Não basta falar todos os dias, ficar junto, ficar bem, conversar, compartilhar planos e medos, compartilhar conquistas e alegrias. queremos mais. queremos ter o controle do pulsar do coração, certeza que de somos únicos a habitar o pensamento do outro, pensamento e desejo, pensamento, desejo e sonho. queremos certeza total, 100%, carimbo, cerco, fechado, certeza. Certeza do que, mano?
que certeza é essa que tanto se procura, que faz cair lágrimas e cabelos, dá rugas, inferniza e maltrata o coração? não lhe bastam palavras, ligações, tempos, dias, meses? Não. Pior ainda quando a outra pessoa simplesmente afirma que não vai mudar (e nem pode), que a vida é assim mesmo, que contraria todos os rótulos, que não há fidelidade nem exclusividade, que não há ausência de carinho e que há liberdade para sair do jogo a hora que quiser, tchauzinho.
Não soa como desdém? cadê aquele amor todo? não tem apego? não existir apego não será justamente o tal o amor ideal e saudável que os terapeutas e livros de auto ajuda pregam e enfiam guela abaixo de toda população? Afinal, ter apego é bom ou ruim?
como é que se ama, e mais importante, se vive, numa relação que nada é estabelecido a não ser o amor?
o amor livre, solto das amarras (será que existe?) sem que a tristeza, a insegurança, o ciúme e outros monstros apareçam?
como é que se mantém uma relação madura, sem pulga atrás da orelha, com coração quentinho e cabeça adormecida sabendo que seu amor pode estar por aí com outr@s? e que depois ela retorna cheia de amor pra te dar e você, que dormia e não sentia nada, nem sabe, e melhor de tudo, nem questiona o que aconteceu. será que é possível viver isso?
será que existe uma relação em que a outra pessoa não te inferniza, pode ser sincera, pode contar coisas que julga importante sem que você não morra por dentro, não se magoe, e consiga beija-la em seguida já ciente de que não há certeza alguma, além de viver, e de que ninguém está acorrentado a ninguém, e que as pessoas somente relacionam-se porque querem. QUEREM.
São tantas questões, inumeras hipóteses e a única certeza de que não há certeza. Eu quero mais que os rótulos se explodam, sou guiada por amor e confiança (?), mas a verdade é que acreditamos no que queremos. a pessoa pode tatuar "nathália amor eterno" na testa, ser o mais fiel que existe, e se eu não achar que é verdade, não é. o que fazer? querer ouvir todo santo dia que sou única e exclusiva não é meu desejo. mas não quero meias verdades, quero tudo escancarado aqui na minha cara limpa, afinal sou forte, sou de pedra. aguento tudo. sou decidida e e quando me irritar acabo logo tudo duma vez. aham, senta lá.
ainda não consigo fechar a equação do que é viável ou não numa relação. odeio que invadam minha privacidade, odeio que não acreditem em mim, odeio me sentir amarrada sem poder fazer o quero, quando quero, do jeito que quero. e me pego cobrando justamente tudo isso que mais detesto.
sou chata, sou maluca, sei decor todos meus defeitos, já não acredito mais que ser feliz só é possível sozinha. acredito numa parceria. preciso é encontrar o ponto entre confiança, lealdade e amor sem que seja na base da porrada ou da corrente. nem do fake faço questão ou parte.
mas não me peça o que você não é capaz de me dar. não cabe pedido, não cabe combinado, é tudo solto e perdido no ar. e pra quê, por quê? amor é isso? relaciomento é isso?
tento misteriosamente e arduosamente descobrir!
domingo, 30 de março de 2014
quinta-feira, 20 de março de 2014
Voltando (ando)
Voltando (ando). Pessoas. Elevadores. Baldiações. Home. F5. Ronda. Escuta. Elevadores. Pessoas. Trens. Túneis.
