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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

É namoro

Dublin é aquele namorado capriciorniano frio e calculista que nunca faz uma demonstração de carinho em público, mas quando pega na sua mão, você para e pensa: "Eita!"
Depois de quase noivar com a Inglaterra e o tempo do meu rolo com o Rio, eu cheguei em Dublin com a faca entre os dentes e o coração embrulhado em aço: aqui não, violão!

Sabe quando você tá ficando com alguém e acha que aquilo ali não tem nada a ver, que jajá esse lance acaba, você põe mais reparo nos defeitos do que nas qualidades e age sempre no modo defensivo? Então, foi desse jeitinho.

Dai a Dublinia foi chegando assim, mostrando que tem cadência, que é feita da resistência, que vai usar Gaélico quer queira quer não, e apesar de nem tão imponente ou malandra, ela é bem delicinha e singular, fria só nas ruas, que de pub ela entende bem. Dublin me apresentou minha versão mais cervejeira, me deu um beijo recheado pelo sotaque Irish, me mostrou o tamanho da minha coragem,
e eu fui me entregando ainda que em negação.

Nesse relacionamento fui eu quem enrolei pra assumir, demorei pra querer postar e esbanjar esse amor pro mundo inteiro ver, mas agora tá consumado, tô entregue, tô na tua e tu sabe que não sou de meias palavras ou meios sentimentos. Eu me jogo pro fundo, eu vou sem medo, cada dia uma sensação diferente, ganhando a cidade, conhecendo novos espaços, compondo a minha versão em Dublin. The Liberties, Stillorgan, Firhouse. De cabo a rabo, lendo notícias e pesquisando seus antepassados.

Eu não sei se a gente vai casar, se é aqui que terei os meus filhos ou farei a minha segunda graduação, a única certeza é que cheguei sem saber nada de você e agora eu quero te conhecer ainda mais!
Início de namoro, mais do que o fogo ardente por uma noite de sexo, é a fase principal pra você sentir se aquilo tem futuro. A gente tá se curtindo muito, né não, Dublinia? 

Outuno em Knocklyon

O melhor sono da minha vida teve um up date: Knocklyon, Dublin. No quarto mais bonito e aconchegante que já tive (mais do que o da Vila Sônia), aqui tenho tido minha melhores noites.
Após seis meses de muitas agruras que somam-se por roncos, insônias, áudios de barulho de chuva, incontáveis interrupções e vontade de chorar, eis-me aqui, digitando esse texto do alto da minha cama single, ao lado de meus dois criados-mudo, meu abajur meia luz, meus livros, minha vela aromatizada e todo o resto do espaço que compõe-se meu! Meu quarto, caralho! 

Aqui ninguém entra, aqui é meu aconchego, meu reduto, o espaço onde traço meus caminhos, invento meus planos, planejo meu Carnaval, estudo adentro meu novo idioma, é aqui eu tenho a paz e onde recarrego minhas energias, onde escuto e calo os meus medos, onde tenho sonhos mirabolantes e verdadeiros, é aqui onde acordo e sigo na batalha como imigrante nesse país tão frio. A Irlanda é fria, mas o meu quarto é quente. 

Pra chegar até aqui eu tive que abrir mão do meu comodismo de morar no Centro.
Agora enfrento trânsito, adolescente chata, tenho responsabilidades que na verdade nem são minhas, preciso me acostumar com uma nova vizinhança. Mas quando é o fim do dia e eu entro aqui, sinto que tomei a decisão certa, ainda que seja só por uma temporada. Eu tenho descansado tanto, deito às 22h30 e acordo só no outro dia, delícia dos Deuses. 

O quarto fica no sótão da casa, bem daqueles que vemos nos filmes. Tem três janelinhas e em uma delas posso ver a claridade do dia quando amanhece, e é dela que escuto os pingos da chuva que embalam o meu sono. 

O Outono já é a estação mais bonita pra mim. A luz é clara e o sol não esquenta tanto. Venta demaaaais na Ilha Esmeralda e jajá as folhas começam a cair. Dai o povo começa a falar que lá vem o inverno e lalala como se fosse o apocalipse, e quando ele chegar eu estarei quentinha e aconchegada no meu quarto. 

