domingo, 3 de abril de 2022

Conexao Dublin - SP

A noite que invade a cidade é tão cinza quanto uma outra mais fria que já habitei por ai. Minha mãe e minha cachorra sentem frio, enquanto eu trajo shorts e camiseta. O cinza já não  me é estranho, tão pouco o frio, frio em SP? ah me ajuda!

Enquanto embalo caixas para iniciar um novo capítulo na capitar, sinto o ar fresco que invade a sala. Diferente da outra sala, aquela da Parnell com janelão e flores no parapeito.

São quase 4 meses de uma velha nova vida por aqui ainda que eu siga conectada com a minha Dublinia.
Não só pelos amigos, pelas notícias, pelos stories, pelos áudios dos meninos que cuidei, mas é como se eu estivesse lá estando aqui, e eu já vivi isso ao contrário.
A playlist indie rock continua em looping mesmo estando em  outro continente, é o jeito que encontro de não me distanciar da língua que tanto labutei pra dominar.

Sou obstinada, quando tenho foco vou até o fim até que todas as cartas do baralho estejam descartadas, e por isso vou caçando jeitos de não perder o inglês. E eu não vou perder. não admito. Não sou obrigada

O cotidiano de viver SP, o ano eleitoral, a carreira, os executivos e o bilinguismo me convocam pra projetos que nem estavam planejados, mas ganhar dinheiro, quem não quer? Eu quero e muito, mesmo que seja pra trabalhar aos sábados, como fiz hoje, como fiz lá, e como meu amigo me ensinou.

Não sei do futuro,
pela primeira vez na vida não tenho um plano porque a vida se apresenta no agora e no agora tantos caminhos são possíveis.

Uma coisa é certa, acho que vocês ja sabem - eu amo muito SP, esse moedor de carne ao vivo, mas eu também amo tanto minha Dublinia, ambas cinzas, eu não me lembrava que São Paulo era tão cinza assim.

vou transformar a ansiedade em experiencia, dinheiro, e historias pra contar.

por agora, o que adianto é que voltei a escrever. e vai ter Carnaval em abril.

voltamos em breve com mais informações diretamente da cidade de Sao Paulo, Nathalia Brasil para o SPTV,

Tramontina.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Iansã

 Senhora das nuvens de chumbo

Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Pegar o touro pelo chifre

 Querido diário, tomei as duas doses da vacina, hoje começa o outono em Dublin, aquele genocida filho da puta ainda não caiu.

Voltamos.

É sempre bom lembrar que eu não posso me dar ao luxo de deixar a vida me levar pq primeiro odeio essa zorra toda de vida desorganizada, segundo que nada melhor do que uma boa meta pra alcançar, daquelas em que a gente se mata pra atingir, mas quando dá certo temos a deliciosa sensação de dever cumprido. Eu amo e tô me desdobrando pra bater a meta do ano e depois dobrar a meta, saudades Dilma <3

Faz um mês que eu terminei o trabalho com Santa Ceciler e Faria Limer e foi muito mais difícil do que eu imaginei. Depois de passar duas semanas em Westport com aqueles malucos eu voltei pra Dublinia com o coração cheio de saudade e boas memórias. Agora comecei um novo capítulo com uma garotinha muito fofa e boazinha, mas não quero me apegar pq depois quem sofre é a Minder pisciana. 

Eu invento umas coisas e saio colocando tudo em prática igual uma maluca, mas não é que as vezes o negócio da certo? 

Com a vida voltando ao normal eu decidi mais uma vez arregaçar as mangas só pra finalizar os projetos com chave de ouro, sabe pq? Às vezes temos que pegar o touro pelo chifre, sendo que no caso o touro sou eu mesma, então já imaginou a treta.

 Vou deixar tudo em ordem, limpo e organizado, voltar pro eixo, meter as caras usufruindo do poder da minha liberdade, ser livre é bom demais. 