Há uma semana voltei para o mundo corporativo e para o jornalismo hardnews. A imersão é voraz, me faz ficar perdida. Já tinha trabalhado com isso há uns anos atrás. Tenho facilidade com entretenimento e agilidade pra pegar a rotina do trabalho. Mas decidi voltar aos poucos pra conseguir sentir um restinho de liberdade que me escorria pelas mãos. Agora sou prova viva de que ouvir o coração é a melhor coisa que podemos fazer nessa vida! Todo o processo de me demitir, isolar, pensar, ensaiar e finalmente entrar em um lugar que tem a minha cara, não tem preço!
Aos poucos vou sentindo novamente o que é ser feliz no trabalho e sinto o peso que esse fator tem em nossa vida.
Ufa!
Voltando (ando) à atividades que há muito não fazia! Acordar antes do sol nascer, cruzar com crianças indo pra escola. Viver em São Paulo antes da multidão é um dos maiores prazeres que volto a sentir. Não tem muita gente na rua, dá pra ir sentada no metrô, sair mais cedo e ter mais tempo pra viver, glória!
Voltando (ando) a escutar rádio. Fazia muitos anos que não escutava de fato uma rádio. Percebo o quão automático e superficial tornou-se a atividade. Rapidinho ali no trânsito e fim. Agora volto a escutá-lo com atenção. Sabendo notícias através da caixinha de som. Vinhetas de rádio AM. Uma verdadeira viagem no tempo.
Voltando (ando) a escrever rapidamente, na correria, sem tempo, corta foto, sobe logo, dá F5 na home, vamos, vamos, vamos!
Voltando (ando) com vontade de estudar. (Ainda não sei o quê, mas vontade há).
Voltando (ando) a relembrar 2005. Ano de cursinho pré vestibular, mente ansiosa e coração cheio de sonhos. Era exatamente às 07h que eu entrava na P7 para ter várias aulas e seguir trilhando o sonho de chegar enfim na profissão tão sonhada. Era exatamente no prédio em que trabalho hoje, que há nove anos (caramba!) eu saia da aula, almoçava no "Capricho" e voltava correndo pras aulas especiais de literatura. Aulas que duravam quatro, cinco horas. FT dando sua aula, eu emocionada e cansada, mas sobretudo feliz.
Agora passo em frente ao prédio da Gazeta e lembro de tudo com muito carinho.
Voltando (ando) a me encontrar (?) na profissão. Depois de quase três anos insatisfeita, quase jogando a toalha e concluindo que não tinha nascido pra coisa, eis-me aqui. De peito aberto, sem tantos sonhos como em 2005, já formada e vivendo da proissão que escolhi, sem ilusões, um pouco mais madura e rabugenta, mas menos reclamona, tô aí pra vida sem medo de fazer curvas ou renunciar.
Voltando (ando) a me jogar na vida!
Há uma semana voltei para o mundo corporativo e para o jornalismo hardnews. A imersão é voraz, me faz ficar perdida. Já tinha trabalhado com isso há uns anos atrás. Tenho facilidade com entretenimento e agilidade pra pegar a rotina do trabalho. Mas decidi voltar aos poucos pra conseguir sentir um restinho de liberdade que me escorria pelas mãos. Agora sou prova viva de que ouvir o coração é a melhor coisa que podemos fazer nessa vida! Todo o processo de me demitir, isolar, pensar, ensaiar e finalmente entrar em um lugar que tem a minha cara, não tem preço!
Aos poucos vou sentindo novamente o que é ser feliz no trabalho e sinto o peso que esse fator tem em nossa vida.
Ufa!
Voltando (ando) à atividades que há muito não fazia! Acordar antes do sol nascer, cruzar com crianças indo pra escola. Viver em São Paulo antes da multidão é um dos maiores prazeres que volto a sentir. Não tem muita gente na rua, dá pra ir sentada no metrô, sair mais cedo e ter mais tempo pra viver, glória!
Voltando (ando) a escutar rádio. Fazia muitos anos que não escutava de fato uma rádio. Percebo o quão automático e superficial tornou-se a atividade. Rapidinho ali no trânsito e fim. Agora volto a escutá-lo com atenção. Sabendo notícias através da caixinha de som. Vinhetas de rádio AM. Uma verdadeira viagem no tempo.
