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sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Para Jaqueline

 




Eu queria apenas levar um perfume de presente.
Corta pra: máscara de Covid, Butantã, Av. Paulista, Augusta, Baile dos Ratos, Diná, Fatiado Discos,
show do Caetano, Margarete, BBB, Santa Cecília, sacolão, Assis, Europa, CarnaRio.

Talvez você seja a irmã que eu tanto quis nessa vida; a irmã que toma sorvete, enche o meu saco, dorme a hora que quer, sai por aí numa liberdade que parece a minha, tromba no meio do caminho, faz chorar de rir e chorar de saudade.

Um perfume: e uma vida inteira pra completar. 
Eu não gosto de gaúchos, você sabe, mas agora eu desfilo com uma camiseta original do Grêmio e bato minha perna canhota como quem bate uma bombacha. Eu sei lá o que é bombacha, sabe? Ai sabe.

É peixe de ano novo num agreste que sinceramente, série cubana numa simplicidade sem fim, seu cachorro, meu cachorro que tanto parecia você. 

Sou eu gritando na orelha de Santo Antônio, dai tu desafia ele (aham cláudia!), quantos momentos em tão pouco tempo? 

A única capaz de adentrar a casa de Marga. E o doce de abelha há um ano guardado na geladeira.

Nada nessa vida é por acaso, e nem eu, a pisciana mais sonhadora dessa vida de Manoel Carlos poderia imaginar o que viria pela frente quando eu cruzasse a casa do Campeche; Você tem noção que passamos um Carnaval no Rio de Janeiro juntas, né? 

Fátima, estaremos juntas em Copacabana, Santa Cecília, Lajeado, Rosa, London, China, Allianz, Arena

Que dupla de águas formamos, hein?

Obrigada.





domingo, 5 de março de 2023

Pós apocalipse ou depois do Carnaval - parte 1

 Agora que você foi embora, pegou suas últimas peças de roupa, esqueceu alguns potes de purpurina no banheiro azul, por mais que eu tenha implorado pra você ficar, você se foi, Carnaval, e na verdade eu entendi que você tinha que ir, te dei um beijo no rosto e um abraço bem apertado porque agora são mais 300 dias esperando até que você volte novamente etc. 

Agora são 07h de um domingo fresco na cidade de São Paulo e o meu fuso horário continua ativo como se aqui você estivesse. Eu treinei o corpo, os pés e as pernas desde dezembro pra poder aguentar o tranco, e aguentei, mas o fim do ciclo é mais demorado do que eu gostaria e pra ser sincera eu adoraria ainda estar dormindo, mas vou aproveitar essa paz e silêncio pra escrever essa carta pra você.

Esse ano você botou pra quebrar, hein?
Nada como um bom planejamento na ponta do lápis, rascunhando e organizando essa festa gigantesca, linda e perigosa! Você é tão poderoso e fiel que foi tirando as pedras do meu caminho e soprando no meu ouvindo a importância de manter o foco para quando você enfim chegasse. Foi dureza, lágrimas, mas deu tão certo, tão certo que eu apenas consigo te dizer muito obrigada por mais um ano!

Foram 24 dias no Rio passando por Santa Teresa, Nikiti e Botafogo numa catarse sem igual.
A fantasia de Janja, tal e qual combinamos foi um golaço! Dançar de frente pros militares armados num sol de 50 graus ouvindo Beattles, suar o biquini no Ogodô do Aterro e seguir num crack sem nome andando até a Praça XV já com o sol se pondo, pegar o Sinfônica Ambulante estando dentro do grupo de músicos de Nit com meus netos, O Cachorro Cansado lotado que fez com que eu recalculasse a minha rota e cruzasse com bairristas raiz num boteco mais raiz ainda. 

Você me inspira e me guia tanto que eu sempre dou de encontro com pessoas especiais que fluem na mesma energia que eu, e é por isso que eu continuo amando me perder no bloco e me encontrar, pra depois me perder de novo e assim sucessivamente até que os meus calcanhares gritem que chegamos no limite, mesmo o coração querendo sempre mais.

Embaixadores da Alegria, Céu Na Terra e Bloco das Tubas
Os três blocos mais especiais desse ano, pra variar, eu pulei sozinha e não quero parecer egoísta, mas a parada flui melhor assim e eu só posso seguir os ventos que o Carnaval me traz. Na sexta de abre-alas parti pro Buraco do Lume atrás do bloco do Vaca Atolada, eu odeio a sensação de ter perdido o bloco pq pra achar é uma trabalheira danada, mas enfim o achei, e era somente o começo, aquela sensação de "enfim você chegou", de quebra encontrei Manu da Cuíca e a agradeci pelo samba da Mangueira de 2019. O Carnaval e suas surpresas: No samba pós bloco, já no Vaca, na minha Lapa caótica,  eu simplesmente dei de cara com Gleisi Hoffmann -Presidente do PT!-  e a energia era tanta que eu virei a noite tomando cerveja no Amarelinho (sempre muito apaixonada etc), e decidi tomar um cafezinho para então finalmente subir Santa Teresa e pegar o Céu Na Terra no começo!

No trajeto para subir Santa o descontrole começou: Taxistas e Ubers não sobem o morro, eu não subo em moto, e o jeito foi subir nas pernas com um povo que eu cruzei pelo caminho. Santa Teresa esse lugar que eu quase não amo, é pra ir andando? Pois então vamos nessa! (haja cerveja, GT, café, joelho, água, Trident). O dia já estava quente e era apenas 08h da manhã. Meu deus o Céu Na Terra vai sair, que emoção. É claro que meu ego gritou dizendo que eu tinha de estar bonita e com meia arrastão e com sei lá qual tiara, mas o Carnaval muda as rotas, esse pisciano safado decide tudo no meio do caminho e eu estava sem maquiagem, com restos de purpurina e um look totalmente X, mas enfim lavei a alma descendo pelas vielas de Santa, era paralelepípedo e e escadas que não acabavam mais, as ruas abarrotadas de uma gente colorida, livre, feliz e aliviada. É Sábado de Carnaval, porra! O dia mais legal do ano, segue o bloco. Segui, e obrigada mais uma vez, meu amor, por ter me dado a oportunidade de esclarecer uma parada séria no meio do bloco. Ou as mulheres se unem contra a machistada e desmacaram narcisistas baratos e manipuladores, ou esses merdas vão continuar mentindo e enganando mais e mais, aqui não violão, aqui o papo é retão! Fim de bloco.