É a raspa do tacho na Ilha Esmeralda e vai ser daquele jeito: naquele naipão. 


segunda-feira, 31 de maio de 2021

Vida Verão

 Vem chegando finalmente o verão em Dublin, mas é aquela coisa: dois dias sol, quatro com chuva e assim a gente segue. O plano de vacinação avança ainda que lentamente e se tudo correr bem devo tomá-la em julho, oremos! 

Com mais um ano de pandemia e num país frio como a Irlanda é quase impossível que a galera não ocupe os parques, ruas, canais e qualquer espaço em que haja raio de sol quando somos presenteados com dias claros e de calor.

 As ruas estavam lotadas e o Stephens Green bombou, tinha gente jogando futebol no meio da rua, caixa de som, pints à venda, um vai e vem pela George Street que me lembrou final de bloco, e se por um lado dava muita alegria por sentir que a vida enfim está voltando ao normal, é também muito esquisito quando vai chegando mais gente e mais gente. Será que um dia vou me enfiar na saída da Charanga do França sem ter medo e agonia? 

Ontem caminhando pela região mais cool da Dublinia eis que vejo duas amigas no exato momento em que se reencontraram: se abraçaram e se beijaram como quem mata a saudade, a vida mesmo é bem bonita de se ver e eu passei a valorizar os pequenos momentos depois da pandemia. 

Pandemia, saca? Pandemia + Governo Bozo, a vida real fica pesada pra caralho, por isso meus amigos, valorizem os momentos em que a felicidade bater por mais simples que seja, acho que isso é o mais importante, defendam os seus (e o SUS), vamo pra rua pra derrubar esse escroto genocida e seguir, o Brasil é bem maior que isso.

Aos fiscais do Covid: aqui em Dublin está liberado ir para a rua, ok? Ah tbm nao precisamos usar máscara na rua e nao, eu nao me aglomerei, eu estava apenas com os meus amigos, valheu. 


sexta-feira, 5 de março de 2021

Esgotamento

 Ando cansada, muito cansada. Um ano inteiro de pandemia, mais um ano em Dublin, quase um ano de dedicação total aos dois meninos que eu cuido, a mesmice e sensação de estar dentro da máquina de lavar a semana inteira: tudo igual. Eu nao aguento mais brincar de carrinho, bola, restaurante e nem assistir Peppa Pig. Os meninos crescem e o tédio do isolamento também chega pra eles, que sem amigos ou possibilidade de fazer algo diferente me exaurem sentindo que eu sou a responsável por entretê-los todos os dias. Esse frio do caralho de dublin não vai embora e eu ainda tenho que levá-los pra andar não importa se a sensação térmica é de -2. Haja saco. A porra do chuveiro da minha casa não esquenta e eu estou de saco cheio de dividir o quarto. Nada novo sob o sol, as reclamações são todas iguais também. Voltar pro Brasil está fora de cogitação e se você é brasileiro e lê esse texto eu espero não ter que explicar o porquê. Cansa. A cabeça num looping. Eu já fiz meditação, escutei 700 podcasts, tomei mil cervejas, dancei as mesmas playlists, nunca mais fui em uma festinha, nunca mais desbaratinei, a esperança anda à míngua e se eu disser que sinto vontade de morrer lá vem o povo que não entende. Eu realmente não aguento mais e também sei que também não posso parar pq até nisso o capitalismo se mete: sem dinheiro a chance de conseguir atingir os meus planos é nula, uma vez que não nasci rica. Queria morrer por 15 dias e depois voltar. Nem BBB nem A Viagem e nem Laços de Família ajudam. 

Pelo menos o Caetano foi vacinado. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Winter Time

                                                      Dublin, Woodford


O novo ano, esse cujo esperamos tanto, chegou chegando! Eu de PG, linda, animada, cercada pelos amigos que tanto gosto, o amigo que gosto tanto, o corte seco que me surgiu inesperadamente, porém, necessário, lágrimas, risos e gritos. Foi um festão. Fiquei triste, remoendo, mas agora eis que passou, ufa! me sinto leve, serena, plena e preparada! Os planos eu já escrevi e do que depender de mim, vão sair do papel, ahhhh se vão! Eu me jogo real, e não tô nem aí.

