sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Para Jaqueline

 




Eu queria apenas levar um perfume de presente.
Corta pra: máscara de Covid, Butantã, Av. Paulista, Augusta, Baile dos Ratos, Diná, Fatiado Discos,
show do Caetano, Margarete, BBB, Santa Cecília, sacolão, Assis, Europa, CarnaRio.

Talvez você seja a irmã que eu tanto quis nessa vida; a irmã que toma sorvete, enche o meu saco, dorme a hora que quer, sai por aí numa liberdade que parece a minha, tromba no meio do caminho, faz chorar de rir e chorar de saudade.

Um perfume: e uma vida inteira pra completar. 
Eu não gosto de gaúchos, você sabe, mas agora eu desfilo com uma camiseta original do Grêmio e bato minha perna canhota como quem bate uma bombacha. Eu sei lá o que é bombacha, sabe? Ai sabe.

É peixe de ano novo num agreste que sinceramente, série cubana numa simplicidade sem fim, seu cachorro, meu cachorro que tanto parecia você. 

Sou eu gritando na orelha de Santo Antônio, dai tu desafia ele (aham cláudia!), quantos momentos em tão pouco tempo? 

A única capaz de adentrar a casa de Marga. E o doce de abelha há um ano guardado na geladeira.

Nada nessa vida é por acaso, e nem eu, a pisciana mais sonhadora dessa vida de Manoel Carlos poderia imaginar o que viria pela frente quando eu cruzasse a casa do Campeche; Você tem noção que passamos um Carnaval no Rio de Janeiro juntas, né? 

Fátima, estaremos juntas em Copacabana, Santa Cecília, Lajeado, Rosa, London, China, Allianz, Arena

Que dupla de águas formamos, hein?

Obrigada.





domingo, 4 de agosto de 2024

Mais um texto sobre o Rio

Alguns me perguntam: "mas você tá aqui ou tá aí?" e esse aí está mais natural do que nunca. Ao todo, foram mais de 50 dias no Rio, só esse ano, e estamos em abril ainda.

Maricá, Niterói (crush do ano), Rio (crush da vida). O Rio de Janeiro, olha sinceramente. É um deslumbramento que já dura mais de 10 anos e toda vez essa euforia e história e amigos e agora: um bebê. O grupo de amigos vai aumentando, alguns ficam, outros, do nada aparecem. Eu não sei explicar muito bem, mas agora já é uma forma de pertencimento e "fingir costume", começa a ser a vida real. 

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Ao Vivo

 Enquanto os Santa Ceciliers passeiam e exibem seus Dr. Martens pela Fortunato, eu recordo os outonos que passei em Dublin/ London. É, sem duvida, a minha estação preferida. Aqui, sao 6 meses de um calor infernal, e la, 6 meses de um frio lascado. Nada como o equilíbrio outonal. Sol com brisa gelada. Tudo para mim. Ainda que a saudade lateje, eu me sinto cada vez mais PaulistanaCarioca. Aqui a vida flui perto dos meus. Cada demanda que a gente resolve diariamente. Uma luta pra colocar uma kitnet nos eixos e fazer todos os pratos virarem. Mas ai, a vizinha me mostra o minúsculo espaço em que divide com a filha na cama, e ela está me contando feliz, sem vitimismo. Quem sou eu pra reclamar de alguma coisa? Cada portinha desse corredor guarda uma angústia, assim como a minha. Mas no final das contas, a alegria e o prazer da vida conseguem se sobrepor.

domingo, 12 de maio de 2024

Como explicar?

 Eu moro na Santa Cecília há dois anos. Num apartamento delicinha, arejado, bonitinho, tudo para mim.
Sempre, SEMPRE, tranco a porta, mas confesso que algumas vezes eu esqueci ela aberta. Errei, fui moleque.