Uma vez me disseram em tom de deboche: "Você nunca pegou o Bloco das Tubas à noite, né? Não sei se você aguentaria."

Corta pro domingo de Carnaval:
Mariguella não segurou o tranco e descarregou. Era domingo à tarde e o Tubas sairia somente 20h, mas o que é que eu vou fazer até lá, meu St. Antonio? Segui o fluxo atrás de um bar cujo pudesse carregar o meu celular e eternizar esse blocão noturno que sai apenas da Candelária, puta merda!
Deu tudo errado, mas também deu tudo certo, eu me enfiei num inferninho da Lapa, carreguei meu celular, tomei banho (hahahahahaha senhoooora), arrumei briga, chorei, ajudei uma ambulante, cruzei com franceses, ensinei um hipster lindo a chegar na Candelária, quase fui pega por trombadinhas, fiz amizade com mais um ambulante e finalmente depois de todo esse pequeno apocalipse (é bom estar preparado para mais um capítulo ao vivo de The Last os Us), eu encontrei o Bloco das Tubas! Puta que pariu, que blocaço!!!!

Lotado, lindo, emocionante, um bloco que dá olé nos foliões, fingem que vão seguir por um caminho e se enfiam numa ruela paralela fazendo com que a gente volte tudo correndo, à noite, pelo centro do
Rio de Janeiro. Foi tão perfeito que até corda eu fiz, porque eu posso ser de SP, mas se tem uma coisa que eu manjo nessa vidinha é pular bloco no Rio e com licença vou proteger os músicos sim senhor. Joelho um pouco ralado, calcanhares sangrando, tomamos uma chuva homérica, mas a sede do folião depois de 2 anos de pandemia e 4 do pior Governo, a sede de quem enfim tem um Presidente para chamar de seu, a sede de quem se entrega de corpo, alma e coração ao corpo de baile, eu avisei meus pés: infelizmente vocês vão ter de aguentar sim, daqui não saio, daqui ninguém me tira.

No fim, quando eles pararam de tocar, eu tinha andado sei lá quantos quilômetros (sempre muito apaixonada rs, a paquera com homem carioca me pega de um jeito), quando as tubas foram para o alto e as palmas surgiram, só então eu dei por encerrado o domingo de Carnaval e voltei pro hostel (e lá a festa começou novamente com direito a um italiano dizendo que levou o pai na Igreja de Padova, Santo Antônio de Padova e eu de frente pro Cristo só querendo chorar e aliviar a tensão e emoção por tudo o que eu havia vivido naquele domingão). 

Pois bem senhoras e senhores ainda tem muita história para contar desse espetáculo catártico, que me inspira, motivo do meu choro, razão pela qual eu me organizo, brigo e bato o pé, festa pagã perfeita e também cheia de percalços, o assunto que faz com que eu fiquei hoooooras falando sobre, o Carnaval é tão fantástico, lindo e poderoso, meu Carnaval soberano, você sabe, né? Você sabe sim porque eu converso com você, obrigada por TUDO, estamos juntos, estamos fechados! E é como eu disse, escrevi e cravei: Ninguém toca no meu Carnaval. 



 


 

domingo, 3 de abril de 2022

Conexao Dublin - SP

A noite que invade a cidade é tão cinza quanto uma outra mais fria que já habitei por ai. Minha mãe e minha cachorra sentem frio, enquanto eu trajo shorts e camiseta. O cinza já não  me é estranho, tão pouco o frio, frio em SP? ah me ajuda!

Enquanto embalo caixas para iniciar um novo capítulo na capitar, sinto o ar fresco que invade a sala. Diferente da outra sala, aquela da Parnell com janelão e flores no parapeito.

São quase 4 meses de uma velha nova vida por aqui ainda que eu siga conectada com a minha Dublinia.
Não só pelos amigos, pelas notícias, pelos stories, pelos áudios dos meninos que cuidei, mas é como se eu estivesse lá estando aqui, e eu já vivi isso ao contrário.
A playlist indie rock continua em looping mesmo estando em  outro continente, é o jeito que encontro de não me distanciar da língua que tanto labutei pra dominar.

Sou obstinada, quando tenho foco vou até o fim até que todas as cartas do baralho estejam descartadas, e por isso vou caçando jeitos de não perder o inglês. E eu não vou perder. não admito. Não sou obrigada

O cotidiano de viver SP, o ano eleitoral, a carreira, os executivos e o bilinguismo me convocam pra projetos que nem estavam planejados, mas ganhar dinheiro, quem não quer? Eu quero e muito, mesmo que seja pra trabalhar aos sábados, como fiz hoje, como fiz lá, e como meu amigo me ensinou.

Não sei do futuro,
pela primeira vez na vida não tenho um plano porque a vida se apresenta no agora e no agora tantos caminhos são possíveis.