É tanto aprendizado, tanta descoberta, me vejo ainda mais corajosa, cheguei aqui sozinha, ultrapassei a barreira dos seis meses, conheci gente, me esforcei MUITO pra aprender a falar o inglês nativo, e quanto mais o tempo avança, mais eu me conheço e sinto um orgulho imenso de tudo isso. Quem escreve agora é a nova Nathália, a versão nascida em Dublin. É maravilhoso escutar dos Irlandeses que o meu inglês é bom. Olhar pra trás e relembrar tudo o que eu passei pra chegar até aqui, foi foda, é foda e vai ser foda pra sempre.

Aaaahhhh o delicioso gosto de lacrar a realização de um sonho.






quinta-feira, 11 de julho de 2019

Últimas

Totalmente adaptada: são 05 meses de Dublínia e a vida flui normalmente, 05 meses de uma vida inteira pela frente, só agora (novamente) o inglês tem ficado mais natural e fluente. Ontem conversando com a mãe de umas crianças, ela me elogiou e disse que estou falando muito bem! Receber esses elogios dão uma fé na vida que nem sei.

Tenho exercitado tanto a minha paciência que posso por assim dizer que já estou mais paciente com a vida. São 06 mulheres usando o mesmo banheiro e eu não tive nenhum surto mesmo com o tapete ensopado, mesmo com o cheiro de ovo cozido que infelizmente sou obrigada a sentir todos os dias, mesmo com os malditos roncos, que eu odeio pra caralho, agora eu aprendi a dormir com barulho de chuva nos meus ouvidos e é assim que tenho seguido.

A parte mais difícil desse começo de nova vida é encontrar pelo caminho pessoas que tem a ver comigo, a mesma conversa, os mesmos interesses e profundidade pra então poder nascer uma amizade. Fazer amigos em outro país é difícil pra caralho.

A parte mais maravilhosa é poder trabalhar, estudar, fazer exercício, chegar em casa e fazer uma comida e tudo isso caber num horário que não me esgota, que não me rouba e que ainda me permite deitar pra assistir alguma série. Sem falar no poder de compra que também é infinitamente mais fácil por aqui, além da facilidade para viajar para outro país.

Em um dos muitos trabalhos que tenho feito por aí, visitar Mary quinzenalmente é sempre muito gostoso. A casa dela fica longe da minha então tenho que pegar o trem e o sábado já começa diferente. Chegando lá são duas horas de uma faxina tranquila na casa da vovó Irish que exibe muitas fotos dos netos em sua geladeira. Enquanto vou limpando tudo vou imaginando como era a vida de Mary antigamente, ela que é tão ativa e saudável mesmo com a idade avançada, como será que era a vida em Dublin nos anos 60? Da última vez eu limpei o banheiro e foi como se tivesse sido transportada para a década de 70. Mobiliário antiiiigo, cortininhas floridas, mini sabonetes já gastos e empoeirados, minha vontade era pausar a faxina e chamar Mary pra conversar. Antes de eu ir embora ela sempre me oferece um café e são nesses preciosos 10 minutos finais que tento estreitar meus laços com a vovó. Comi um pedaço de pão natural, feito por ela, com uma camada de manteiga e geléia (que é assim que os Irlandeses raíz comem), tomei meu café e parti.

Ainda preciso escrever sobre os Downey, o trio de crianças que tenho cuidado, enquanto eles curtem as férias na Itália, eu descanso e reúno todas as energias possíveis para poder dar duro quando eles voltarem, a parada vai ser full time, férias de verão na Europa parte dois: que saudade eu estava!








quinta-feira, 14 de março de 2019

Se alguém perguntar por mim...

Sonhei que ia no lançamento de um novo livro que homenageava Nara Leão, era um desses eventos jornalísticos com a nata dos melhores repórteres. Depois do lançamento rolava uma apresentação com atores e quando eu menos esperava quem estava na cadeira com seu violão na mão?
Ela mesma, Narinha!! De peruca, linda, linda, cantando os maiores sucessos.

Foi foda!

