quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

The Christimas Movie

 


Apesar de me chamar Nathália, nada tenho de Natalina. Não gosto do Natal, acho uma aporrinhação fake e extremamente capitalista, cujo todo mundo tem a obrigação de celebrar e ser feliz e dar presentes e o amigo secreto da firma, o jantar rodeado de parente bolsonarista, aquelas fotos bregas que em meio ao calor do verão brasileiro pagam pau pro inverno americano e europeu, acho o fim da picada quem só vai à missa no Natal, o papai noel, enfim, um saco. Eu sempre passo por essa data mirando o Carnaval, esse sim o melhor feriado mundial. Só que esse ano eu me lasquei. Me envolvi emocionalmente com as melhores crianças que essa Irlanda pariu, dois moleques atentados, lindos, amorosos e educados que por mais que eu tentasse separar como um trabalho, não teve como: foi o melhor match que me aconteceu desde que cheguei em Dublin. 



Eu sou completamente apaixonada por Senan (4 anos), e Mannix ( 2 anos e meio). Eles me alegram, me ajudam, me ensinam inglês, eles me tiram da depressão e foi cuidando deles que acabei ganhando uma família Irlandesa. Essa na verdade era a minha meta do ano passado quando me mudei pra viver numa família Irish. Só que eu cuidava de uma adolescente nojenta e deu tudo errado, quando vi, estava em Amsterdam fingindo que o Natal nem existia. 


Dai nesse ano, eu muito bocuda, disse pro Sen que não gostava do Natal. Ele ficou chocado, pq pra ele, do alto dos seus quatro anos, como assim uma pessoa que não curte essa data tããão especial??? Pois é.

Eu sou o Grinch, o bicho verde que odeia o barulho do Natal e aquela loucura toda. Inventei de assistir o filme com ele e qualoquê ví aquele par de olhos azuis me olharem com um ar triste e ele me perguntou: " Do you like Christimas, now?", and I said: "No".



Duas semanas se passaram até que eu levei um grande susto: a mãe deles (Jacqueline), Irish gatíssima do interior da Irlanda me convidou como quem induz: "Eu gostaria muito que você viesse no nosso jantar de Natal, não é nada chique, e você não vai ter que trabalhar, traga o que você gosta de beber e traga um Pudim (de leite condensado)."

Os irlandeses, assim como os ingleses, são fechados para caralho. Não é comum convidarem alguém que trabalha pra eles participar da data mais especial do ano. Senti que era meu dever ir, como um presente para uma criança de quatro anos que me ama puramente sem qualquer interesse. 

Lá fui eu encarar mais um período Natalino, escrevo no passado porque isso começou há uns 15 dias.
Segunda-feira passada cheguei pra trabalhar e me deparei com uma árvore de Natal gigantesca, daquelas de filme mermo, ele me olhou como quem diz: "e aí, vai gostar do Natal ou não vai?", eu mandei um "Uaaaaaauuuuu", e logo incorporei minha melhor versão natalina. Celebrar essa data com crianças é outra história, eles acreditam que o papai noel vai jogar os presentes pela chaminé e que ele está vendo tudo do alto de sua charrete, e a neve, e os veadinhos que a puxam etc e tal. 

Não tive como não ceder, mas mesmo assim fico emotiva, a saudade do brasil e dos meus pais e tudo mais...

Oficializei o convite e disse logo que serei o próprio Grinch, porque tudo tem limite nessa vida e eu posso até curtir, mas calma lá que meu negócio é aglomeração e bloco na rua.

Essa semana foi um verdadeiro filme de Natal com direito a fogo na chaminé, embrulho de presentes, calendários lúdicos contando os dias, músicas natalinas, jumpers, pesquisas de presentes e cartas para o papai Noel. Se um dia fui contra o Natal não me reconheço.

Sen está feliz da vida após ter amolecido o meu coração peludo e verde.

Lá vou eu dia 25 levando presentes e com um pudim de leite moça na mão.
Que tudo dê certo e saia como o planejado. Talvez eles conheçam uma versão diferente da "Mathalia" childminder, talvez eu chore ao abrir o presente que está enfeitando a árvore com uma tag em meu nome.

Só falta nevar pra ficar ainda mais cinematográfico. (espero que não do fundo do meu coração).

Tá frio pra caralho, a cidade todinha enfeitada, a galera gastando como se não houvesse amanhã, mas acompanhar toda essa saga irlandesa raíz de perto, é sem dúvida, sensacional.

Então é Nataaaal!!!!


pra eu aprender o poder e singeleza que as crianças têm.



É por você Senàn, por você e pelo teu irmão.


Da babá que te ama demais,
Mathalia.


domingo, 1 de novembro de 2020

Gatinho

 a mão do homem, a barba do homem, o cheiro do homem, ai que delícia. Às vezes ser hetero é uma grande luta pq haja saco pro macho, mas ai o homem. Que deliciaaaa. 