Uma coisa é certa, acho que vocês ja sabem - eu amo muito SP, esse moedor de carne ao vivo, mas eu também amo tanto minha Dublinia, ambas cinzas, eu não me lembrava que São Paulo era tão cinza assim.

vou transformar a ansiedade em experiencia, dinheiro, e historias pra contar.

por agora, o que adianto é que voltei a escrever. e vai ter Carnaval em abril.

voltamos em breve com mais informações diretamente da cidade de Sao Paulo, Nathalia Brasil para o SPTV,

Tramontina.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Winter Time

                                                      Dublin, Woodford


O novo ano, esse cujo esperamos tanto, chegou chegando! Eu de PG, linda, animada, cercada pelos amigos que tanto gosto, o amigo que gosto tanto, o corte seco que me surgiu inesperadamente, porém, necessário, lágrimas, risos e gritos. Foi um festão. Fiquei triste, remoendo, mas agora eis que passou, ufa! me sinto leve, serena, plena e preparada! Os planos eu já escrevi e do que depender de mim, vão sair do papel, ahhhh se vão! Eu me jogo real, e não tô nem aí.

A semana começou colocando toda a rotina no lugar. Meus meninos, tretas, broncas, brincadeiras e: Neve!
Dublin amanheceu branquinha, com floquinhos de gelo pairando sob o meu rosto enquanto eu esperava o bus! Que pira! 

O inverno está tão bonito esse ano com pouca chuva, muito frio e sol. Tem saído aquele sol de filme com céu rosa meio algodão doce. É lindo de verdade e ainda que as minhas mãos queimem quando me esqueço de pegar as luvas, ainda que eu tenha que vestir duas calças e o sobretudo, tenho vivido dias muito bonitos. A verdade é que o frio acostuma, o que me fode é a chuva e as longas horas das noites que começam às 16h30 e terminam 08h30 quando a fraca luz do dia aparece. Essa sem dúvida é a pior parte. E haja vinho, haja comida, haja mente forte pra aguentar e esperar que logo mais tudo volta ao normal.

                                                      PG: Pomba Gira petralha


Acho que pra esse ano eu quero ser menos falante, quero me reinventar numa persona que ouve mais do que fala, e opina menos, e tem menos que sentir, ainda que eu não saiba ao certo como é que se racionaliza sentimento e se altera a personalidade. Não quero mais ouvir aquela frase e nem ser mal interpretada, por isso, quem fala menos tem menos chance, né?

Também quero arrasar com o meu trabalho, a minha nova carreira, quero abundância pra ter uma vida ainda mais confortável e quero aprender de uma vez por todas em quem é que eu posso confiar, porque eu entendi que essa lenga lenga só vai acabar quando eu me modificar, passar pelo papelão que passei na festa não quero nunca mais. O medo de perder ainda surge, mas eu tô preparada e eu sou de verdade! então pouco me importa ser cortada de festas e de momentos com pessoas em quem não posso confiar.

Preciso trabalhar aquela parte ruim da minha personalidade. Não dá mais pra ser assim e eu odeio rememorar e rememorar e rememorar e rememorar e rememorar e rememorar uma coisa que já passou.

A vida aqui pegou o ritmo que eu sempre quis. Agora eu sou bilíngue de verdade. Atingi tantos objetivos, alcancei tantos sonhos, agora é hora de me preparar pra voar mais alto, sabe quando o Mário Brós precisa passar a fase do cano pra zerar a estrela e chegar no chefão? é nessa fase que eu tô, e eu vou passar! Não tem piranha nem peixe voador que me segure.

Eu sou muito sortuda e muito grata por todos os meus amigos, mas eu sei o  a energia que eu ponho
pra tê-los por perto, pra me fazer presente seja no Rio, SP, Dublin, Fortaleza, Floripa, Joinville, Bahia. Amizade é coisa séria pra caralho.

Não vejo a hora de ser vacinada, virar jacaré, aprender a tocar saxe e sair tocando no Me Enterra na Quarta e na Charanga! Ninguém me para no Carnaval de 22. E o Bolsonaro que morra, que se exploda, que vire pó.

Agora em Dublin temos -2, tráfego segue tranquilo no sentido Norte e Sul, a previsão é de sábado de sol e poucas chances de chuva, seguimos no vinho, no som e nas boas novas.
Nathália Brasil para o SPTV, Tramontina.



domingo, 21 de junho de 2020

Vira virou!

Provisório era o plano que eu tinha quando fui pro brasil em fevereiro, depois provisória virou minha situação em Dublin num quarto sem janela com pessoas desconhecidas e um trabalho totalmente mambembe. Encarei, pois era a única atitude possível.

Do quarto sem janela fiz meu refúgio, esse apartamento em Terenure virou minha casa real, onde me senti acolhida, protegida, confortável e tranquila durante o pior período de lockdown. No meio da pandemia eu me reinvetei mesmo num cubículo e com pessoas que nem eram do meu rolê. Mas o rolê veio, e com ele, a confiança, a amizade, a integração e o pertencimento que tanto busquei ano passado.

Agora preciso me mudar novamente, preciso também me adaptar com um novo trabalho no cú do mundo, mas que garante minha sobrevivência em terras irlandesas. Lá vou eu com a cara e a coragem que foi me dada quando cheguei nesse mundo em 1987, medo de trabalho nunca tive, medo de adaptaões tive sim, uma par de vezes. Mas de novo: Não há nada que se possa fazer, encarar apenas, encarar tudo o que vier pela frente, mais uma vez, já que provisória também é essa situação.

Comendo coxinha no restaurante brasileiro semana passada senti o já conhecido gosto amargo da solidão. Nem a pau! Vou me envolver e me jogar com uma nova tchurma de brasileiros que ainda nem conheço, mas posso considerar pacas. Assim é a vida aqui em Dublin e o exercício de desapego pega fundo na carne crua de quem tem de aprender na marra. Aprenderei finalmente, que boa aluna sempre fui e continuarei sendo, mesmo quando as lições da vida me exijam um foco árduo maior do que o eu esperava. Se não vem pelo amor vem pela dor, aprendi sei lá quando.

Eu me jogo e isso tem dado certo, mas o que quero dizer aqui é sobre viver em estado permanente fora da zona de conforto. Conforto não há. Quando achei que estava no controle de algo, tudo mudou, e então tá, vou seguir assim sem medo do futuro e com a plena ciência de que nada podemos controlar.

