 2 de abril de 2019
O que eu tô fazendo da minha vida (versão Irlanda)
Que caralhos eu vim fazer nessa terra fria?
Me livrar dos follows ups, daquela casa velha e do meu pai escutando rádio AM às 06h, me livrar de São Paulo, do trânsito e do ônibus. São Paulo já não dava mais, pelo amor de deus.
Mas porra do lado de cá, enquanto espero a mina mais lerda e tonta do apê tomar banho pra eu finalmente ter a minha vez de paz, sossego e chuveiro, eu fico pensando em todas as etapas e tretas que precisam ser enfrentadas todos os dias.
Aqui eu tenho amigos que vão dos 19 aos 32 e às vezes sinto falta de uma boa conversa, profunda, em português, que é a língua que mais tenho vocabulário. Em inglês, além da idade pouca dos amigos, meu vocabulário (ainda) não me permite que eu mergulhe nas profundezas das argumentações e muitas vezes eu acho tudo uma grande bosta. Dai eu lembro de fazer follow up e o tédio passa.
Será que nunca nessa vida as coisas serão fáceis? Tenho que morrer e nascer de novo pra ver se dou sorte? Porque olha, sinceramente, eu tô cansada. TUDO, SEMPRE, difícil pra caralho.
Pra chegar aqui foi um parto de 2 anos, pra viver aqui é uma treta por dia e fico me questionando pra quê? pra quê passar por tudo isso? pra depois ficar velho e morrer, pois é, quando meto essa nem a terapeuta consegue responder.
Demis dizia que era pra me tornar mais forte. Diz que voltei de UK parecendo um foguete e que sente inveja da minha força de vontade. Eu sinceramente caguei pq tudo tem limite. Vim pra Dublin justamente pra ter uma vida viável, poder ir e voltar a pé do trabalho, poder trabalhar com as crianças, aprender logo de uma vez por todas essa bosta de idioma, me livrar da didatura que acena como quem tá voltando pro Brasil. Mas aí haja paciência pra viver com mil pessoas e nunca ter privacidade pra nada, haja paciência pra ter que aturar gente com baixa auto estima enchendo o meu saco e tentando me deixar pra baixo, haja paciência pra esse bando de Irish xenofóbico, haja paciência pra aguentar sub emprego, haja, tá ligado?
São 32 anos anos vivendo com a faca na garganta e eu tô cansada, só isso. foda-se.
Não me venha com essa de luta e força e pensamentos positivos pq não cola.
Tem hora que enche o saco viver e fica o pensamento:
o que que eu tô fazendo da minha vida?
Me livrar dos follows ups, daquela casa velha e do meu pai escutando rádio AM às 06h, me livrar de São Paulo, do trânsito e do ônibus. São Paulo já não dava mais, pelo amor de deus.
Mas porra do lado de cá, enquanto espero a mina mais lerda e tonta do apê tomar banho pra eu finalmente ter a minha vez de paz, sossego e chuveiro, eu fico pensando em todas as etapas e tretas que precisam ser enfrentadas todos os dias.
Aqui eu tenho amigos que vão dos 19 aos 32 e às vezes sinto falta de uma boa conversa, profunda, em português, que é a língua que mais tenho vocabulário. Em inglês, além da idade pouca dos amigos, meu vocabulário (ainda) não me permite que eu mergulhe nas profundezas das argumentações e muitas vezes eu acho tudo uma grande bosta. Dai eu lembro de fazer follow up e o tédio passa.
Será que nunca nessa vida as coisas serão fáceis? Tenho que morrer e nascer de novo pra ver se dou sorte? Porque olha, sinceramente, eu tô cansada. TUDO, SEMPRE, difícil pra caralho.
Pra chegar aqui foi um parto de 2 anos, pra viver aqui é uma treta por dia e fico me questionando pra quê? pra quê passar por tudo isso? pra depois ficar velho e morrer, pois é, quando meto essa nem a terapeuta consegue responder.
Demis dizia que era pra me tornar mais forte. Diz que voltei de UK parecendo um foguete e que sente inveja da minha força de vontade. Eu sinceramente caguei pq tudo tem limite. Vim pra Dublin justamente pra ter uma vida viável, poder ir e voltar a pé do trabalho, poder trabalhar com as crianças, aprender logo de uma vez por todas essa bosta de idioma, me livrar da didatura que acena como quem tá voltando pro Brasil. Mas aí haja paciência pra viver com mil pessoas e nunca ter privacidade pra nada, haja paciência pra ter que aturar gente com baixa auto estima enchendo o meu saco e tentando me deixar pra baixo, haja paciência pra esse bando de Irish xenofóbico, haja paciência pra aguentar sub emprego, haja, tá ligado?
São 32 anos anos vivendo com a faca na garganta e eu tô cansada, só isso. foda-se.
Não me venha com essa de luta e força e pensamentos positivos pq não cola.
Tem hora que enche o saco viver e fica o pensamento:
o que que eu tô fazendo da minha vida?
Marcadores:
autoconhecimento,
Dublin,
não dá mais,
não sou obrigada,
odio
terça-feira, 7 de agosto de 2018
A carência é a mãe da merda
“Por muito tempo foi assim, Nathy, e até cair a ficha deles que o negócio mudou, vai levar um tempo”. Foi assim que a terapeuta argumentou sobre o que eu tinha dito a respeito das atitudes dos homens em geral, inclusive dos meus exs.
Eis que o macho cheio de si, surge completamente do nada, como se fosse meu
amigo, mais do que isso, como se tivesse
falado comigo ontem, me mandando um
inbox perguntando se poderíamos nos divertir como nos velhos tempos (???????) e
ainda ousou em fazer uma piadinha, pois deve se achar muito engraçado com uma
intimidade que ficou em 2011.