Acordei com vontade de escutar bossa nova e fiquei pensando em quão sortuda eu sou por ter sonhado com ela. Há muito que não escutava Narinha.

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Os dias seguem frios em Dublin. Haja paciência pra tanta adaptação e ainda mais a adaptação ao inverno. Sei lá, mas tem hora que enche o saco e tem hora que tudo o que eu mais quero são 5 minutinhos de paz e não tem como. Dividir a casa com um bando de meninas é o máximo e ao mesmo tempo é foda pra caralho.

Tenho mantido meu foco em descolar um trabalho e falar em inglês all the time.
Tem hora que eu mando super bem, tem hora que sinto que terei 70 anos e ainda estarei estudando o verbo to be. Sempre fui e continuo sendo aquela pessoa besta da classe que faz piada (boa) nos momentos oportunos. Os Mexicanos caem na gargalhada porque eu apelidei geral com o nome dos personagens do Chaves. Imagina uma professora irlandesa que nunca nem viu ouviu falar nessa série. Fui obrigada a mostrar uma foto etc e contextualizá-la de que o programa é de 1971 e ainda passa diariamente num canal brasileiro. Jornalista, né mores? conta o rolê completo.

E assim vamos indo...
Entre cervejas, funks, cafés e sanduíches, é impossível não lembrar que a minha vida agora é em outro país.

Me pergunto se terá um tempo em me sentirei parte real daqui e me desconectarei um pouco do Brasil.


O tempo vai dizer.....


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segunda-feira, 4 de março de 2019

Antes que eu me esqueça

Se nem a Inglaterra, que é a Inglaterra, me conquistou de bate pronto, por que com você seria diferente, hein? Quem muda de país achando que vai viver conto de fadas é adolescente, adulto tem os pés bem fincados no chão. Eu cheguei sabendo direitinho o que me esperava aqui.

Já lavei roupa na banheira, esfreguei bem, deixei três dias secando.
Já lavei louça na água gelada, afinal, cruzar com fila da puta no caminho nunca está descartado.
Já voltei bêbada pela rua cantando e sentindo a liberdade invadir cada canto do meu corpo, e acho aliás, que esses foram os meus melhores momentos aqui. Andar sozinha pela rua, num frio lascado, batendo a bota no chão e procurando as luvas, pedindo lanche em inglês com o vocabulário me faltando ou saindo perfeitamente, aaaaaaaaahhhhhh, são nessas horaas que tenho vontade de gritar!

Porém, ai, porém, o preconceito com brasileiro, a xenofobia, a distância de tudo, a dificuldade em cada conquista, todas as burocracias, a leviandade do próprio brasileiro com quem acabou de chegar.
Isso é uma verdadeira bosta. Mas eu cheguei preparada. E também cruzei com muita gente de bem

Peterborough levou 3 meses até que eu pudesse enfim lhe abraçá-la.
É quase impossível não comparar esses dois lugares e eu tenho feito muita força pra me voltar cada vez mais para o aqui e agora, mas é árduo.

A adaptação nunca é fácil, e eu com esse jeitão impaciente.
O que me salva é saber que o governo do burro tá afundando cada dia mais o brasa (infelizmente), e que eu passei os últimos 4 anos da minha vida procurando emprego pra fazer follow up que é a coisa mais detestável da minha querida profissão, é por isso que vou dar esse tempo aqui.

Vou bater de frente com nanás, com o preconceito, com qualquer merda que me vier pela frente, vou conquistar meu espaço e escrever minha história com uma letra bem demarcada e bem forte, que é como sempre escrevi todas as minhas páginas.


(e FODA-SE O BOLSONARO)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Não tem TV

Pois é, aqui a maioria dos intercambistas não tem televisão em suas casas. Rola uma parada de licença pra ter os canais, tipo Net, e a fiscalização bate forte e real. Quem é pego usando ilegalmente recebe uma multa de 1000,00 euros e é assim que fiquei sem assistir meu programa favorito no Brasil, Inglaterra ou Irlanda. A-M-O telejornal e realmente isso tem me feito falta por aqui.