Já joguei pro universo meus anceios, planos tenho rascunhado à lápis pra poder apagar sem problemas quando o jogo virar novamente.

vira virou!
eu também virei.

ninguém segura um peixe que já aprendeu a nadar sozinho.







domingo, 14 de junho de 2020

Dias de Canja

Eram dias difíceis na casa da Quitanduba!

Tempos de grana curta e desemprego. A matriarca que até então estava trabalhando, perdeu o emprego, e o pai, que já fazia uns bicos, teve que se virar pra continuar sustentando uma família com quatro filhos e duas agregadas que lá praticamente moravam (e francamente, a gente nem se tocava, não é mesmo????).

Numa das sextas-feiras, fazia frio, aquele frio do inverno úmido de SP, todos reunidos em casa, eis que Rose abre o armário: "Quase não tem mais comida nessa casa! Quer saber? Vou fazer uma canja!
Uma simples canja que fora preparada num caldeirão que era pra fazer render. Sentamos à mesa, tomamos a sopa e eu podia perceber a ansiedade e a angústia que aflingia aquela mãe, mas que mesmo em meio à tantas adversidades nunca deixou de ter esperança em dias melhores.

O dia da canja me marcou porque naquele dia aprendi que as dificuldades vão vir, mas dias bons também não tardam em chegar! Nesse período também teve o episódio de ganharmos várias pizzas do gerente da pizzaria que ficava bem em frente a casa! O velho era meio esquisito, mas se encantou com a Bia e dizia que eram pra ela...  então tá, né?

Hoje, adulta e dona de todos os meus problemas e meus planos, quando me pego tendendo ao pessimismo, volto ao dia da canja e me encho de  otimismo novamente.

Era só uma canja, mas veio temperada com significados valiosos.

Os Quindins de Rose Helena



mil significados

Era uma caixa branca, tamanho médio, e chegavam geralmente às sextas-feiras, no final da tarde, inaugurando mais um final de semana. Dentro, a imagem da felicidade absoluta: Quindins frescos, amarelinhos, brilhantes, de dar água na boca.

Rose chegava animada, guardava a caixa na geladeira e ia perguntando como tinha sido nosso dia.
Eu estava ou muito feliz ou pra morrer, já que o coração de um adolescente bate somente nesses dois compassos. Depois a gente ia decidindo qual seria o plano daquela sexta à noite: pizza ou esfiha em casa ou cerveja na churrascaria com música ao vivo, tudo no nosso amado Butantã. Foi nessa época, eu com meus 16 anos, que fui descobrindo a importância da cooperação, da acolhida, a importância da família.

Em dias de festa de aniversário, os quindins também apareciam, mas ficavam pro pós festa.
As reuniões eram animadas e a zueira começava sempre na hora de arrumar a casa, quando Rose erguia todos os móveis pro alto e colocava Nova Brasil FM pra tocar alto! Certamente meu lado MPB hippie foi consolidado naquela casa. Não tinha uma Gal ou um Raul que passassem batidos! Sem falar nas festas em que surgia o Karaokê e aí a zorra estava formada.

No final, quando todos os convidados haviam ido embora, era a hora de tomarmos uma cerveja só entre nós cansados, bêbados, mas muito felizes.
Quantos aniversários passamos ali?
Quantos banhos, quantos afters, quantos sonhos e desiluções vivenciei naquela casa?

Tão sutil e profundo, o partilhar de um simples quindim: um milhão de significados.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Haverá festa


Lugar preferido no bairro preferido na cidade preferida 

O Google Fotos me lembra que há quatro anos estava eu em Peterborough, desvendando a grande Marília inglesa, ainda perdida e muito encantada. Com o dedo avanço a linha do tempo virtual e chego em 2015: nesse mesmo quatro de junho, há cinco anos, feriado de Corpus Christ no Brasil e eu feliz da vida em Santa Teresa, Rio de Janeiro. A foto me leva de volta pro Mambembe, meu hostel fiel e querido, que me deu sobretudo a oportunidade de conhecer Yuri e as meninas de Liverpool
(Rio e UK essa encruzilhada da vida).

A saudade do Rio é infinita, e sabe-se lá quando é que novamente tomarei minha cachacinha na Lapa. Pra aplacar essa ausência, além das fotos e do contato com os meus maravilhosos cariocas sigo os passos virtuais de Luiz Antonio Simas por quem estou perdidamente apaixonada.

Simas é professor, historiador e escritor e eu só o descobri agora! Parte de O Corpo Encantado nas Ruas surgiu num tweet e eu fiquei agarrada naquele tipo de leitura que há muito não encontrava. Puxando uma coisa ali e outra acolá, eis que levo um susto: Ele já foi jurado do Prêmio Estandarte de Ouro, a maior premiação do Carnaval carioca. Ahhhh meu pai!

Basta o título desses livros pra me deixar ainda mais maluca da cabeça: Almanaque brasilidades: um inventário do Brasil popularSamba de Enredo: História e ArtePra tudo Começar na Quinta-Feira. Já revirei a internet pra tentar baixar algum deles, mas não rolou, então sou obrigada em correr numa livraria mais próxima assim que eu pisar no Brasil.

E esse tipo de pessoa me enche de orgulho de ser brasileira, é desse tipo de pessoa que eu quero estar perto, é dessa bolha pensante que eu quero cada vez mais fazer parte, sacoé? Mais uma vez a vida esfrega na minha cara pra que caminho eu preciso ir. Teresa Cristina, Marcelo Freixo, Tarcísio Motta, Roberta Carvalho, Beth Carvalho, Cartola, Nelson Sargento, Manacéia, Casquinha, Aldir Blanc, Marielle Franco.  A lista é imensa, pesada mermo, lindona.