O outro, mais falso que o Temer, deve ter achado que abafou
muito quando veio fuçar meus stories
na maior cara de pau do século, e ainda, perdendo completamente o senso de
ridículo, forçou a barra total se aproximando na certeza de que iria dançar
comigo na Casa das Caldeiras. Otário.
Como é que pode, né?
Mas como bem disse ela, vai levar um tempo, mas uma hora
esses embustes vão acordar e ver que a parada mudou. Vão se ligar que estão
passando vergonha por aí, e que felizmente as mulheres não estão mais aturando
esse tipo de atitude. Eu mesma, até pouco tempo atrás aceitava tanta palhaçada,
que é claro que os machos se achavam no direito de pintar e bordar. É claro que eu vou fazer uma piadinha que ela cai, basta uma olhadinha,
até porque ela está completamente ao meu dispor.
Enquanto isso acontece e ouço cada vez mais das minhas
amigas que a situação está ridícula para o lado delas também, sinto cada vez
menos esperança em construir uma relação legal baseada na sinceridade e na
parceria. É muito macho escroto se sentindo fodão.
A desconstrução é árdua e vem com o tempo. Desde 2003
aturando, aguentando, passando por cima, perdoando, investindo uma energia
descomunal pra ter um retorno bosta. A carência é a mãe da merda, já diria
Clara Averbuck. E é uma das grandes verdades dessa vida. Depois que a minha
ficha caiu e eu percebi de verdade que não mereço pouco, a parada começou a
mudar. Depois que decidi romper de vez com quem não estava comigo 100%, depois
que eu vi que meses seguidos de cama e Netflix doem muito menos do que perder
noites de sono por uma mensagem que não veio ou por esperar a atitude de uma
pessoa que é totalmente sem atitude, depois de tudo isso, é muito difícil
retroceder.
Passei a vida toda dizendo que não me contentava com pouco,
mas sempre me contentei com o mínimo. Isso acabou. E a atitude dos caras tem que mudar, o movimento das minas está maravilhoso, quanto mais tiver força, mais vai engrenar.
Respeito e maturidade emocional: esse é o caminho.
Respeito e maturidade emocional: esse é o caminho.
Marcadores:
autoconhecimento,
cara de pau,
dissimulado,
me esquece,
não sou obrigada,
tá osso,
tudo verdade
domingo, 6 de maio de 2018
Seven years
Entrei com certo custo e muita ansiedade na sala e meu maior objetivo era falar sobre o ciúme, um sentimento voraz que aos 25 anos me deixava louca e dava sinais de que iria me vencer. Comecei a odiar o ciúme, odiar sentir essa sensação, odiar continuar perdendo noites de sono por causa de um outro ser humano e decidi que não queria mais viver aquilo. Entrei na salinha e na entrevista consegui até que falar bem para uma primeira vez. Era um teste, uma coisa passageira, pensei, algo que seria facilmente tratável. Não imaginaria que iríamos tão longe numa relação tão verdadeira e assustadora.
O ciúme era apenas uma ínfima ponta de um iceberg gigantesco que quanto mais eu descubro, mais eu não quero descobrir, tamanha a dor que sinto. Mas esse tratamento curiosamente te faz querer chegar num final, numa conclusão, puxando todas as linhas do emaranhando e escancarando na superfície, colocá-las sob a luz e mesmo que a luz traga dor, e apesar da dor o autoconhecimento é transformador. Mas tem que ter coragem. E força. E mais coragem e mais força, porque é uma casca de feridinha que você arranca e enxerga um buraco. Não sei explicar como é que isso faz a gente se transformar, pensar, repensar, analisar e... conseguir mudar!
Encarar os sentimentos, os piores, os mais doloridos e falar sobre eles, falar muito, falar dos sonhos, dos medos, dos traumas, das neuras, das raízes podres e boas, das relações, dos nossos defeitos, aprender a lidar com tudo isso e com as nossas qualidades, cuidar da auto estima. Isso é foda pra caralho!
É fundamental demais. Tem que fazer. Tem que bater frente a frente com você e aprender a ouvir as cagadas da vida, o que é sua culpa e o que não é. Tem que aprender a exercitar o cérebro, a encarar as verdades e falar sobre elas, sem filtros, sem meias verdades, tem que falar e falar e falar até curar.
Cuidar dos sentimentos é muito importante, já que viver nesse mundo não é nada fácil e tiveram muitas vezes que eu mesma me ouvi dizer que eu não conseguiria. que já tinha dado, que era o fim da linha, que eu estava cansada e exausta e deacreditada. Acho que o pior sentimento é desacreditar. E de uma forma que não sei explicar voltei a acreditar. Em mim mesma, na fé, na vida, nas pessoas (raras e poucas).
A terapia foi um lindo presente que eu mesma me dei dia 07 de maio de 2011. Andreza foi a outra parte da dupla e tantas vezes a única pessoa que eu tinha para contar. Ouvir elogios sobre mim ainda me é estranho, e aceitar que nem tudo é minha culpa também, mas estou aprendendo. aprendendo arduamente, semanalmente, entre risos e lágrimas.
O ciúme? Esse eu já domei há tempos. Well done, nota 10! lição findada.
mas ainda há tantas outras coisas mais complicadas que ele....
avante, sempre!
decidida e corajosa, que é como cheguei a este mundo.
Marcadores:
amor,
autoconhecimento,
sessão de terapia,
tudo verdade
Assinar:
Postagens (Atom)