Voltando (ando) a escrever rapidamente, na correria, sem tempo, corta foto, sobe logo, dá F5 na home, vamos, vamos, vamos!
Voltando (ando) com vontade de estudar. (Ainda não sei o quê, mas vontade há).
Voltando (ando) a relembrar 2005. Ano de cursinho pré vestibular, mente ansiosa e coração cheio de sonhos. Era exatamente às 07h que eu entrava na P7 para ter várias aulas e seguir trilhando o sonho de chegar enfim na profissão tão sonhada. Era exatamente no prédio em que trabalho hoje, que há nove anos (caramba!) eu saia da aula, almoçava no "Capricho" e voltava correndo pras aulas especiais de literatura. Aulas que duravam quatro, cinco horas. FT dando sua aula, eu emocionada e cansada, mas sobretudo feliz.
Agora passo em frente ao prédio da Gazeta e lembro de tudo com muito carinho.
Voltando (ando) a me encontrar (?) na profissão. Depois de quase três anos insatisfeita, quase jogando a toalha e concluindo que não tinha nascido pra coisa, eis-me aqui. De peito aberto, sem tantos sonhos como em 2005, já formada e vivendo da proissão que escolhi, sem ilusões, um pouco mais madura e rabugenta, mas menos reclamona, tô aí pra vida sem medo de fazer curvas ou renunciar.
Voltando (ando) a me jogar na vida!
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Reflexão de uma Noite de Fevereiro
Eu estava feliz porque tinha desatado uns belos nós e vê-los assim organizadinhos, bonitinhos, esticadinhos, dava uma paz tão grande que se pudesse ficava sentindo isso pra sempre. Uns belos nós. Uns belos nós que até então achei que só depois de muito, muito trabalho conseguiria desatar. E desatei bem antes do que imaginei.
Eba!
Então veio a dona vida com suas belas peripécias, sua imaginação ímpar e embaralhou tudo de novo como se não houvesse amanhã. Por outros motivos, cá estou eu fritando miolos dia e noite, noite e dia, em busca novamente em desatar outros nós, uns nós mais antigos e urgentes e como são das antigas têm uma força no emaranhado que ao vê-los sinto vontade de chorar. Igual criança quando precisa de ajuda e sem atenção senta e chora. Assim. Depois das lágrimas que vezes surgem contidas e noutras em forma de berros, surge um alívio em forma de sabedoria: "Do chão não passa, quando morrer descansa", e lá vai eu quebrar a cabeça de novo até que os desate enfim.
Enquanto isso não acontece e eu não desisto, cabeça dura que sou, vou à natação, descanso na praça, dou um gole numa cerveja, tudo isso pra espairecer, mas não esqueço da tarefa árdua de machucar as mãos, as unhas e a boca pra desatar. Ta aí o verbo da vez: desatar. Talvez eu devesse esquecê-los, igual criança que muda da brincadeira. Mas eles voltam, ah sempre voltam. Com uma plaquinha erguida: Nathy, estou aqui! desateme!
Se esse grupo de nós tivesse ouvidos eu lhes diria: Queridos, não preciso de lembretes, muito menos ameaças, não sou de desistir e quando findar minha empreitada vou juntá-los aos nós já desatados e colocá-los numa estante bem bonita e vistosa, num lugar onde muitas pessoas possam ver (sou exibida mesmo!) e eu mesma possa passar e olhar orgulhosa de tal resultado e finalmente sentir a sensação de paz que eu já conheço e quero repetir!
E sabe o que virá depois?
mais nós.
Eba!
Então veio a dona vida com suas belas peripécias, sua imaginação ímpar e embaralhou tudo de novo como se não houvesse amanhã. Por outros motivos, cá estou eu fritando miolos dia e noite, noite e dia, em busca novamente em desatar outros nós, uns nós mais antigos e urgentes e como são das antigas têm uma força no emaranhado que ao vê-los sinto vontade de chorar. Igual criança quando precisa de ajuda e sem atenção senta e chora. Assim. Depois das lágrimas que vezes surgem contidas e noutras em forma de berros, surge um alívio em forma de sabedoria: "Do chão não passa, quando morrer descansa", e lá vai eu quebrar a cabeça de novo até que os desate enfim.