A semana começou colocando toda a rotina no lugar. Meus meninos, tretas, broncas, brincadeiras e: Neve!
Dublin amanheceu branquinha, com floquinhos de gelo pairando sob o meu rosto enquanto eu esperava o bus! Que pira! 

O inverno está tão bonito esse ano com pouca chuva, muito frio e sol. Tem saído aquele sol de filme com céu rosa meio algodão doce. É lindo de verdade e ainda que as minhas mãos queimem quando me esqueço de pegar as luvas, ainda que eu tenha que vestir duas calças e o sobretudo, tenho vivido dias muito bonitos. A verdade é que o frio acostuma, o que me fode é a chuva e as longas horas das noites que começam às 16h30 e terminam 08h30 quando a fraca luz do dia aparece. Essa sem dúvida é a pior parte. E haja vinho, haja comida, haja mente forte pra aguentar e esperar que logo mais tudo volta ao normal.

                                                      PG: Pomba Gira petralha


Acho que pra esse ano eu quero ser menos falante, quero me reinventar numa persona que ouve mais do que fala, e opina menos, e tem menos que sentir, ainda que eu não saiba ao certo como é que se racionaliza sentimento e se altera a personalidade. Não quero mais ouvir aquela frase e nem ser mal interpretada, por isso, quem fala menos tem menos chance, né?

Também quero arrasar com o meu trabalho, a minha nova carreira, quero abundância pra ter uma vida ainda mais confortável e quero aprender de uma vez por todas em quem é que eu posso confiar, porque eu entendi que essa lenga lenga só vai acabar quando eu me modificar, passar pelo papelão que passei na festa não quero nunca mais. O medo de perder ainda surge, mas eu tô preparada e eu sou de verdade! então pouco me importa ser cortada de festas e de momentos com pessoas em quem não posso confiar.

Preciso trabalhar aquela parte ruim da minha personalidade. Não dá mais pra ser assim e eu odeio rememorar e rememorar e rememorar e rememorar e rememorar e rememorar uma coisa que já passou.

A vida aqui pegou o ritmo que eu sempre quis. Agora eu sou bilíngue de verdade. Atingi tantos objetivos, alcancei tantos sonhos, agora é hora de me preparar pra voar mais alto, sabe quando o Mário Brós precisa passar a fase do cano pra zerar a estrela e chegar no chefão? é nessa fase que eu tô, e eu vou passar! Não tem piranha nem peixe voador que me segure.

Eu sou muito sortuda e muito grata por todos os meus amigos, mas eu sei o  a energia que eu ponho
pra tê-los por perto, pra me fazer presente seja no Rio, SP, Dublin, Fortaleza, Floripa, Joinville, Bahia. Amizade é coisa séria pra caralho.

Não vejo a hora de ser vacinada, virar jacaré, aprender a tocar saxe e sair tocando no Me Enterra na Quarta e na Charanga! Ninguém me para no Carnaval de 22. E o Bolsonaro que morra, que se exploda, que vire pó.

Agora em Dublin temos -2, tráfego segue tranquilo no sentido Norte e Sul, a previsão é de sábado de sol e poucas chances de chuva, seguimos no vinho, no som e nas boas novas.
Nathália Brasil para o SPTV, Tramontina.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

The Christimas Movie

 


Apesar de me chamar Nathália, nada tenho de Natalina. Não gosto do Natal, acho uma aporrinhação fake e extremamente capitalista, cujo todo mundo tem a obrigação de celebrar e ser feliz e dar presentes e o amigo secreto da firma, o jantar rodeado de parente bolsonarista, aquelas fotos bregas que em meio ao calor do verão brasileiro pagam pau pro inverno americano e europeu, acho o fim da picada quem só vai à missa no Natal, o papai noel, enfim, um saco. Eu sempre passo por essa data mirando o Carnaval, esse sim o melhor feriado mundial. Só que esse ano eu me lasquei. Me envolvi emocionalmente com as melhores crianças que essa Irlanda pariu, dois moleques atentados, lindos, amorosos e educados que por mais que eu tentasse separar como um trabalho, não teve como: foi o melhor match que me aconteceu desde que cheguei em Dublin. 