Em P'boro a televisão me ajudava muito, tanto em relação à solidão, quanto com o listening.

Por outro lado, viver sem televisão te libera tempo pra fazer outras coisas, como conversar, conversar e conversar com quem mora com você. Tem sido assim comigo e Rachel minha nova melhor amiga de infância rs.

Os primeiros dias são intensos e cobertos por emoções variadas. Olhar a janela e ter cada vez mais certeza de que estou aqui, me perder por um caminho X e não saber voltar, beber todas e conversar em inglês como se eu dominasse a língua, conhecer gente de todos os lugares do Brasil, sentir saudade da Diná e do Benjamín, tudo novo de novo, conversar com o boy no Brasa e sentir mais saudade, aliás o Tiago foi um baita presentão desses últimos tempos em São Paulo. A sútil e voraz diferença entre você se relacionar com um homem e não um moleque, não é meixmo?

A vila em que moro em D8 de um lado é meio quebrada, de outro é chiquezinho.
As casinhas com portas coloridas, a cidade que se recolhe às 23h, o vento forte que bate no rosto e todas as andanças, sobe rua e desce rua tudo à pé.


Hoje está um lindo domingo de sol. Aqui quando sai o sol a gente se anima e já quer ir pra rua pra aproveitar o astro rei no céu largado em algum parque por aí.


Outro lance muito forte e curioso em Dublin é a quantidade de brazucas que moram na ilha.
Uns chegaram há 04 anos, outros há 5 meses, outros há duas semanas. E aí todo mundo já vai passando as coordenadas, pagam uma cerveja, pega aqui um pedaço da minha pizza, no começo é foda mesmo, até sair o GNIB etc e tal. É super normal transitar pelas ruas e ouvir português.

É claro que aqui tbm tem aquele brasileiro classe média que se acha a última bolacha do pacote porque já manja dos esquemas e tem o passaporte vermelho. Esse é o mais otário e idiota de todos, além de renegar a raça de onde vem, ainda acha bonito querer levar vantagem com quem chegou há pouco.

sem comentários.

Como sou uma mulher de muita sorte, tenho cruzado com pessoas maravilhosas, entre elas, Manda Pizani e Thyci Maradei a configuração de como nos conhecemos é tão X, mas tão X, que somente indo ao começo desse blog em 2008 para entender rs.

Hoje é dia de Dyces, bebê. O único rolê em que é possível pagar 1,50 no paint de Paulaner.
E lá vamos nós.

Tbm descobri que vai rolar festa carnavalesca por aqui, PORQUE NÃO SOU OBRIGADA A FICAR SEM PULAR.



desbravando a cidade com profundidade e intensidade, tal e qual uma jornalista curiosa gosta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A maior ressaca da minha vida

Foi como se eu tivesse bebido sem parar uns quatro dias seguidos e depois acordasse pra tocar a vida. Acordei com a cabeça bombando, meu corpo doído, a cabeça custava a acreditar no que tinha acontecido. era real mesmo? como é que se segue após essa merda? eu não queria sair da cama, muito menos trabalhar, muito menos encarar o mundo. que bosta, que raiva, que bosta, que deprê. o silêncio sepulcral na redação não deixava dúvidas, foi um velório completo. lembro de ter comprado um pão de queijo cabisbaixa. aquela segunda feira não seria fácil. E não foi mesmo. assim como a semana que seguia e eu mal conseguia raciocinar como é que seria a tal da resistência que eu mesma bravejei pra todo mundo.

O pior candidato a presidência, racista, homofóbico, misógino, ultra conservador, evangélico, machista, sem tato, sem traquejo, sem carisma, um cara do exército mano. tá ligado? como é que em 2018 alguém  acha legal um cara do exército comandar o pais, porra?

minha nossa senhora me dê forças. 
peguei um bode de tanta gente nessa eleição, um ranço  profundo de parentes classe média que do alto de seus carrões e sua vida pré programada, que sequer pegam um ônibus na vida e nunca ficaram desempregados ficam nessa burrice de dizer que tudo é culpa do PT. faça-me o favor. não quero papo mesmo. que morram.