Corta pra quinta-feira 09/05/2024, depois de assistir o jogo do Palmeiras, estava eu aqui em casa ouvindo um som (eu estava de folga na sexta-feira), escurinho delicia, acenderia um incenso, para finalmente me deitar, sabe o episódio do Friends, que o Chandler pede a Mônica em casamento? então, era esse aí que ue ia assitir.

Quando do NADA, minha casa foi invadida por duas pessoas que eu não sei quem são, não sei de onde vieram, não sei o porquê de terem pisado aqui. Eram dois homens. Fecharam a minha janela, me jogaram na parede da sala, levei um chute na boca. Não lembro de mais nada. Acordei 6h com a boca inchada, meu celular estava travado (Iphone Indisponível), e minha chave, que leva o chaveiro com o Grinch, quebrada.

Desci desnorteada para a portaria, o porteiro até entender o que eu estava falando, puta merda.
Subi, toquei na casa de uns vizinhos queridos, que me acolheram, me ajudaram e finalmente chamamos a polícia.

Eu estava muito aérea com tudo o que estava acontecendo, mas a policial me disse para fazer um boletim de ocorrência e corpo de delito.

Assim começou o meu final de semana, e a minha folga.

Quem foi? E o porquê fez isso? é o que me martela na cabeça há 3 dias sem parar.
Troquei a fechadura, os miolos, coloquei uma tranca na porta. Agora estou segura? E se derrubarem a minha porta novamente?

Quem me conhece, sabe que eu sou uma mulher de fé, e que Santo Antonio não falha comigo.
Mas até nisso fui julgada por alguns olhares do bairro.

Ser mulher solteira, independente e sozinha, tem dessas.
Será que invadiriam a minha casa se eu casada estivesse? Se tivesse um homem aqui, alguém invadiria o meu aparamento?

Pelas imagens das câmeras que eu assisti, junto ao corpo diretivo do Condomínio, pudemos perceber que não entrou ninguém de fora, ou seja, quem cometeu esse crime mora aqui, sabe que eu moro sozinha, sabe de toda a minha rotina, vocês tem noção da gravidade disso?

Há males que vêm para o bem: meus vizinhos são uns queridos, meu pai me ajudou, rapha veio, meus amigos jornalistas ficaram putos e um grande amigo advogado disse que esse caso ele ia acompanhar de perto.

Quem vê stories, não vê a vida real.
Foi duro PRA CARALHO, mas a gente vai seguir nessa história até o fim.

"Sou como a haste fina
Que qualquer brisa verga
Mas nenhuma espada corta"












terça-feira, 7 de novembro de 2023

Good morning

 Hoje eu acordei.

A sensação é que eu dormi pelos últimos xxxx dias e levantei hoje como se nada tivesse acontecido.
Quer dizer, eu tive uma puta insônia, como se a minha mente estivesse gritando comigo de que ela já não podia mais um dia naquela mesmice. E ela gritava alto, brava mesmo, e então perdi o sono e fui inventando planos mirabolantes pra ver se finalmente eu adormecia. Quanto mais eu tentava relaxar, mais informações iam surgindo e o plano foi tomando tanta força que fui obrigada a fazer o café às 05h30 da madrugada. Parabéns mente, você venceu!

Liguei a TV como todos os dias, abri a página do jornal, e a sensação estranha de "onde eu estava esse tempo todo?" foi ficando cada vez mais forte e esquisita.

Olá Santa Cecília, olá janelona linda, oi cozinha azul com azulejo de flor, como vocês passaram?

Uma claridade invadiu o apartamento.
Sonhos, planos, vitalidade. acho que sonhar e depois de tanto tempo encontrar um novo sonho me deu uma energia acumulada nos últimos 04 meses. Carregou toda a minha bateria e eu sai da tomada.

tudo normal por aqui.

faltam 98 dias para o Carnaval.


domingo, 5 de março de 2023

Pós apocalipse ou depois do Carnaval - parte 1

 Agora que você foi embora, pegou suas últimas peças de roupa, esqueceu alguns potes de purpurina no banheiro azul, por mais que eu tenha implorado pra você ficar, você se foi, Carnaval, e na verdade eu entendi que você tinha que ir, te dei um beijo no rosto e um abraço bem apertado porque agora são mais 300 dias esperando até que você volte novamente etc. 