O Rio há de voltar, O Brasil há de ressurgir das cinzas, é uma tristeza sem fim essa lama toda, mas quando encontro um Simas pelo caminho minha esperança se renova. Tem muita gente do bem fazendo acontecer, e como ele mesmo diz: A gente faz festa não porque a vida é fácil, é justamente o contrário. Haverá festa!

Não há nada como o Samba
Não há NADA como o Carnaval





segunda-feira, 11 de maio de 2020

Babá Alternativa Online

                                             (Saiu o sol, bora pro jardim!)


Pouco antes de Dublin entrar em quarentena eu havia chegado das férias no Brasil. Precisamente uma semana e meia depois. Cheguei com muitos planos e estava pronta pra começar a trabalhar com novas crianças. Havia me livrado de uma adolescente muito chata e agora seria um casal, configuração que até então eu não tinha encontrado por aqui. Já na entrevista a gente se deu super bem.

Jack, pisciano, torcedor do Liverpool, fã de Super Nintendo (preciso dizer mais?), e Ava, sonhadora, leitora assídua a louca do Harry Potter e Star Wars. Pirei! Curtimos muito pouco antes da pandemia começar e quando a vida foi mudando, nós também mudamos aos poucos. No começo brincávamos com uma certa distância e os abraços, tranças e lutinhas ficaram de lado. Depois eu só podia levá-los ao parque e nem na casa entrava mais, tudo por uma questão de precaução até porque Jack sofre de asma e o perigo era muito maior.

O confimanento então foi decretado. Vale dizer que os pais deles são muito legais e sempre foram cuidadosos comigo. Conversei com a mãe no começo de tudo, a situação toda foi bem estranha no mas como não tinha alternativa fomos nos adaptando. Muitas babás perderam os empregos, e eu também fiquei com receio de ficar desempregada. 

Conversamos mais vezes e combinamos que eu faria atividades via internet 3x por semana por duas horas. Entreter uma criança ao vivo ja é uma dureza, imagine entreter à distância! 
Botei as ideias no papel, sai pesquisando coisa, pergutando pros amigos, rascunhei algumas atividades, mas com a experiência que eu já tinha, sabia que na hora H muita coisa ia mudar. A minha sorte é que esses dois são realmente especiais e mesmo nos momentos de pouca energia, mesmice ou tédio a gente sempre conseguiu dar um jeito de arrancar umas risadas.

Eu os ensinei a jogar "Stop", fizemos atividade com colagem de flores e plantas, jogo da memória com objetos da sala e até histórinha da segunda guerra mundial rolou (excêntricos, não?) 
Eles nem sabem, mas me ajudam tanto, me revigoram e essa troca é tão boa que eu nem sei. 

Mesmo com a grana estando curta, com toda a bad que essa situação traz, mesmo assim e sem querer romantizar a pandemia, a vida vai se ajeitando e eu tenho muito orgulho desse trabalho que tenho desenvolvido. 

Agora uma fofoquinha besta: Preparar as atividades, pesquisar, inventar brincadeiras, ensinar palavras em português e curiosidades do Brasil é muito prazeroso!! 

É o projeto professora versão beta em ação!

                        (Leitura em nova perspectiva: debaixo da cadeira)
                                  



  


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Vai começar

A palhaçada de sonhar que estou no Rio.
Ai meu subinconsciente, me ajuda aí, tamo no meio dessa loucura toda ainda.
Mas é bom pq pelo menos eu mato a saudade de lá.

Agora, sonhar com o ônibus 416 que deságua em Sães Penha, quase Tijuca, pelo amor, o que que tem a ver? Como se em sonho algo tivesse que fazer sentido....

Ir só pro Carnaval é bom, mas não dá pra aproveitar muito.
Quase que não coloco o pé na água.

Mas e o Biquínis de Ogodô em Santa?
essa foi foda.
tão foda que virou cicatriz, né Nathália?

ah sei lá, Mangueira.








segunda-feira, 13 de abril de 2020

Sobre um dia (muito) especial

                                                De corpo, alma e coração!

Lembro de acordar e pensar: Meu Deus, finalmente esse dia chegou!
Acordei de ressaca na cama de um hotel no centro de SP, entre dengue e reformas, a vida uma zorra total, mas era dia de Rita e eu mal podia esperar...

Como sempre fui a primeira a ficar pronta: meia arrastão, maiô vermelho, a cara lotada de purpurina, puta merda, é sério que chegou? Eu não tarra acreditando que depois de dois voôs, uma escala, um inverno infernal, uma saudade dilacerante e uma ansiedade que me tirava o ar, eis que sim Nathália, era o dia do Bloco da Ritaleena.  haja! Anapaula, Wesli e eu partimos rumo a Pinheiros num sábado ensolarado de pré-Carnaval.

Sinceramente?
Eu amo a Rita Lee pra caralho e já pulo esse bloco há mais de 5 anos! Foram muitas configurações diferentes eu sozinha, eu com a galera, Mayra grávida ectc e toda vez que alguém surge com ideia de ir sei lá pra qual bloco novo eu bato o pé e reitero: Ritaleena é tradição. Lembro de ter mandado mensagem pra um milhão de pessoas "nos vemos lá, tô sempre na frente do bloco na corda, não tem erro".

A música de abertura foi nada mais nada menos do que Jardins da Babilônia, canção essa que cantei loucamente muito antes do dia do bloco. Porra, logo no abre? Marejei.
Só eu sabia todo o extenso caminho que tinha percorrido pra tá ali e ai ativei meu modo "então vai"
e sai pulando de corpo, alma e coração com uma sede de Carnaval que só quem ama muito e entende o que eu tô dizendo é capaz de sentir. Que emoção!

Nicolle e Samanta chegaram, ai meu coração.
Vem, vamos tirar mais uma selfie!