Eu sou completamente apaixonada por Senan (4 anos), e Mannix ( 2 anos e meio). Eles me alegram, me ajudam, me ensinam inglês, eles me tiram da depressão e foi cuidando deles que acabei ganhando uma família Irlandesa. Essa na verdade era a minha meta do ano passado quando me mudei pra viver numa família Irish. Só que eu cuidava de uma adolescente nojenta e deu tudo errado, quando vi, estava em Amsterdam fingindo que o Natal nem existia. 


Dai nesse ano, eu muito bocuda, disse pro Sen que não gostava do Natal. Ele ficou chocado, pq pra ele, do alto dos seus quatro anos, como assim uma pessoa que não curte essa data tããão especial??? Pois é.

Eu sou o Grinch, o bicho verde que odeia o barulho do Natal e aquela loucura toda. Inventei de assistir o filme com ele e qualoquê ví aquele par de olhos azuis me olharem com um ar triste e ele me perguntou: " Do you like Christimas, now?", and I said: "No".



Duas semanas se passaram até que eu levei um grande susto: a mãe deles (Jacqueline), Irish gatíssima do interior da Irlanda me convidou como quem induz: "Eu gostaria muito que você viesse no nosso jantar de Natal, não é nada chique, e você não vai ter que trabalhar, traga o que você gosta de beber e traga um Pudim (de leite condensado)."

Os irlandeses, assim como os ingleses, são fechados para caralho. Não é comum convidarem alguém que trabalha pra eles participar da data mais especial do ano. Senti que era meu dever ir, como um presente para uma criança de quatro anos que me ama puramente sem qualquer interesse. 

Lá fui eu encarar mais um período Natalino, escrevo no passado porque isso começou há uns 15 dias.
Segunda-feira passada cheguei pra trabalhar e me deparei com uma árvore de Natal gigantesca, daquelas de filme mermo, ele me olhou como quem diz: "e aí, vai gostar do Natal ou não vai?", eu mandei um "Uaaaaaauuuuu", e logo incorporei minha melhor versão natalina. Celebrar essa data com crianças é outra história, eles acreditam que o papai noel vai jogar os presentes pela chaminé e que ele está vendo tudo do alto de sua charrete, e a neve, e os veadinhos que a puxam etc e tal. 

Não tive como não ceder, mas mesmo assim fico emotiva, a saudade do brasil e dos meus pais e tudo mais...

Oficializei o convite e disse logo que serei o próprio Grinch, porque tudo tem limite nessa vida e eu posso até curtir, mas calma lá que meu negócio é aglomeração e bloco na rua.

Essa semana foi um verdadeiro filme de Natal com direito a fogo na chaminé, embrulho de presentes, calendários lúdicos contando os dias, músicas natalinas, jumpers, pesquisas de presentes e cartas para o papai Noel. Se um dia fui contra o Natal não me reconheço.

Sen está feliz da vida após ter amolecido o meu coração peludo e verde.

Lá vou eu dia 25 levando presentes e com um pudim de leite moça na mão.
Que tudo dê certo e saia como o planejado. Talvez eles conheçam uma versão diferente da "Mathalia" childminder, talvez eu chore ao abrir o presente que está enfeitando a árvore com uma tag em meu nome.

Só falta nevar pra ficar ainda mais cinematográfico. (espero que não do fundo do meu coração).

Tá frio pra caralho, a cidade todinha enfeitada, a galera gastando como se não houvesse amanhã, mas acompanhar toda essa saga irlandesa raíz de perto, é sem dúvida, sensacional.

Então é Nataaaal!!!!


pra eu aprender o poder e singeleza que as crianças têm.



É por você Senàn, por você e pelo teu irmão.


Da babá que te ama demais,
Mathalia.