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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Primeiros dias

A cozinha do apartamentinho tem exatamente o mesmo cheiro que o salão da Little Miracles. Quando entrei pela primeira vez fui automaticamente remetida para setembro de 2016, me veio um frio na barriga e então tive certeza: eu realmente estou aqui! 

Depois de um voo longo, uma conexão gigantesca, (foram 10 horas em Amsterdam), quando finalmente achei que ia entrar na Irlanda, eis que somos avisados sobre um problema técnico no painel do avião.

Ai meu deus, eu quero tomar banho, eu tô de regata por baixo, um casacão por cima e sem meia calça. Chovia a garoinha fina típica da Europa e eu pensei: o frio daqui é o frio daqui, ele não deixa nenhuma dúvida de que nunca está pra brincadeira.

"Vocês terão que trocar de avião"
Ai meu caraaaalho, não tenho sossego.

Quando finalmente o avião decolou foi tudo muito rápido, chegada, imigração, transfer.

Tomei banho e finalmente dormi, já lesada de tanto cansaço. O cansaço foi tanto que nem rolou a emoção da chegada.


Quando acordei vi o sol lá fora e a janela embaçada do frio: cheguei, porra!


Eu já amo esse lugar. Dublin é muito parecida com a Inglaterra. A mão inglesa, os lixos, as pessoas, os ônibus. Estou feliz de dar nojo, eu me sinto pertencente, é algo muito estranho e só acontece no Rio.

A cara do meu pai quando me viu na chamada de vídeo me deu vontade de chorar de alegria.
Foi muita economia, muito suor, muito sapo engolido, foi foda pra caralho mas deu certo.


Hoje é com ressaca que escrevo esse texto.
Prepara Dublin: Brasilis chegou!










terça-feira, 18 de dezembro de 2018

última sessão

Ontem foi a última sessão de terapia desse ano. É sempre meio emocionante fazer um balanço do ano diante de uma profissional que tem uma escuta saudável e atenta pra poder ponderar os devaneios que eu vou lançando ao vento. Esse ano foi pesadíssimo, mas consegui colher bons frutos.

Desde o autoconhecimento, passando pela família, meus amigos, tanta gente especial que conheci esse ano, meu trabalho por quem espantosamente me sinto motivada, capaz, acolhida e feliz.

Finalmente um final de ano em paz e com a vida nos eixos novamente!

Nada, nada, nada pode ser melhor do que isso, e fica ainda mais evidente lembrar que a gente precisa nos afastar de todas as pessoas tóxicas, mas todas mesmo, sem um pingo de dó.














Pode chegar 2019: esperei tanto por você que nem sei. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Haja coração

Se tudo der certo em breve estarei respirando o mesmo ar que Dr. Drauzio Varella num evento para médicos.

O coração da jornalista tá como?



é o lacre!

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

mezzo porco mezzo galina

Do alto do 19° andar do escritório, quase fim de mais um dia de trabalho, consigo ouvir nesse momento a torcedora do Palmeiras vibrando forte. O bandeirão verde está estendido. Torcida que canta e viiiiibraaaa, Palmeiras, Palmeiras! 
Confesso que dá uma emoção sim, afinal, meu coração também é verde e se o Assis já me aceitou, quem é você pra me julgar?

Tá um frio lascado, a porcada mandando ver na batucada!
Futebol é uma coisa louca, né?

Impossível não lembrar do meu tio Ari e de um ex que era palmeirense verde. beuteus.

Fui consultar a notícia com o Assis e ele mandou o pacote completo: É o segundo jogo pela Copa do Brasil contra o Bahia. obviamente que mandou um "Salve o Corinthians", porque não é obrigado.


Não consigo mais me concentrar em porra nenhuma, quero assistir o jogo de camarote.


Morri.






segunda-feira, 22 de maio de 2017

Que bom seria

ai que bom seria um empreguinho, ei Nathália, vem aqui escrever, produzir os conteúdos, fazer reportagens, entrevistar o povo, ir aqui e acolá, apurar e dar voz às histórias, o que será que esse povo tem pra dizer? sem preguiça, na chuva ou no sol, mas real oficial, aquele jornalismo bonitão que você aprendeu lá pelos idos da Metodista.
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ei Nathália, vem aqui e desenvolve esse roteiro pra gente rodar o vídeo, vamos fazer a produção dos vídeos e dos programas, depois vocês decupa e ajuda a editar. mas tem que achar os personagens, pensar na pauta, agendar o rolê todo, ver se o cinegra tem disponibilidade, juntar com a agenda das fontes, ajustar o áudio e pá.