Sem stress, sem aperto, um público bem lindo, é bom manjar dos blocos pq você não passa raiva.
E era um tal de catuaba, cerveja, Skol Beats, água, e vai que vai! Quando do nada me surge Mayra!
Dai não deu, ai eu chorei mesmo porque tudo tem limite. Que delícia de abraço, que saudade amiga.
Cadê o Martín?

                                       No exato momento em que nos abraçamos 



Sai correndo atrás dele, aproveitei pra matar a saudade do Tuca e ficar dançando lá na frente pra pegar uma sombrinha tbm.

                                                   11 Carnavais e agora um novo integrante!


         Desculpe o Auê, eu não queria magoar vocêêê!

Acho que eu já tava naquele estágio de falar que eu amava o Carnaval que isso que aquilo e já tinha chorado e me recuperado dando por fim toda a emoção, nesse momento já tinha caído minha ficha e eu ia me recuperando até que Ju Salgado aparece. Ahhhhhhhh!!!
Minha amiga linda, foi me buscar no aeroporto e nem acreditei que ela foi mesmo! Gente, eu mereço tudo isso, né! Que sortuda da porra.

       Por isso não provoque, é cor de Rosa Choooqueee

A Henrique Schaumann se aproximava, sinal de que o bloco ia chegando ao fim.
Eu já bem pra lá de Bagdá queria me envolver com uma turma que ia pra Pompéia (ahahhaha inimigos do fim as always), mas minhas amigas conscientes não deixaram. Entrei num Uber e voltei pra República sã e salva.

Dormi.

Quando Anapaula e Wesli voltaram eis que eu ressurjo das cinzas cantando "Milagres do Povo" num looping sem fim.

                                                         Quem é ateeeeeeeu!

A noite acabou com uma macarronada de panela de pressão deliciosa, cremosa e bem quentinha que era pra matar a ressaca porque no dia seguinte tinha Confraria do Pasmado (valei-me!)

Eu sou muito grata pelos meus amigos, muito mesmo!
E fico muito orgulhosa de ter conseguido pular esse bloco do jeitinho que eu queria.

Sem dúvida, um dos dias mais legais de 2020.




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*estou aproveitando a quarentena pra por em dia vários textos. 






















Vá em paz, Moreira

Acabou chorare
Tin gon tin gon gon gon guin
Acabou chorare, ficou tudo lindo
De manhã cedinho
Tudo cá cá cá, na fé fé fé
No bu bu li li, no bu bu li lindo
No bu bu bolindo
No bu bu bolindo
No bu bu bolindo
Talvez pelo buraquinho
Invadiu-me a casa, me acordou na cama
Tomou o meu coração e sentou na minha mão
Talvez pelo buraquinho
Invadiu-me a casa, me acordou na cama
Tomou o meu coração e sentou na minha mão
Abelha, abelhinha
Acabou chorare, faz zunzum pra eu ver
Faz zunzum pra mim
Abelho, abelhinho escondido faz bonito
Faz zunzum e mel
Faz zum zum e mel
Faz zum zum e mel
Inda de lambuja tem o carneirinho, presente na boca
Acordando toda gente, tão suave mé, que suavemente
Inda de lambuja tem o carneirinho, presente na boca
Acordando toda gente, tão suave mé, que suavemente
Abelha, carneirinho
Acabou chorare no meio do mundo
Respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio
Vi o sapo na lagoa, entre nessa que é boa
Fiz zunzum e pronto
Fiz zum zum e pronto
Fiz zum zum e pronto
Fiz zum zum

terça-feira, 10 de março de 2020

Eis o Melhor

Cheguei no Rio na sexta de Carnaval logo de manhã. Nublava mas o meu mormaço conhecido dava às caras pra me receber. Em Botafogo fui olhando a paisagem feliz da vida em ter voltado, em estar lá, e eu mal poderia imaginar o que me reservava à Festa de Momo. Eu, Vitor, Dissu e Naldo nos conhecemos há tempos lá de SP. Já pulamos Carnaval juntos, pegamos sambas e forrós por aí. O apê era uma graça, perto do Cristo, bem localizado pra caralho pra quem manja do Carnaval do Rio de Janeiro.

A primeira noite foi não só o abre alas, foi pra cortar a fita de quem havia vindo de muito longe. Fechamos o bar.

O Amigos da Onça ficou pra próxima. Mas teve Biquínis de Agodô, em Santa Teresa, teve Vem Cá Minha Flor, presente de aniversário, teve Tupífe pra fechar a minha noite e teve tantos outros blocos que nem sei. No Boitolo, uma multidão gritava fora Bozo em uníssono, bradando os pulmões de quem não aguenta mais essa palhaçada! A loucura subiu e eu pulei de corpo e alma.

Éramos em 13 pessoas no mesmo apartamento. O dia começava às 06h30, cada dia uma fantasia e muuuuiiitas purpurinas, nosso som Piranha rolando perfeitamente em todos os esquentas, Naldo surgia com pão, café e frios pra todo mundo, Daniel sempre emburrado pq não gostava de acordar cedo, Dissu e Camila na make up e quando finalmente Vitinho acordava, eu ia lá bater a programação dos blocos dos dias, além das rotas e caminhos. Pra mim essa é a melhor parte: organizar o bonde, analisar o concentra e sai, planejar o tempo, a logística e tudo mais. Tenho orgulho de manjar do Carnaval do Rio.

Foram dias de glórias ao extremo!
A galera na mesma vibe, a zoeira perfeita, integrados, família mermo.

Eu estava tão, TÃO feliz, que nem nos meus melhores sonhos eu poderia imaginar o quão sensacional seria esse Carnval.

É claro que eu ralei um joelho, uma canela e fiquei colecionando hematomas pelo corpo, mas se não for pra ir no corpo de baile, na corda humana e no meio do furdunço, eu nem quero! A minha sede de Carnaval era muito grande e intensa e foi pra dar cabo dela que eu me joguei.

Tenho vários flashs especiais na minha memória.

