Acordei com uma saudade profunda do Brasil, uma saudade voraz, uma saudade que se eu pudesse me faria ir à pé para São Paulo direto pro Butantã ver meus amigos e minha família. Depois eu iria pra uma roda de samba usando vestido e rasteirinha, depois iria pro forró dançar muito e cantar todas as letras que sei e ia beber sentada na calçada vendo o povo e seus costumes na babilônia.
A ressaca esmaga a minha cabeça, mas a vida sempre chama, então mesmo com toda a minha saudade e o meu plano de como aplacá-la, tive que levantar e ir dar conta de tudo o que eu precisava fazer. Quem diria que segunda-feira se tornaria um dia tão favorito? segunda de manhã na paz da casa vazia e sem voz, sem relógio, sem nada, só eu no silencio fazendo tudo com calma. É claro que minha consciência nerd me cutuca pq perdi aula, mas descansar é muito necessário.
Esse looping sem um dia de descanso me mata, é a ansiedade capitalista dos que precisam trabalhar e juntar grana pra dar conta de tudo. Nunca é vivendo o agora, é sempre projetando o futuro e calculando na ponta do lápis quanto falta, e falta pra caralho.
Ai depois de 6h30 de um trabalho cansativo, depois de lavar sei lá quantos pratos e servir pizzas e baguetes, depois de limpar cada pedaço daquela cozinha que nem é grande, a cara engordurada e a roupa cheirando à comida, eu penso que mereço tomar quantos Gins eu quiser, mas a consciência pesa porque o dinheiro vai sair do meu próprio cofrinho. Ou é isso ou é mais um final de semana sem nenhum lazer e a solidão na garganta.
Dureza.
Que bosta, penso.
A fantasia sempre vem carregada por um romantismo mentiroso. Faço força pra me lembrar de quão odioso é depender do Shopping Continental/8509 e ter que fazer follow up pra me sustentar.
Sem romance, viver em SP é também um grande teste de sobrevivência.
Ainda se eu tivesse a maturidade que tenho hoje e a consciência de agora lá em 2009, quanta coisa poderia ser diferente? Mas é pra frente que se anda e eu preciso me arriscar ainda mais e sair ainda mais da minha zona de conforto (???)
Sempre pesando tudo, avaliando, ponderando, é tanto gerúndio que me canso até de escrever.
Ai no meio desse bolo todo, com tudo isso na minha cabeça, vem o macho do alto de seu ego enorme me dizer que eu sou muito bonita pra dançar sozinha.
Vai tomar no cu, meu anjo. Sai pra lá.
Sinto falta de um parceiro, mas é tanto homi idiota que eu sei lá.
Volto pros meus amigos, os de Dublin e os do Brasil, minhas amigas tão maravilhosas que me dão uma força gigantesca, sigo cozinhando minhas receitas mirabolantes e inventando planos pra aplacar a solidão.
Quais marcas a nova nathália traz da Irlanda? como é que as pessoas vão me perceber agora? Qual é o meu lugar no mundo? Onde é minha casa?
Ninguém é capaz de imaginar o que se passa quando a gente decide imigrar.
Eu me banco demais, e eu não posso me esquecer da trajetória que foi até chegar aqui.
escrevendo pra poder me ler até entrar isso nesse cabeção.
Que loucura
segunda-feira, 21 de outubro de 2019
sábado, 12 de outubro de 2019
Em Ashton
Faz um sábado lindo de outono, céu azul claro pintado de aquarela, solzinho, zero nuvem ou previsão de chuva ( por enquanto) eu tenho 40 minutos até começar o trabalho, mas como moro muito longe ou chego muito cedo ou super atrasada. Nesse meio tempo não tenho nada pra fazer e como o capitalismo e meu chefe Irish não ajudam em nada, eu que não vou começar mais cedo, por isso sentei de frente ao lago para pegar sol e escrever esse texto enquanto ignoro que meus dedos vão ficando duros do frio.
Está amanhecendo 7h30 e anoitecendo 18h30, as noitea tem ficado mais escuras e o clima invernal chegando com tudo, eles amam, ensaiam o Natal, nunca vi povo pra amar tanto uma data.