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ei Nathália, vem aqui e produz as redes sociais do projeto tal, com tantos posts por dia, mas não esquece de subir o vídeo no youtube, as fotos no insta, facebook, o conteúdo do blog e os textos pro site. corrige aqui rapirinho esse conteúdo, vê se tá com o lead certinho, se tem coerência, se tá passando a passagem.
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e ainda ser paga pra isso! e ainda ganhar vr + vt + convênio + férias + clt (enquanto ela ainda existe).

e no decorrer desse texto vejo como mudou o rumo dessa linda profissão que eu tanto gostei.
mas veja só: ninguém lê, ninguém tem mais tempo, ninguém compra jornal ou revista, tem muita gente por aí, tem um povo jovem vindo aí, e eu com 30 anos e uma experiência me sentindo velha e ultrapassada (?) pra um mercado que já nem existe mais.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Rolo do Japão


Sempre adorei a cultura japonesa. Kimonos, chinelinhos, gatos, ideogramas, chás, olhos puxados, cabelos lisos, batchans, nisseis e sanseis. Sobrenomes que misturam H K W.
Saionara, né? Religião budista, valores diferentes, língua estranha. Que beleza passear pelas ruas apertadinhas da Liberdade e sentir que por um momento estou mais perto do oriente. Aqueles postes vermelhos, lojinhas abarrotadas de coisas.

Para um mero turista e fã do oriente isto é sem dúvida uma beleza. Até que um dia as coisas mudam. Empresa na rua Tamandaré. Pelas ruas circulam muitos japinhas e há o cheiro insurportável de peixe no ar. Repórter de rua que precisa arrancar as melhores aspas desse povo milenar. Quanta diferença. Se antes achava uma maravilha a idéia de entrevistá-los, hoje não penso assim. São receosos, lacônicos e te intimidam com o olhar e um sorriso amarelo.

Deu o maior rolo quando uma professora que ensina a tradicional cerimônia do chá entendeu errado o propósito da matéria. Eu iria apenas colher dados e fazer uma entrevista com papel caneta e gravador. Após isso, em um outro dia, gravariamos o vídeo para colocar no site. A campeã entendeu que a gravação seria feita por mim. Chego lá e dou de cara com cinco senhorinhas vestidas de Kimono, meias e chinelos quadrados, andando aqueles passinhos lindos. "Hoje não é agravação!", disse tentando esclarecer. "Como não, mocinha? Tá todo mundo pronto, isso aqui pesa um kilo", respondeu com um voz doce e brava.

Japoneses são muito pontuais. Desmarcar algo em cima da hora ou deixá-los esperando é como um "vai tomar no cú!"na lata. Simplismente não sabia o que fazer. Tentei um jeito de filmar e não disperdiçar todo o trabalho gasto com o engano. Foi envão. Tomei nem sei quantas broncas, todas com um tom de voz digno de Laidys. O sotaque meio cá meio lá dava uma vontade de rir, mas como não sou boba não arisquei abrir a boca.

Não houve gravação, mas depois de muito trabalho consegui arrancar uma entrevista das batchans. Foi ótimo. Elas soltaram tudo o que queria ouvir, riram e até aprenderam meu nome. Nathália, né? Agora olho pra eles de maneira diferente. Japoneses são bem bravos e só baixam a guarda quando percebem enfim com quem estão lidando.

Saionara!



segunda-feira, 21 de julho de 2008

Primeira vez...


Primeira vez que escrevo sobre cinema! Afirmo que é bem difícil viu, Sidão?

Gostei do texto por isso decidi colocá-lo aqui! Lá vai...



Nome Próprio traz o universo feminino dos blog ao cinema

Camila é intensa, complexa e vivaz. Rodeada de palavras, ela se mune com uma arma diferente e contemporânea, a internet. O filme Nome Próprio é baseado nos livros “Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, de Clarah Averbuck. O longa conta a história de uma jovem aspirante a escritora que sai de Brasília e tenta o sucesso em São Paulo. Dirigo por Murillo Salles, o filme humaniza bastante a protagonista. É fácil viajar pelo mundo de Camila.

Apesar de não ter muita ação, o filme é denso e cheio de interrogações. Leandra Leal consegue transmitir os conflitos internos que Camila vive. Isso porque a protagonista é movida por emoções. Ela namora um cara, trai, chora, fica com outro, trai novamente, se apaixona e é em seu blog que ela despeja e tenta de alguma maneira aliviar seus sentimentos. Cenário bem conhecido por jovens que não vivem sem internet.

A vontade é escrever o livro, por isso, ela busca sempre viver intensamente. Porém, não consegue se concentrar e escrevê-lo. Frases como “me abandonei em você”, “tudo se dissolve” e “o silêncio mata” são algumas citadas por ela. O blog é praticamente um personagem à parte, e a internet, o ar de Camila. O som do teclado, narrações de frases no ar e o barulhinho da internet ao se conectar também deixam Nome Próprio com um estilo diferente.