Agora são 07h de um domingo fresco na cidade de São Paulo e o meu fuso horário continua ativo como se aqui você estivesse. Eu treinei o corpo, os pés e as pernas desde dezembro pra poder aguentar o tranco, e aguentei, mas o fim do ciclo é mais demorado do que eu gostaria e pra ser sincera eu adoraria ainda estar dormindo, mas vou aproveitar essa paz e silêncio pra escrever essa carta pra você.

Esse ano você botou pra quebrar, hein?
Nada como um bom planejamento na ponta do lápis, rascunhando e organizando essa festa gigantesca, linda e perigosa! Você é tão poderoso e fiel que foi tirando as pedras do meu caminho e soprando no meu ouvindo a importância de manter o foco para quando você enfim chegasse. Foi dureza, lágrimas, mas deu tão certo, tão certo que eu apenas consigo te dizer muito obrigada por mais um ano!

Foram 24 dias no Rio passando por Santa Teresa, Nikiti e Botafogo numa catarse sem igual.
A fantasia de Janja, tal e qual combinamos foi um golaço! Dançar de frente pros militares armados num sol de 50 graus ouvindo Beattles, suar o biquini no Ogodô do Aterro e seguir num crack sem nome andando até a Praça XV já com o sol se pondo, pegar o Sinfônica Ambulante estando dentro do grupo de músicos de Nit com meus netos, O Cachorro Cansado lotado que fez com que eu recalculasse a minha rota e cruzasse com bairristas raiz num boteco mais raiz ainda. 

Você me inspira e me guia tanto que eu sempre dou de encontro com pessoas especiais que fluem na mesma energia que eu, e é por isso que eu continuo amando me perder no bloco e me encontrar, pra depois me perder de novo e assim sucessivamente até que os meus calcanhares gritem que chegamos no limite, mesmo o coração querendo sempre mais.

Embaixadores da Alegria, Céu Na Terra e Bloco das Tubas
Os três blocos mais especiais desse ano, pra variar, eu pulei sozinha e não quero parecer egoísta, mas a parada flui melhor assim e eu só posso seguir os ventos que o Carnaval me traz. Na sexta de abre-alas parti pro Buraco do Lume atrás do bloco do Vaca Atolada, eu odeio a sensação de ter perdido o bloco pq pra achar é uma trabalheira danada, mas enfim o achei, e era somente o começo, aquela sensação de "enfim você chegou", de quebra encontrei Manu da Cuíca e a agradeci pelo samba da Mangueira de 2019. O Carnaval e suas surpresas: No samba pós bloco, já no Vaca, na minha Lapa caótica,  eu simplesmente dei de cara com Gleisi Hoffmann -Presidente do PT!-  e a energia era tanta que eu virei a noite tomando cerveja no Amarelinho (sempre muito apaixonada etc), e decidi tomar um cafezinho para então finalmente subir Santa Teresa e pegar o Céu Na Terra no começo!

No trajeto para subir Santa o descontrole começou: Taxistas e Ubers não sobem o morro, eu não subo em moto, e o jeito foi subir nas pernas com um povo que eu cruzei pelo caminho. Santa Teresa esse lugar que eu quase não amo, é pra ir andando? Pois então vamos nessa! (haja cerveja, GT, café, joelho, água, Trident). O dia já estava quente e era apenas 08h da manhã. Meu deus o Céu Na Terra vai sair, que emoção. É claro que meu ego gritou dizendo que eu tinha de estar bonita e com meia arrastão e com sei lá qual tiara, mas o Carnaval muda as rotas, esse pisciano safado decide tudo no meio do caminho e eu estava sem maquiagem, com restos de purpurina e um look totalmente X, mas enfim lavei a alma descendo pelas vielas de Santa, era paralelepípedo e e escadas que não acabavam mais, as ruas abarrotadas de uma gente colorida, livre, feliz e aliviada. É Sábado de Carnaval, porra! O dia mais legal do ano, segue o bloco. Segui, e obrigada mais uma vez, meu amor, por ter me dado a oportunidade de esclarecer uma parada séria no meio do bloco. Ou as mulheres se unem contra a machistada e desmacaram narcisistas baratos e manipuladores, ou esses merdas vão continuar mentindo e enganando mais e mais, aqui não violão, aqui o papo é retão! Fim de bloco.