é claro que essa opção rasa e cheia de ódio também é composta de um cansaço do povo e de uma sequencia de merdas que deram em decorrência do último governo da Dilma e da imposição do golpe, mas colocar toda a culpa do país no PT é ser muito burro.

em duas semanas: fim do ministério do trabalho, fim dos investimentos culturais no sistema S,escola sem partido!!!!!!!!!!!!!! alexandre frota cotado pro ministério da cultura, Paulo Guedes, Maitê Proença cotada pro ministério do meio ambiente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 12 milhões investidos em carros blindados pro bonitões, a lei do nascituro em que a mulher é obrigada a ter o filho de um estuprador!!!!!!!!!!!!!!! fim do programa mais médicos.

esse presidente asno abriu a tampa de uma bueiro. os machistas, os homofóbicos, os evangélicos, aliás, que grande praga é essa raça, hein? eles querem impor que todo mundo seja evangélico de qualquer maneira e ai de quem não quiser, e ai de quem contestar o caralho da bíblia de um deus que nem é meu. os caras querem mandar no meu útero!!! EU NÃO SOU OBRIGADA. (off jornalístico: na Record os jornalistas receberam ordens de que quem tivesse alguma crítica ao novo governo estava convidado a se retirar. É censura de imprensa que chama, né?)

sobre o governador eleito em São Paulo eu me recuso a comentar.

As duas primeiras semanas foram realmente muito difíceis. eram amigos gays querendo casar logo com medo do que pode vir no ano que vem, o povo com medo de foder com a aposentadoria que ainda nem saiu, o cara arrumando briga com o Egito, os árabes dizendo que iam cortar a importação de carne no brasa, a tal corrupção bem na nossa fuça, ou vai me dizer que não sabia que seu Moro ia aceitar o ministério da segurança pública num belo presente depois de preder o Lulas sem provas? ahvá.

Dai na semana passada enquanto eu tomava uma cerveja em Pinheiros, havia um bloco de Carnaval ensaiando marchinhas debaixo de chuva. o Carnaval é um ato político pra caralho, quem não entende isso nem precisa continuar lendo esse blog. Enfim, fiquei pensando que a tal resistência está nas ruas, nos eventos, nas comunidades, nas rodas de conversa, está no samba, no santo forte que segue vivo com uma pegada gay maravilhosa guiada por um djzão do caralho e forte no cenário musical paulistano. a resistencia vai seguir nos terreiros de umbanda e candomblé e nos centros Kardecistas, até as religiões precisam ser resistentes nesse momento, mesmo nas minorias e na nossa bolha, nas discussões que precisam mais do que nunca continuar rolando, e também está na troca de informação de qualidade pq tem muita coisa fake rolando pra tudo quanto é lado.

esse presidente bosta, esse cuzão que colocou a família toda na política, esse cara é um bosta!
mas o brasil é muito grande, a esquerda precisa se organizar e se erguer novamente, mas não tem arrego e também não vai ter como fugir. vai ser uma carne de langanho mastigada por quatro duros anos, mas vai passar.

e uma coisa é certa: todo mundo ao meu redor tá fechado comigo. meus professores da faculdade, a empresa onde eu trabalho, meus chefes, meus amigos, meu crush, meu pai, minha mãe e minha irmã. não tem uma pessoa próxima a mim que não esteja enxergando tudo isso, então tá tudo certo.

eu sou teimosa e custo a me conformar.

mas pra além de qualquer conformidade está a possibilidade de continuar resistindo e confrontando toda essa merda que ta aí.

o chumbo é grosso, mas eu sou de aço!





segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Haja coração

Se tudo der certo em breve estarei respirando o mesmo ar que Dr. Drauzio Varella num evento para médicos.

O coração da jornalista tá como?



é o lacre!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Amsterdam e todo seu cenário

Cheguei em Amsterdam aos prantos por sei lá qual motivo. aos prantos mesmo, nem era raiva, era tristeza. Depois de quase morrer de infarto e quase perder o avião, na saída do aeroporto, novata, sem entender nada, eu só queria chorar (ai meus peixes). Fui alertada: Brasilzinha, vem aqui, cê sabe onde vc tá, meu bem? não, eu não sabia.

choro chorado,  baile seguido.