Blogs, orkut e páginas da web passaram a ser um novo tipo de mídia, formatos que permitem uma liberdade muito grande e autoral. Ao mesmo tempo em que isso traz facilidade e mobilidade, também deixa dúvidas quanto ao que se pode confiar. A brasiliense troca emails com um fã de seu blog. E é aí que Camila quase quebra a cara.

Daniel se dá bem com as palavras, mas um dia ele some. Sem mais nem menos decide encontrar Camila e, quando a escritora acredita que finalmente encontrou o amor, se vê abandonada. Era disso que ela precisava. Sem chão, começa a alinhar todas as frases, textos e perturbações. O filme peca por alguns excessos, como a overdose de bebidas, que torna Nome Próprio um pouco repetitivo e cansativo. Ainda assim, nos envolve e muda o sentido que as palavras têm.

Nome Próprio

Em São Paulo, o filme está em cartaz no Espaço Unibanco - Rua Augusta (14h, 16h30, 19h e 21h30) e no Arteplex Unibanco - Shopping Frei Caneca (14h, 16h30, 19h e 21h30)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Histórinhas de Isabel


Seu Obata (anos 70) e Dona Isabel (gente finíssima!)


Prédio, carros, pessoas, trânsito. Essa é a paisagem que quem passa pela avenida Paulista vê todos os dias. Mas como deixar de citar as simpáticas bancas de jornal? São várias e estão sempre ali seja para comprar um chiclete, cigarro, refrigerante ou sua revista favorita. "Fiz muitos amigos por lá, hoje sinto saudades", é o que diz Isabel Obata, 83 anos, que esteve durante 34 anos à frente da primeira banca da avenida. Foi ali, no cruzamento da Brigadeiro com a Paulista, que o negócio surgiu na década de 20. Seu sogro chegou da Itália em 1917 e começou a trabalhar com primeiro emprego que apareceu.


"A banca começou como um caixote e parecia uma cabana de índio", recorda Obata. Com a morte do sogro, e depois do marido, dona Isabel, que nunca havia trabalhado, se viu apavorada e com cinco filhos para criar. Foi quando, em 1974, tomou a frente do trabalho. Segundo ela, aquela foi a melhor época para vender jornais. "Nos domingos (dia em que mais se vendia jornal) eu vendia 130 exemplares do Estadão, 120 da Folha. Hoje, se vender 8 ou 9 já é muito". A queda se deve à concorrência que as bancas enfrentam com supermercados, postos de gasolina, cafés e principalmente as assinaturas. Mesmo enfrentando momentos em que a crise bateu à porta, a descendente de japoneses conseguiu seguir em frente sem nunca parar de trabalhar.


"Política” das bancas


Sobre os políticos que já passaram por São Paulo, dona Isabel se lembra bem: "Podem criticar o Maluf, mas na época dele, essa cidade era organizada. Ele rouba, mas os outros políticos também". "O Jânio era muito organizado e gostava de ver as ruas e as bancas bem limpinhas, não tenho o que reclamar dele". "A Erundina proibiu que os banqueiros vendessem refrigerante e sucos. Um dia sem mais nem menos funcionários da prefeitura chegaram, colocaram minha geladeira pra fora da banca e começaram a beber tudo, abriram todas latinhas, foi uma bagunça", diz ela.


Seja paulista ou turista, todos adoram zanzar pela famosa avenida. E é nela que acontecem várias comemorações como a Parada Gay, festa de Reveillon, Corrida de São Silvestre etc. Isabel afirma que apesar da movimentação e multidões de pessoas que circulam nessas datas, nenhuma é mais organizada que a dos homossexuais. Segundo a banqueira, eles são “bem educados, cumprimentam a todos e nunca quebraram nada da rua”. Atitude totalmente contrária a de alguns torcedores de futebol. "Quando o São Paulo ganhou a libertadores eu tive um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os torcedores quebraram minha banca, roubaram revistas, levaram coisas de comer, uma verdadeira tristeza", conta sobre o episódio que aconteceu em 2005 quando a legião de são-paulinos destruiu a Paulista como forma de mostrar a alegria com o título do time.


E o que será que uma pessoa que lida tanto com informação prefere ler? "Depende do dia, se eu quero me distrair prefiro a TiTiTi (revista de fofocas), se quero saber das notícias sérias leio a Veja, Época, depende do meu estado de espírito". O tempo passou e hoje dona Isabel conta tudo com muita alegria. Devido a um derrame e à crise que as bancas enfrentam, a japonesa deixou a banca e atualmente passa as tardes em casa assistindo televisão. Vida mansa? Não é isso que ela diz: "Estou louca pra voltar pro trabalho. Ficar parada me dá um desespero", finaliza. Paulista que é paulista nunca cansa de trabalhar.