Vai vir o Halloween, vai vir o frio, as festas e finalmente o Carnaval. Eu tô me cuidando pra não sucumbir e deixar o frio me vencer e é engraçado todo o mito em torno dessa estação, que na verdade é só mais uma estação, mas é tanto estigmatizada que nem sei. Tem um charme também que envolve o inverno, tomar cafés e vinhos e etc, mas pra quem tem que trabalhar e acordar 6h30 o romantismo vai pro ralo no primeiro banho de banheira. Aproveito todo o sol que ainda tenho, vou aproveitar cada segundo dele como se fosse mesmo um presente.
Meu cabelo está tão lindo que é até um insulto fazer um coque e usar um chapeuzinho safado o dia todo. Depois saio com cheiro de comida, as mãos enrugadas de tanta água e pó de luva. Ai me resta comer algo enquanto aproveito as últimas horas do sábado e me recolho até chegar o domingo e começar tudo de novo. Tem sido assim já há algum tempo. Como disse o Tuca, uma hora a vida vira....
Aceitei essa parte da história e tô tentando tirar o máximo de aprendizado, além de estar com uma preguiça enorme de todo o putz putz envolvendo gringos, Brasilis e a mesma playlist de sempre.
Vou curtir o Bernard Shaw, fazer planos de viagens, memorizar phrasal verbs e assistir filme sem legenda.
É introspecção, ainda que eu ignore e teime que não.
#130
Está amanhecendo 7h30 e anoitecendo 18h30, as noitea tem ficado mais escuras e o clima invernal chegando com tudo, eles amam, ensaiam o Natal, nunca vi povo pra amar tanto uma data.
Vai vir o Halloween, vai vir o frio, as festas e finalmente o Carnaval. Eu tô me cuidando pra não sucumbir e deixar o frio me vencer e é engraçado todo o mito em torno dessa estação, que na verdade é só mais uma estação, mas é tanto estigmatizada que nem sei. Tem um charme também que envolve o inverno, tomar cafés e vinhos e etc, mas pra quem tem que trabalhar e acordar 6h30 o romantismo vai pro ralo no primeiro banho de banheira. Aproveito todo o sol que ainda tenho, vou aproveitar cada segundo dele como se fosse mesmo um presente.
Meu cabelo está tão lindo que é até um insulto fazer um coque e usar um chapeuzinho safado o dia todo. Depois saio com cheiro de comida, as mãos enrugadas de tanta água e pó de luva. Ai me resta comer algo enquanto aproveito as últimas horas do sábado e me recolho até chegar o domingo e começar tudo de novo. Tem sido assim já há algum tempo. Como disse o Tuca, uma hora a vida vira....
Aceitei essa parte da história e tô tentando tirar o máximo de aprendizado, além de estar com uma preguiça enorme de todo o putz putz envolvendo gringos, Brasilis e a mesma playlist de sempre.
Vou curtir o Bernard Shaw, fazer planos de viagens, memorizar phrasal verbs e assistir filme sem legenda.
É introspecção, ainda que eu ignore e teime que não.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019
É namoro
Dublin é aquele namorado capriciorniano frio e calculista que nunca faz uma demonstração de carinho em público, mas quando pega na sua mão, você para e pensa: "Eita!"
Depois de quase noivar com a Inglaterra e o tempo do meu rolo com o Rio, eu cheguei em Dublin com a faca entre os dentes e o coração embrulhado em aço: aqui não, violão!
Sabe quando você tá ficando com alguém e acha que aquilo ali não tem nada a ver, que jajá esse lance acaba, você põe mais reparo nos defeitos do que nas qualidades e age sempre no modo defensivo? Então, foi desse jeitinho.
Dai a Dublinia foi chegando assim, mostrando que tem cadência, que é feita da resistência, que vai usar Gaélico quer queira quer não, e apesar de nem tão imponente ou malandra, ela é bem delicinha e singular, fria só nas ruas, que de pub ela entende bem. Dublin me apresentou minha versão mais cervejeira, me deu um beijo recheado pelo sotaque Irish, me mostrou o tamanho da minha coragem,
e eu fui me entregando ainda que em negação.