Amsterdam é filme, é cenário, é clichê, é vida bela, é de uma lindeza tão grande, mas tão grande que a gente se pergunta um milhão de vezes como é que deve ser morar ali naquele paraíso. deus do céu, quanta beleza, quanta leveza (pelo menos pra quem é turista). cada esquina é um fotão mesmo que você não seja fotógrafo.

Cervejas, queijos and smokes à parte, ver a vida passar em Amsterdam é, por si só, um grande passeio. Os barquinhos pelos canais, o vento batendo nas folhas, no rosto rosado de quem é fruto daquela terra, o país de Anny Frank, que foi devastado e conseguiu se erguer novamente sem deixar para trás suas marcas.       

E o trenzinho azul que vagueia pelo centro? A louca dos trens ficou fascinada.

Foi com muito medo que meti a cara na bike e passei a enxergar uma nova cidade sob rodas. À noite o charme fica ainda mais especial e o Rijksmuseum ganha uma iluminação tão foda que ali eu tive certeza de que estava numa cena de filme. As ruazinhas, aqueles prédios com janelões, outros com escadinhas pros apês que mais parecem porões, cada quarteirão a imaginação voava criando uma história de um personagem que ali vivia.

Os ingleses são bonitos, mas você já botou reparo num deutch? Receba.
Altos, magros, olhões azuis, boinas e cerveja sempre nas mãos, que ninguém tava ali de brincadeira.

Durante os dias em que estive lá estava rolando algum torneio de futebol e a cidade também respirava  os ares do mundo da bola. As torcidas gritavam e os turistas acompanhavam tudo pelos telões dos bares.

Como todas as mini-férias, a viagem logo acabou e a cidade me deixou com gosto de quero mais, e eu tive ainda mais certeza de que meu lance é observar o povo e seus costumes, sentada, bebendo café ou cerveja, bloco de notas a postos, sentindo como é viver ali.

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Meus parceiros de viagem sempre foram ótimos e sem frescura. Economiza daqui pra gastar ali, andar sem medo de ganhar as ruas, botar a energia pra jogo, dormir pouco e viver muito, é assim que parceiro de viagem tem que ser. A viagem tem muito de quem viaja conosco, não é mesmo?

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Quer uma sensação mucho loca?
Voltar de viagem pra uma outra viagem, pra onde era minha casa, at my new country. Casa é sempre casa e voltar para a pequena Pboro foi um abraço confortável. A Marília inglesa onde tudo é sempre igual e nada muda, rumei pro ASDA que era necessário comprar comida para a semana.

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Mini infarto 2: Na volta, o agente british do aeroporto fez 500 perguntas, num inglês caipira e nasalado. folgado, perguntou se eu tinha dinheiro pra ficar viajando aquele tempo todo. No que eu respondi que sim, sim, com licença vamo logo com isso. Minha cara de pau é grande e já me salvou várias vezes. Cara de pau em outro idioma: haja. 






terça-feira, 17 de abril de 2018

De outros outonos

O outono me faz lembrar do vento gelado que batia na Metodista às 07h30 da madrugada já dentro da sala de aula naquela lonjura do Rudge. Minha grande preocupação há 10 anos atrás era aprender a escrever direito, manjar de laudas e reportagens, falar mal dos outros com o Guilherme e a Nath, e descolar um estágio remunerado que me pagasse mais do que R$ 400,00. Pro ansioso todas as fases doem e não adiantava me dizer que as coisas iam dar certo, eu sofria e nem poderia imaginar os belos rojões que vinham pela vida à frente. Com 21 anos a gente sabe o que dessa vida? Eu achava que sabia muito...

A gente tomava café e chocolate quente quando o frio chegava de vez, o ar gelado do ABC não perdoava. Tudo isso rolava na cantina do Delta, ou a cantina de humanas habitada pelas melhores tchurmas de Jornal, PP e RP, que já naquela época a gente não tinha dinheiro ou saco pra ir comer com a parte coxa da faculdade (eu já tão comunistinha. tão briguentinha. tão fora do padrãozíneo). Era pão de queijo barato e o café pequeno custava R$ 0,50 cents o grande 1,00. Isso sim que era vida!