Enquanto isso não acontece e eu não desisto, cabeça dura que sou, vou à natação, descanso na praça, dou um gole numa cerveja, tudo isso pra espairecer, mas não esqueço da tarefa árdua de machucar as mãos, as unhas e a boca pra desatar. Ta aí o verbo da vez: desatar. Talvez eu devesse esquecê-los, igual criança que muda da brincadeira. Mas eles voltam, ah sempre voltam. Com uma plaquinha erguida: Nathy, estou aqui! desateme!
Se esse grupo de nós tivesse ouvidos eu lhes diria: Queridos, não preciso de lembretes, muito menos ameaças, não sou de desistir e quando findar minha empreitada vou juntá-los aos nós já desatados e colocá-los numa estante bem bonita e vistosa, num lugar onde muitas pessoas possam ver (sou exibida mesmo!) e eu mesma possa passar e olhar orgulhosa de tal resultado e finalmente sentir a sensação de paz que eu já conheço e quero repetir!
E sabe o que virá depois?
mais nós.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Arrisque-se (Por um 2014 diferente)
Mas e aí Nathy o que você vai fazer agora?
Não sei.
Foi assim que muitos aos meu redor me perguntaram o que seria daqui pra frente e como eu manteria meus gastos depois que contei que finalmente tinha me demitido. E o "não sei" os pegou de surpresa e a mim deu um grande alívio.
O processo ficou interno e tomando força por muito tempo. Veio o retorno das férias, Natal, Ano Novo e o ínicio dos dias úteis foram invadidos por um janeiro lindo e quente que há muito não se via em São Paulo e arrisco dizer, no Brasil. Mas aqui dentro nada brilhava como o dia lá fora. Uma angústia e um questionamento "peraí, o que estou fazendo da minha vida?", me invadia com força voraz. E eu precisava das respostas, só que pra ontem, pra já. Nunca fui a favor de trabalhar apenas pelo dinheiro e para pagar contas, vejo a relação de trabalho muito maior do que isso. Foi esse um dos motivos por ter escolhido ser jornalista. Informar, ajudar pessoas, serviço público, pautas variadas. Mas a vida vai nos levando para caminhos o quais não imaginamos e me peguei presa num escritório dia e noite, noite e dia. Logo eu que sempre fui da rua, de sentir e investigar, de apurar a pauta, de pegar ônibus e metrô sem medo do que vinha pela frente, sem preguiça, sem medo das chuvas ou engarrafamentos, sem preferir o conforto, ar condicionado e café quente da salinha branca e fria.
Então, ainda no início do ano, sob um verão animado e desafiador, decidi virar a curva e parar. Estacionei e sai da zona de conforto e da lista dos que trabalham sem pensar porque e para quê, era exatamente isso que senti durante os últimos meses. Lembro de uma frase que um amigo dizia na faculdade, "há que viver, não sobreviver", e é disso que estou em busca agora. Alguns podem pensar "tolinha está iludida, logo passa e ela retorna", e pode ser isso, claro que pode. Mas eu preciso desse tempo pra colocar as coisas em ordem, esperar o turbilhão ficar calmo e conseguir enxergar lá no fundo o que faz sentido.
Não sei se viverei de freelas, se invisto nesse blog, se engato um projeto independente, se largo tudo e presto vestibular novamente. A única certeza é de que preciso me envolver com que eu realmente acredite, e se for para voltar ao cotidiano corporativo, que seja em algo apaixonante que minimize o fato de ter que bater ponto, fazer reuniões e usar roupa social. Quando trabalhei com vídeos era assim. O trabalho era muito mais enriquecedor do que as normas da empresa, e então tudo estava certo!