Nesse relacionamento fui eu quem enrolei pra assumir, demorei pra querer postar e esbanjar esse amor pro mundo inteiro ver, mas agora tá consumado, tô entregue, tô na tua e tu sabe que não sou de meias palavras ou meios sentimentos. Eu me jogo pro fundo, eu vou sem medo, cada dia uma sensação diferente, ganhando a cidade, conhecendo novos espaços, compondo a minha versão em Dublin. The Liberties, Stillorgan, Firhouse. De cabo a rabo, lendo notícias e pesquisando seus antepassados.
Eu não sei se a gente vai casar, se é aqui que terei os meus filhos ou farei a minha segunda graduação, a única certeza é que cheguei sem saber nada de você e agora eu quero te conhecer ainda mais!
Início de namoro, mais do que o fogo ardente por uma noite de sexo, é a fase principal pra você sentir se aquilo tem futuro. A gente tá se curtindo muito, né não, Dublinia?
Depois de quase noivar com a Inglaterra e o tempo do meu rolo com o Rio, eu cheguei em Dublin com a faca entre os dentes e o coração embrulhado em aço: aqui não, violão!
Sabe quando você tá ficando com alguém e acha que aquilo ali não tem nada a ver, que jajá esse lance acaba, você põe mais reparo nos defeitos do que nas qualidades e age sempre no modo defensivo? Então, foi desse jeitinho.
Dai a Dublinia foi chegando assim, mostrando que tem cadência, que é feita da resistência, que vai usar Gaélico quer queira quer não, e apesar de nem tão imponente ou malandra, ela é bem delicinha e singular, fria só nas ruas, que de pub ela entende bem. Dublin me apresentou minha versão mais cervejeira, me deu um beijo recheado pelo sotaque Irish, me mostrou o tamanho da minha coragem,
e eu fui me entregando ainda que em negação.
Nesse relacionamento fui eu quem enrolei pra assumir, demorei pra querer postar e esbanjar esse amor pro mundo inteiro ver, mas agora tá consumado, tô entregue, tô na tua e tu sabe que não sou de meias palavras ou meios sentimentos. Eu me jogo pro fundo, eu vou sem medo, cada dia uma sensação diferente, ganhando a cidade, conhecendo novos espaços, compondo a minha versão em Dublin. The Liberties, Stillorgan, Firhouse. De cabo a rabo, lendo notícias e pesquisando seus antepassados.
Eu não sei se a gente vai casar, se é aqui que terei os meus filhos ou farei a minha segunda graduação, a única certeza é que cheguei sem saber nada de você e agora eu quero te conhecer ainda mais!
Início de namoro, mais do que o fogo ardente por uma noite de sexo, é a fase principal pra você sentir se aquilo tem futuro. A gente tá se curtindo muito, né não, Dublinia?
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Outuno em Knocklyon
O melhor sono da minha vida teve um up date: Knocklyon, Dublin. No quarto mais bonito e aconchegante que já tive (mais do que o da Vila Sônia), aqui tenho tido minha melhores noites.
Após seis meses de muitas agruras que somam-se por roncos, insônias, áudios de barulho de chuva, incontáveis interrupções e vontade de chorar, eis-me aqui, digitando esse texto do alto da minha cama single, ao lado de meus dois criados-mudo, meu abajur meia luz, meus livros, minha vela aromatizada e todo o resto do espaço que compõe-se meu! Meu quarto, caralho!
Após seis meses de muitas agruras que somam-se por roncos, insônias, áudios de barulho de chuva, incontáveis interrupções e vontade de chorar, eis-me aqui, digitando esse texto do alto da minha cama single, ao lado de meus dois criados-mudo, meu abajur meia luz, meus livros, minha vela aromatizada e todo o resto do espaço que compõe-se meu! Meu quarto, caralho!
Aqui ninguém entra, aqui é meu aconchego, meu reduto, o espaço onde traço meus caminhos, invento meus planos, planejo meu Carnaval, estudo adentro meu novo idioma, é aqui eu tenho a paz e onde recarrego minhas energias, onde escuto e calo os meus medos, onde tenho sonhos mirabolantes e verdadeiros, é aqui onde acordo e sigo na batalha como imigrante nesse país tão frio. A Irlanda é fria, mas o meu quarto é quente.
Pra chegar até aqui eu tive que abrir mão do meu comodismo de morar no Centro.