Depois a gente pegava carona com o Eduardo e com o passar dos anos o Gui finalmente botou o celtinha pra rodar e me deixava todo santo dia na Paulista.

Pqp que saudade!

Agora escrevo esse texto com a tão sonhada experiência que naquela época me assombrava, aprendi não só a escrever, mas a fazer reportagem etc e tal, até release nóis faz agora. Adiantou sofrer, querida? Adiantou perder noites de sono por conta dos trabalhos, pelas notas (um pouco) baixas, pelas imensas vagas de estágio que não foram retornadas?

Naquela época minha preocupação era deixar o cabelo o mais liso que eu conseguisse, acordar 05h30 era um pesadelo, sonho era conseguir ir pro Juca com o rolê já quitado #ata. Nos meus tempos de Virgula eu recebia R$ 380,00, trabalhava dois finais de semana por mês, ia pro Remelexo de ônibus, tomava jurupinga, catuaba e canelinha.

O outono me faz lembrar também que esse ventinho gelado é corriqueiro numa outra cidadezinha que eu jamais imaginaria que conheceria, caso alguém me entrevistasse em 2008 indagando sobre os meus sonhos para o futuro. As curvas da vida, o inesperado, a oportunidade, a coragem, a vontade que dá (e sempre deu) pra me jogar.


2 years ago.


Outono é memória boa e saudade.




quarta-feira, 14 de março de 2018

Re - pór - ter

Esses dias a Nick me perguntou: mas você está fazendo o que gosta? e eu respondi: não.
pareço a chata do mundo que nunca curte o trampo, mas tem uma lacuna muito grande entre trabalhar e fazer o que a gente gosta, right?

e fazer o que eu gosto está bem claro: trabalhar como repórter. se não for isso a resposta vai ser sempre: não. foi pra isso que eu fiz a faculdade e minha meta sempre foi essa, além de reconhecer que mando muito bem nessa posição.

porém a crise, porém os passaralhos, porém a crise do jornalismo, porém as panelas, porém os baixos salários, porém a falta de vaga, porém os costas quente, porém os veículos fechando, poréns.

Eu sou repórter. Eu não sou assessora de imprensa, redatora, social media, eu sou REPÓRTER.
de rádio, de televisão, de jornal, de webtv, de site. mas a vida não pode ser vivida só de sonhos e trabalho não tá fácil pra ninguém. entregar um bom trabalho e sempre atingir os resultados eu consigo, sendo assessora, redatora, redes sociais, babá, garçonete, faxineira, vendedora,  mas sorrir plena é outra coisa, uma vez que cada um sabe qual é o seu objetivo e o seu verdadeiro talento.

ainda bem que eu consegui trabalhar como repórter mesmo que por pouco tempo. por essa crise e essa palhaçada toda na minha profissão eu realmente não esperava. e não vem dizer "ah ela não se esforçou o bastante", porque eu sei bem qual caminho eu percorri.

lembrar disso e ter a liberdade de escrever o que eu quiser aqui é maravilhoso.
jamais esquecerei qual é a atividade que não me cansa: escutar, pesquisar, vasculhar, escrever, reportar, gravar, editar, levar informação (verdadeira e de qualidade), é pra isso que eu me tornei jornalista.

lembro de um dia no Remelexo, uma sexta-feira qualquer, eu encostada no balcão bebericando uma cerveja feliz da vida, comemorando mais uma semana de trabalho que chegava ao fim, era 2010 e eu era repórter duma webtv de condomínios, onde aprendi tanta coisa e fui tão feliz que nesse dia eu pensei: "que bom que eu ainda não enjoei de fazer isso", e sempre lembro desse dia porque naquela época eu estava pleníssima.

Depois eu me senti assim quando trabalhava na Pan e essa sensação voltou somente dentro da Litte Miracles feliz da vida ao lado das crianças.

agora trabalhar a gente trabalha, né? e escrever, grazadeus, nunca me foi um problema.


voltemos ao ferro de passar.