Sem medo de me arriscar e encarar de frente o que está por vir, volto com a máxima clichê e verdadeira de que "temos que trabalhar com o que gostamos". Mas do que eu gosto? De telejornal, é o que logo vem à cabeça. Mas gosto de tantas outras coisas e atividades que esse tempo vai me ajudar a encontrar respostas e caminhos viáveis pra que enfim ao olhar o holerite eu me sinta mais que um gado marcado aumentando a lista do sistema.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Voltar também faz parte
Voltei de Cuba com muitas sensações. Algumas já se concretizaram e assim facilita escrever, externalizar. Voltei com ainda mais certeza de quem sou, do que gosto e desgosto, dos meu limites, da minha coragem e sinceridade, da impulsividade que me faz largar e voltar, pular ou ficar.
Voltei com saudade dos meus pais, da raiz, do lugar do qual sai, essa sensação pra mim é nova. Logo eu, a ovelha desgarrada da família - como já diria minha mãe - com saudade? Pois é.
Voltei mais apaixonada pelo Demis, entendendo questões que antes relutavam em entrar na minha cabeça (pela educação, pelo ritmo, pela cultura com que cada um foi criado). Agora conheço suas raízes, sua família, o cenário em que foi criado, as paisagens da infância, os detalhes na criação do filho. O conheço mais e conheço mais a mim também.
Voltei dando mais valor ao dinheiro, às roupas, aos sapatos, aos móveis, aos bens materiais. Não me considero muito consumista, mas voltar de Cuba me fez enxergar que tenho muito. Voltei com o peito cheio de vontade de conhecer outros lugares, outros caminhos, novos cheiros e povos. Voltei com sonhos, planos, anseios, metas.
Voltei com vontade de aprender (logo) a falar espanhol fluente. La lengua me encanta, assere!
Voltei (mais) apaixonada pelo Brasil. Durante 24 dias ouvindo espanhol, um cubanês rasgado e rápido, ouvir um pouco de português, reconhecer alguns brasileiros perdidos na ilha, era de encher os ouvidos e aquecer o coração. E ouvir sambas, erguer a bandeira na janela e lembrar porque é que eu adoro tanto ser apelidada de Brasil. Um Brasil de Martinho, Cartola, Gonzaga, Clara, Elis, responsáveis por embalar a festa e animar ainda mais a bebedeira.
Essa viagem foi um verdadeiro presente. Um presente que eu mesma construí. Poupei festas, economizei cervejas, comi arrozefeijão aos finais de semana (querendo morrer!), deixei de comprar roupas, das mais simples às mais rebuscadas, engoli infinitos sapos no trabalho, engoli infinitos sapos dentro de casa, deixei meu carro ainda mais velho, me afastei da terapia, me afastei do forró, passei a fazer a conversão Real>Dólar>Cuc, e TUDO, T-U-D-O valeu a pena. Faria tudo novamente com certeza!
Voltar é concretizar todo o processo da viagem que começou lá pelos idos de maio. Voltar é curtir uma viagem que agora é guardada na memória. É por os pés no chão e degustar através de fotos e contos tudo o que vivi e não foi sonho, foi real! Voltar é curtir a saudade e programar a próxima viagem.
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domingo, 8 de dezembro de 2013
Cuba, Ilha de Contradições (parte 1)
Hoje completa uma semana que retornei
de Cuba.
Esperei um tempo para acalmar o coração, sentar e escrever. Fui sentindo, degustando, e em meio a esse retorno de rotina, família e amigos, fui contando a eles um pouco do que vivi por lá. Contei que há duas Cubas: a dos gringos, exótica, meio roots, com belas praias, atividades culturais baratas e de boa qualidade, restaurantes charmosos e com hotéis chiques. E a Cuba dos cubanos - a ilha da contradição, do rum barato, de andanças e ônibus lotados, dos táxis que deixam cheiro de diesel nas roupas, das comidas de rua não tão boas assim e nem tão frescas, do turismo que ainda está em desenvolvimento, de um povo acomodado e feliz, que sabe viver com o simples, que sabe viver sem essa necessidade de se matar para trabalhar, a Cuba de um povo que vive da troca, que não tem internet nem Facebook, que é fascinado por novela brasileira e pelo Brasil, a Cuba simples e comovente por assim ser simplesmente.