Uma vez me disseram em tom de deboche: "Você nunca pegou o Bloco das Tubas à noite, né? Não sei se você aguentaria."

Corta pro domingo de Carnaval:
Mariguella não segurou o tranco e descarregou. Era domingo à tarde e o Tubas sairia somente 20h, mas o que é que eu vou fazer até lá, meu St. Antonio? Segui o fluxo atrás de um bar cujo pudesse carregar o meu celular e eternizar esse blocão noturno que sai apenas da Candelária, puta merda!
Deu tudo errado, mas também deu tudo certo, eu me enfiei num inferninho da Lapa, carreguei meu celular, tomei banho (hahahahahaha senhoooora), arrumei briga, chorei, ajudei uma ambulante, cruzei com franceses, ensinei um hipster lindo a chegar na Candelária, quase fui pega por trombadinhas, fiz amizade com mais um ambulante e finalmente depois de todo esse pequeno apocalipse (é bom estar preparado para mais um capítulo ao vivo de The Last os Us), eu encontrei o Bloco das Tubas! Puta que pariu, que blocaço!!!!

Lotado, lindo, emocionante, um bloco que dá olé nos foliões, fingem que vão seguir por um caminho e se enfiam numa ruela paralela fazendo com que a gente volte tudo correndo, à noite, pelo centro do
Rio de Janeiro. Foi tão perfeito que até corda eu fiz, porque eu posso ser de SP, mas se tem uma coisa que eu manjo nessa vidinha é pular bloco no Rio e com licença vou proteger os músicos sim senhor. Joelho um pouco ralado, calcanhares sangrando, tomamos uma chuva homérica, mas a sede do folião depois de 2 anos de pandemia e 4 do pior Governo, a sede de quem enfim tem um Presidente para chamar de seu, a sede de quem se entrega de corpo, alma e coração ao corpo de baile, eu avisei meus pés: infelizmente vocês vão ter de aguentar sim, daqui não saio, daqui ninguém me tira.

No fim, quando eles pararam de tocar, eu tinha andado sei lá quantos quilômetros (sempre muito apaixonada rs, a paquera com homem carioca me pega de um jeito), quando as tubas foram para o alto e as palmas surgiram, só então eu dei por encerrado o domingo de Carnaval e voltei pro hostel (e lá a festa começou novamente com direito a um italiano dizendo que levou o pai na Igreja de Padova, Santo Antônio de Padova e eu de frente pro Cristo só querendo chorar e aliviar a tensão e emoção por tudo o que eu havia vivido naquele domingão). 

Pois bem senhoras e senhores ainda tem muita história para contar desse espetáculo catártico, que me inspira, motivo do meu choro, razão pela qual eu me organizo, brigo e bato o pé, festa pagã perfeita e também cheia de percalços, o assunto que faz com que eu fiquei hoooooras falando sobre, o Carnaval é tão fantástico, lindo e poderoso, meu Carnaval soberano, você sabe, né? Você sabe sim porque eu converso com você, obrigada por TUDO, estamos juntos, estamos fechados! E é como eu disse, escrevi e cravei: Ninguém toca no meu Carnaval. 



 


 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

30

 Faltam 30 dias para o Carnaval.

"O meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio
Vivo de cara pra o vento na chuva e quero me molhar"