Agora enfrento trânsito, adolescente chata, tenho responsabilidades que na verdade nem são minhas, preciso me acostumar com uma nova vizinhança. Mas quando é o fim do dia e eu entro aqui, sinto que tomei a decisão certa, ainda que seja só por uma temporada. Eu tenho descansado tanto, deito às 22h30 e acordo só no outro dia, delícia dos Deuses.
Agora enfrento trânsito, adolescente chata, tenho responsabilidades que na verdade nem são minhas, preciso me acostumar com uma nova vizinhança. Mas quando é o fim do dia e eu entro aqui, sinto que tomei a decisão certa, ainda que seja só por uma temporada. Eu tenho descansado tanto, deito às 22h30 e acordo só no outro dia, delícia dos Deuses.
O quarto fica no sótão da casa, bem daqueles que vemos nos filmes. Tem três janelinhas e em uma delas posso ver a claridade do dia quando amanhece, e é dela que escuto os pingos da chuva que embalam o meu sono.
O Outono já é a estação mais bonita pra mim. A luz é clara e o sol não esquenta tanto. Venta demaaaais na Ilha Esmeralda e jajá as folhas começam a cair. Dai o povo começa a falar que lá vem o inverno e lalala como se fosse o apocalipse, e quando ele chegar eu estarei quentinha e aconchegada no meu quarto.
É tanto aprendizado, tanta descoberta, me vejo ainda mais corajosa, cheguei aqui sozinha, ultrapassei a barreira dos seis meses, conheci gente, me esforcei MUITO pra aprender a falar o inglês nativo, e quanto mais o tempo avança, mais eu me conheço e sinto um orgulho imenso de tudo isso. Quem escreve agora é a nova Nathália, a versão nascida em Dublin. É maravilhoso escutar dos Irlandeses que o meu inglês é bom. Olhar pra trás e relembrar tudo o que eu passei pra chegar até aqui, foi foda, é foda e vai ser foda pra sempre.
Aaaahhhh o delicioso gosto de lacrar a realização de um sonho.
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sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Quase vento de outono
Esse ventinho gelado, conheço bem. Custo a acreditar que já é o fim do verão, ainda nesse mês. Quando na Inglaterra, agosto ainda era tempo quente e churrasco no quintal. Somente em outubro é que as coisas foram ficando mais frias. Acho que em 2016 foi um verão bem bom, e o desse ano quase não queimou. A Irlanda é muito mais fria, chove mais e é mais cinza também, agora eu já tenho total certeza disso.
As noites por aqui estão mais curtas e os dias já não amanhecem às 4h30. A cama quente teima em não me deixar levantar. São 4 semanas trabalhando sem nenhum day off, tal e qual tantos intercambistas e brasileiros.
Espero que essa marquinha saia do meu pulso, porque por mais que eu esteja curtindo muito a experiência de trabalhar como Deli Assistant, nenhum sanduíche e nenhuma pizza valem a cicatriz.
Estou rompendo a marca dos 6 meses. Em P'boro foi exatamente meio ano fora.
Com Dublin a história já é diferente, minha Dublinia que tanto me irrita, mas tanto amo. Essa semana senti tanta saudade do Brasil que quase me esqueci da zorra total que se encontra meu país.
Escutei samba de roda, rascunhei o plano do próximo Carnaval, falei com vários amigos, depois passei pra Marisa Monte e desaguei em Capoeira de Angola. Nem sempre faz sentido ouvir essas músicas andando no coração dessa cidade. O contexto é tão outro... Mas coração manda e eu faço.
O lado bom de trabalhar sem parar é não ter muito tempo pra pensar. Por vezes o pensamento me põe pra baixo. A solidão também enche o meu saco e nessas quase caio numa furada.
O plano é seguir firme e forte, ainda tem coisa pra caralho pra fazer aqui, e entre listas, sonhos e nostalgias vou me preparando pro outono fingindo desconhecer o inverno.
As noites por aqui estão mais curtas e os dias já não amanhecem às 4h30. A cama quente teima em não me deixar levantar. São 4 semanas trabalhando sem nenhum day off, tal e qual tantos intercambistas e brasileiros.
Espero que essa marquinha saia do meu pulso, porque por mais que eu esteja curtindo muito a experiência de trabalhar como Deli Assistant, nenhum sanduíche e nenhuma pizza valem a cicatriz.