Digo e repito: nunca estive tão picareta em toda a minha vida. 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Ela é tão galera

 Tô bem puta, bem cansada de passar pelas mesmas situações e ser novamente o farol do rolê. Detesto ter que andar em ovos, não poder ser eu mesma, odeio ter que ficar me policiando até nos momentos que o objetivo é somente curtir. Vai ter sempre um filho da puta, hipócrita e defensor da família tradicional brasileira, porta bandeira dos direitos e dos bons costumes, só que na moral: eu caguei. O ano já tá difícil, pesado, aquele presidente burro dos infernos, a segunda onda do Coronga, o frio e a saudade e ainda me vêm encher o saco pq eu bebo e danço? Olha me poupem e vão todos se foder. Eu não vou jamais deixar de ser quem eu sou e a mulher que eu tanto lutei pra ser. Sempre vai ter chumbo grosso vindo pra cima de mim pq eu nao tenho papa na língua e pq eu cago pro machismo estrutural que surge sempre quando alguma mulher “quebra” uma regra. Pagar pau de gente chata, puxar saco pra se incluir e ficar de tititi pelas costas nunca foi meu perfil. Até que ainda dói e me incomoda, mas sabe o que aconteceu quando eu tentei ser a fofa enquadrada dentro do estereótipo de boa moça? Me ferrei e não foi pouco, por isso, hoje em dia eu ponho meu pé no freio, mas eu não estaciono. Vou seguir mesmo com toda essa merda de julgamento da vida alheia, pq no final te julgam sempre a todo momento. Valorizo a amizade como algo muito importante na vida, mas tudo tem limite. E como já disse a minha musa Rita Lee: “ai ela é toda boazinha, ela é toda do bem, ela é tão galera,  ah vai se foder, saca? Chata pra caralho!” Eu tô com a Ritinha e não abro. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O medo do macho

Eu acho o fim da picada que em outubro de 2020 os homens ainda não saibam lidar com mulheres independentes e que só os desejam sexualmente falando. Machistada do caramba, você pega o cara porque ele tem uma pegada boa e ele vem com papo de “ai não vai se apaixonar”. Amadoooo!! Dia desses eu mandei a real bem direta pro boy e fui clara em relação às minhas intenções. Ele não só me ignorou, como ainda continuou fazendo um joguinho barato. A maturidade ali passou bem longe. O outro achou que eu ia querer dormir de conchinha kkkkkk. É complicada a vida do crente. Agora junte tudo isso com um oceano de distância, fora da minha bolha esquerdista delicia, com toda a sorte de estilos, conversas e tudo mais, ser solteira em Dublin no meio da pandemia não está fácil. E olha que eu estou plena e bem resolvida, porque também já tive meus momentos de querer uma relação séria e etc. Agora eu só queria ir no quarto em Terenure novamente e fazer peripécias pra depois acordar feliz e vir embora, mas a burocracia é enooooorrrrme! Os caras falam que as mulheres complicam, mas quando você manda o papo reto de que não tá envolvida e só quer uma boa transada eles ficam em choque ou começam com um mimimi que não dá. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Hoje não

 hoje eu não queria trabalhar, muito menos brincar e cuidar de crianças, embora eu as ame e ame muito o que faço. Hoje eu não queria ler nenhuma notícia, sequer as manchetes ou o sobre o último pronunciamento do burro, mesmo sendo jornalista e habitando uma bolha forte e segura, hoje se eu pudesse eu não saberia ler. Não pensaria sobre o futuro aqui ou sei la onde, não seria responsável nem cumpriria minhas responsabilidades, hoje se me possível fosse eu sumiria do mundo e fingiria demência completa. Acho que as crianças sentem essa energia e ao passo que não quero nada, elas me cobram que eu faça tudo. Nenhum desenho animado ou jogo, nada de nada, justo hoje eles querem a minha atenção e o meu carinho, mas hoje não eu berro em silêncio. Não tem café na porra dessa casa e é claro que justo hoje sob a minha negação de tudo e todos tenho que ir nesse frio do caralho buscar a outra criança na escola, um frio de merda e a alta chance de cair água do céu. Por favor, hoje não, vida e a vida responde hoje sim, agora sim, right now! Segue teu baile. 



Que ódio. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Tudo

Mais um outono nessa terra fria e chuvosa, a saudade dos meus que cresce a cada dia, a vida que ganha mais movimento do lado de cá, laços e relações, eu magra novamente e na melhor versão picareta (ninguém me para quando eu engato esse mood), o frio chegando, milhões de planos, um só coração. 

Dublin brincando com a minha cara novamente. 

E agora?

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

À galope

 Tenho passado por tanta coisa que até fica difícil de escrever. Um vai e vem danado pela Dublinia bem do jeito que eu gosto ( e canso), a vida anda, mas às vezes ela dispara num galope e eu me perco. Me perco, me acho depois me perco de novo dentro de varíos eus e outras versões que nem me reconheço. Tenho vivido tudo o que há pra viver, tal e qual disse Lulu Santos naquela antiga canção. Entre o trabalho de babá, a vida de estudante e a experiência de imigrante vou tateando a parede escura do corredor pra mais uma noite de sono. Tem muita gente me enchendo o saco, alguns sentimentos ainda não esclarecidos, tem gente que vai e vem o tempo todo, a felicidade balança na corda bamba de sombrinha, como cantou Elis. Se fico feliz, fico muito, mas quando caio eu vou até o último suspiro ralando a cara no chão do poço. Não é fácil. Meu coração é um só e cabe tanta gente, mas quem será que merece de fato estar dentro dele? 

O processo de auto conhecimento é uma dureza sem fim, mas minha cabeça vai me guiando e gritando quando se faz necessário. 

Eu nem imagino como tenho passado por tudo e estamos quase em outubro novamente. 

Organizar, planejar, rascunhar e realizar.

Meu mapa astral é quase todo em capricórnio e como as cabras eu tbm gosto de tudo muito bem claro, limpo r arrumado. As estratégias estão ai pra nos ajudar. 

Cair e levantar, esse é o movimento da vida.