Que lindo, que lindo!

O Carnaval é meu farol, sempre como um guia como quem puxa ainda que com tantas mazelas e dificuldades. Pra mim é a melhor festa e eu sempre vou fazer do próximo o melhor.

Na carne

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

É namoro

Dublin é aquele namorado capriciorniano frio e calculista que nunca faz uma demonstração de carinho em público, mas quando pega na sua mão, você para e pensa: "Eita!"
Depois de quase noivar com a Inglaterra e o tempo do meu rolo com o Rio, eu cheguei em Dublin com a faca entre os dentes e o coração embrulhado em aço: aqui não, violão!

Sabe quando você tá ficando com alguém e acha que aquilo ali não tem nada a ver, que jajá esse lance acaba, você põe mais reparo nos defeitos do que nas qualidades e age sempre no modo defensivo? Então, foi desse jeitinho.

Dai a Dublinia foi chegando assim, mostrando que tem cadência, que é feita da resistência, que vai usar Gaélico quer queira quer não, e apesar de nem tão imponente ou malandra, ela é bem delicinha e singular, fria só nas ruas, que de pub ela entende bem. Dublin me apresentou minha versão mais cervejeira, me deu um beijo recheado pelo sotaque Irish, me mostrou o tamanho da minha coragem,
e eu fui me entregando ainda que em negação.

Nesse relacionamento fui eu quem enrolei pra assumir, demorei pra querer postar e esbanjar esse amor pro mundo inteiro ver, mas agora tá consumado, tô entregue, tô na tua e tu sabe que não sou de meias palavras ou meios sentimentos. Eu me jogo pro fundo, eu vou sem medo, cada dia uma sensação diferente, ganhando a cidade, conhecendo novos espaços, compondo a minha versão em Dublin. The Liberties, Stillorgan, Firhouse. De cabo a rabo, lendo notícias e pesquisando seus antepassados.

Eu não sei se a gente vai casar, se é aqui que terei os meus filhos ou farei a minha segunda graduação, a única certeza é que cheguei sem saber nada de você e agora eu quero te conhecer ainda mais!
Início de namoro, mais do que o fogo ardente por uma noite de sexo, é a fase principal pra você sentir se aquilo tem futuro. A gente tá se curtindo muito, né não, Dublinia? 

Outuno em Knocklyon

O melhor sono da minha vida teve um up date: Knocklyon, Dublin. No quarto mais bonito e aconchegante que já tive (mais do que o da Vila Sônia), aqui tenho tido minha melhores noites.
Após seis meses de muitas agruras que somam-se por roncos, insônias, áudios de barulho de chuva, incontáveis interrupções e vontade de chorar, eis-me aqui, digitando esse texto do alto da minha cama single, ao lado de meus dois criados-mudo, meu abajur meia luz, meus livros, minha vela aromatizada e todo o resto do espaço que compõe-se meu! Meu quarto, caralho! 

Aqui ninguém entra, aqui é meu aconchego, meu reduto, o espaço onde traço meus caminhos, invento meus planos, planejo meu Carnaval, estudo adentro meu novo idioma, é aqui eu tenho a paz e onde recarrego minhas energias, onde escuto e calo os meus medos, onde tenho sonhos mirabolantes e verdadeiros, é aqui onde acordo e sigo na batalha como imigrante nesse país tão frio. A Irlanda é fria, mas o meu quarto é quente. 

Pra chegar até aqui eu tive que abrir mão do meu comodismo de morar no Centro.
Agora enfrento trânsito, adolescente chata, tenho responsabilidades que na verdade nem são minhas, preciso me acostumar com uma nova vizinhança. Mas quando é o fim do dia e eu entro aqui, sinto que tomei a decisão certa, ainda que seja só por uma temporada. Eu tenho descansado tanto, deito às 22h30 e acordo só no outro dia, delícia dos Deuses. 

O quarto fica no sótão da casa, bem daqueles que vemos nos filmes. Tem três janelinhas e em uma delas posso ver a claridade do dia quando amanhece, e é dela que escuto os pingos da chuva que embalam o meu sono. 

O Outono já é a estação mais bonita pra mim. A luz é clara e o sol não esquenta tanto. Venta demaaaais na Ilha Esmeralda e jajá as folhas começam a cair. Dai o povo começa a falar que lá vem o inverno e lalala como se fosse o apocalipse, e quando ele chegar eu estarei quentinha e aconchegada no meu quarto. 

É tanto aprendizado, tanta descoberta, me vejo ainda mais corajosa, cheguei aqui sozinha, ultrapassei a barreira dos seis meses, conheci gente, me esforcei MUITO pra aprender a falar o inglês nativo, e quanto mais o tempo avança, mais eu me conheço e sinto um orgulho imenso de tudo isso. Quem escreve agora é a nova Nathália, a versão nascida em Dublin. É maravilhoso escutar dos Irlandeses que o meu inglês é bom. Olhar pra trás e relembrar tudo o que eu passei pra chegar até aqui, foi foda, é foda e vai ser foda pra sempre.

Aaaahhhh o delicioso gosto de lacrar a realização de um sonho.






sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Mais uma página sobre saudade

Eu me pergunto onde estão os comunicadores, os humanoides, os cirandeiros e Lula Livre dessa Dublinia. Onde se escondem esses que poderiam ser meus amigos e são capazes de terem uma conversa útil, inteligente, que consigam falar sobre a vida e a experiência aqui fora de uma maneira não tão superficial.
Os que escutam Caetano, Gil, Baby, Marisa Monte e Luiz Gonzaga. A parte mais difícil do intercâmbio é a falta que me faz trocar ideia com gente inteligente e interessante, com gente que possa me acrescentar algo que seja mais do que a nova letra de funk ou a nova substância da moda, que vá além dos países que visitou e consiga falar sobre a vida, sobre a bosta que esse governo tá fazendo com o brasil, que tenha experiência pra trocar. Que falta me faz minhas amigas que não estão só preocupadas com a pegada do cara ou se le respondeu ou não. Às vezes tudo o que a gente precisa é sentar pra tomar uma cerveja e conversar, mas pra conversar a pessoa tem que ser o mínimo inteligente, antenada e ter algum conteúdo. 