Esperei um tempo para acalmar o coração, sentar e escrever. Fui sentindo, degustando, e em meio a esse retorno de rotina, família e amigos, fui contando a eles um pouco do que vivi por lá. Contei que há duas Cubas: a dos gringos, exótica, meio roots, com belas praias, atividades culturais baratas e de boa qualidade, restaurantes charmosos e com hotéis chiques. E a Cuba dos cubanos - a ilha da contradição, do rum barato, de andanças e ônibus lotados, dos táxis que deixam cheiro de diesel nas roupas, das comidas de rua não tão boas assim e nem tão frescas, do turismo que ainda está em desenvolvimento, de um povo acomodado e feliz, que sabe viver com o simples, que sabe viver sem essa necessidade de se matar para trabalhar, a Cuba de um povo que vive da troca, que não tem internet nem Facebook, que é fascinado por novela brasileira e pelo Brasil, a Cuba simples e comovente por assim ser simplesmente.
Tem música dentro do ônibus, o pão é
entregue sem papel, embrulho ou sacola, alguns bolos decorados não vêm
embalados e é normal andar com um bolo nas mãos pelas ruas de Havana. As
mulheres usam unhas de acrílico enormes, sempre pintadas e com alguns detalhes
desenhados. A Cuba que eu conheci e pela qual me apaixonei, tem um cheiro
misturado de perfume barato, mar e diesel. Foi no Cerro, bairro próximo a Santo
Suarez, que meu um click.
Voltávamos do estádio LatinoAmericano onde
assistíamos um jogo de beisebol do Industriales, que fora interrompido
por conta de uma forte chuva. Ignoramos a água e decidimos voltar para casa a
pé. Era noite de terça-feira, passava Avenida Brasil e dava para ouvir a novela
pelas televisões da vizinhança. Eram poucas as casas que não acompanhavam
a saga de Nina e Carminha. Andamos tranquilamente pelo bairro e pude praticar
minha atividade preferida em Cuba, que foi olhar dentro das casas e tentar
sentir um pouco como é que vivem, observar sem julgamento, observar e me
incluir, fazer de conta de que eu era de lá. Casas humildes, móveis antigos,
chão e paredes sem reboco, muitos porta retratos e quadros com fotos
penduradas. Mesas de aço antigas, sofás velhos, cadeiras de balanço de madeira,
cadeiras de balanço de plástico, moto estacionada dentro da sala. E famílias
vidradas na novela. Senhores, jovens, crianças, adultos distraiam-se com o
folhetim de João Emmanuel Carneiro após um dia quente de inverno. Paramos em
uma doceria. Prateleiras vazias, doces velhos, rosquinhas gostosas.
Em muitos momentos senti um nó na
garganta. Não sei se o nó era por mim, que reaprendia a dar valor às coisas
simples, ou se era pelos cubanos, que acostumados com essa vida, nem se
questionavam sobre uma possível melhoria, um outro ritmo, uma outra vida.
Talvez as palavras não sejam
suficientes para descrever tudo o que é esse país e como eu o descobri, a ilha
de 12 milhões de cubanos e toda a peculiaridade, ritmo, sangue e vida dos que
vivem numa constante contradição.
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013
(...)
voltei... com histórias, experiências, outra visão de mundo e de vida. já tinha ouvido que Cuba era um lugar mágico e que de alguma maneira modificava as pessoas, mas estando lá não percebia, a ficha só caiu quando pisei em São Paulo... agora entendo tantas outras coisas, outras tantas só agora fazem sentido. E eu tbm mudei. só que ainda não tenho crteza das mudanças. elas estão aqui dentro e o tempo em que ficarão aqui só comigo em rascunhos e nuances eu ainda não sei.
voltar não é de todo ruim. é apenas voltar à mesma vida e rotina certinha da qual sai por um mês.
só que não.
voltar não é de todo ruim. é apenas voltar à mesma vida e rotina certinha da qual sai por um mês.
só que não.
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