Estou rompendo a marca dos 6 meses. Em P'boro foi exatamente meio ano fora.
Com Dublin a história já é diferente, minha Dublinia que tanto me irrita, mas tanto amo. Essa semana senti tanta saudade do Brasil que quase me esqueci da zorra total que se encontra meu país.
Escutei samba de roda, rascunhei o plano do próximo Carnaval, falei com vários amigos, depois passei pra Marisa Monte e desaguei em Capoeira de Angola. Nem sempre faz sentido ouvir essas músicas andando no coração dessa cidade. O contexto é tão outro... Mas coração manda e eu faço.
O lado bom de trabalhar sem parar é não ter muito tempo pra pensar. Por vezes o pensamento me põe pra baixo. A solidão também enche o meu saco e nessas quase caio numa furada.
O plano é seguir firme e forte, ainda tem coisa pra caralho pra fazer aqui, e entre listas, sonhos e nostalgias vou me preparando pro outono fingindo desconhecer o inverno.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Mais uma página sobre saudade
Eu me pergunto onde estão os comunicadores, os humanoides, os cirandeiros e Lula Livre dessa Dublinia. Onde se escondem esses que poderiam ser meus amigos e são capazes de terem uma conversa útil, inteligente, que consigam falar sobre a vida e a experiência aqui fora de uma maneira não tão superficial.
Os que escutam Caetano, Gil, Baby, Marisa Monte e Luiz Gonzaga. A parte mais difícil do intercâmbio é a falta que me faz trocar ideia com gente inteligente e interessante, com gente que possa me acrescentar algo que seja mais do que a nova letra de funk ou a nova substância da moda, que vá além dos países que visitou e consiga falar sobre a vida, sobre a bosta que esse governo tá fazendo com o brasil, que tenha experiência pra trocar. Que falta me faz minhas amigas que não estão só preocupadas com a pegada do cara ou se le respondeu ou não. Às vezes tudo o que a gente precisa é sentar pra tomar uma cerveja e conversar, mas pra conversar a pessoa tem que ser o mínimo inteligente, antenada e ter algum conteúdo.
Fui muito mal acostumada por estar rodeada de jornalistas no Brasil. Sempre cheios de tiradas inteligentes, de notícias, de assuntos e vivências.
Aqui em Dublin ainda não me conectei com esses, mas a busca nunca acaba.
Quando você percebe isso, quando essa janela se abre, a parada fica muito mais complicada. Idai que o cara é bonito?
Só bonito não interessa, tem que acrescentar e ser interessante, mesmo os Irishs, os Italians, todos.
Daí me lembro de Yuri, meu amigo inteligente e rico de alma que sinto uma falta tão grande.
Lá se vai mais uma página sobre saudade.
terça-feira, 30 de julho de 2019
Sol em Leão
O primeiro me disse uma das coisas mais bonitas que já ouvi na vida, ainda na adolescência, quando estamos descobrindo e provando os tipos de relações, ele me disse que o domingo demorava muito pra passar e ele não parava de pensar em mim. Foi um namoro de verão, intenso como todo amor-Leão é, desse amor surgiu Belinha, que guardo até hoje. Foi então que descobri a potência da dupla peixe-leão.
O segundo, o mais arrebatador amor da vida inteira, que literalmente te tira o ar, que te nutre tanto que é impossível trabalhar, sabe aquele amor suspiro? Foi esse. O leão guerra, quase a terceira guerra mundial, intensidade em 200%, na carne da exaustão, o segundo Leão me deu um filho. Morri e ressuscitei muitas vezes e levo esse comigo pra vida. De ex amor a melhor amigo na fidelidade de um felino.
O terceiro leão tinha olhos incrivelmente azuis, a juba loira e o corpo esbelto, um belo de um leão. Desse guardo belas memórias eleitorais e momentos marcantes de quando um cara quer te conquistar. E conquista. Chico Buarque de cabo a rabo e uma inteligencia muito bonita. O fogo e a gasolina, essa era a levada. Dessa história levo a certeza da clareza do que quero pra mim.
O cantor e compositor que governa o meu coração é o mais leonino de todos. Eu não me canso e não enjoo de suas letras.
Sol em Leão né brincadeira.
É porradaria e deleite.
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