Fui muito mal acostumada por estar rodeada de jornalistas no Brasil. Sempre cheios de tiradas inteligentes, de notícias, de assuntos e vivências. 

Aqui em Dublin ainda não me conectei com esses, mas a busca nunca acaba. 

Quando você percebe isso, quando essa janela se abre, a parada fica muito mais complicada. Idai que o cara é bonito? 
Só bonito não interessa, tem que acrescentar e ser interessante, mesmo os Irishs, os Italians, todos.

Daí me lembro de Yuri, meu amigo inteligente e rico de alma que sinto uma falta tão grande. 


Lá se vai mais uma página sobre saudade.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Sol em Leão

O primeiro me disse uma das coisas mais bonitas que já ouvi na vida, ainda na adolescência, quando estamos descobrindo e provando os tipos de relações, ele me disse que o domingo demorava muito pra passar e ele não parava de pensar em mim. Foi um namoro de verão, intenso como todo amor-Leão é, desse amor surgiu Belinha, que guardo até hoje. Foi então que descobri a potência da dupla peixe-leão. 

O segundo, o mais arrebatador amor da vida inteira, que literalmente te tira o ar, que te nutre tanto que é impossível trabalhar, sabe aquele amor suspiro? Foi esse. O leão guerra, quase a terceira guerra mundial, intensidade em 200%, na carne da exaustão, o segundo Leão me deu um filho. Morri e ressuscitei muitas vezes e levo esse comigo pra vida. De ex amor a melhor amigo na fidelidade de um felino. 

O terceiro leão tinha olhos incrivelmente azuis, a juba loira e o corpo esbelto, um belo de um leão. Desse guardo belas memórias eleitorais e momentos marcantes de quando um cara quer te conquistar. E conquista. Chico Buarque de cabo a rabo e uma inteligencia muito bonita. O fogo e a gasolina, essa era a levada. Dessa história levo a certeza da clareza do que quero pra mim.

O cantor e compositor que governa o meu coração é o mais leonino de todos. Eu não me canso e não enjoo de suas letras. 

Sol em Leão né brincadeira.
É porradaria e deleite.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Sozinha em London


Estou sentada tomando um café e sentindo a brisa de mais uma manhã ensolarada em Dublin enquanto escrevo esse texto e sinto os últimos espasmos de London vibrando em mim. Foi tudo muito intenso, como sempre.

Passei o último final de semana na cidade que mais amo esse mundo. Assim como no Rio, a conexão que tenho com essa cidade é sem explicação. Estar lá sozinha foi um presente que há muito havia ensaiado.

Londres te suga, te põe no meio da zona, na potência e na força, ali não é brincadeira e até para um simples passeio há que estar muito atento. Só que eu sou natural de São Paulo, ta ligado? Só vamos, Londres.

Andar sozinha, conhecer um bairro novo, revisitar os lugares, curtir o show do Baiana System e voltar debaixo de chuva na madrugada pegando um ônibus X e fazendo amizade com sei lá quem. Era só o começo.

O metrô, sempre um espetáculo a parte, esse foi fácil e agora manjo mais ainda das baldeaçõoes e conexões. Impossível não imaginar que SP tinha tudo pra ser tão poderosa e viável quanto.

Em muitos momentos a minha ansiedade quase atrapalhou, parecia e muito com a sensação de quando o Tarado Ni Você vai sair. Só quem espera 365 dias por esse momento vai entender. E eu respirava fundo e tirava foto, e olhava ao redor mais uma vez imaginando como deve ser morar ali. E sem a magia do encantamento, com foco na realidade, eu pude ver tantas faces tristes, cansadas e sozinhas, porque a verdade da cidade grande nem sempre é glamourosa.

London, London. De infinitos cafés, atraentes Pubs, do poder à pobreza, do trânsito travado e de tantos clichês, acho que agora posso descansar de você. Você que sempre terá um lugar especial aqui nesse blog e em mim.

Quando entrei em Dublin novamente senti um gosto curioso de casa. Eu já amo Dublin e agora posseo me entregar.

See you soon, my dear!



segunda-feira, 29 de abril de 2019

Sempre soube

Que eu voltaria pra cá, que eu conseguiria trabalhar com o que eu gosto, que eu iria me adaptar tão bem que mesmo que surgissem dificuldades pela frente eu saberia vencê-las.

Nada, nada, NADA tirou meu foco pra dar continuidade no meu sonho. Quando Andreza me indagou sobre o que faria minha vida voltar a ter sentido eu fiquei quase uma semana pensando e pensando e pensando quando estava muito claro o que eu tinha que fazer.

São 03 crianças todinhas minhas para eu brincar, ensinar, fazer lição e preparar o jantar. A responsa é grande, mas nada mais prazeroso do que voltar com o Babá Alternativa com força total e agora em seu terceiro país. Quando eu mostro o perfil do Instagram as mães ficam emocionadas e felizes e eu fico ainda mais grata por ter criado esse negócio que deu tão certo. O objetivo nunca foi ganhar rios de dinheiro, a ideia sempre foi ganhar aprendizado e trabalhar de um jeito especial e diferente.

A Little Miracles vai pulsando novamente e por entre casas, jardins, quartos e parques, o trabalho vai se desenvolvendo de maneira natural e singular. A properly Irish family with me.

Vem verããããão!


Ps: Que grande cala boca pra quem desacreditou desse trabalho, ai ai, amo calar boca de gente idiota!

sábado, 20 de abril de 2019

Fodeu

Tô tão encantada que até perdi o sono.