sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pqna Dosagem...


... Sobre: Lições de Danuza

Estava eu sentadinha no banco da frente do ônibus tomando vento na cara, a vida é bela.
Entrou uma tiazona que com certeza não tinha mais que 58 anos. Bonita, visilmente saudável e com condições de seguir a viagem em pé. Olhei e não levantei. De acordo com o adesivo fixado na janela: "Dispõe sobre assentos reservados para uso por gestantes, mulheres portando bebês ou crianças de colo, idosos e deficientes físicos, nos veículos de transporte Coletivo de Passageiros. Ausente pessoas nessas condições, o uso é livre."
Nisso, a picareta ficou me olhando com cara de "jovem, sou velha, levante, por favor". Mais picareta que ela só eu. Continuei sentada. O cobrador então interveio: mocinha, deixa a senhora sentar aí. Caralhos! Levantei e disse: desculpe, é que não te considerei uma idosa, mas fique a vontade. A velhota ficou surpresa, meio passada me olhando. Já diria Danuza que os melhores foras a gente dá sem sair do salto, com sorriso no rosto e pra humilhar de vez.

domingo, 25 de outubro de 2009

Dias de Hebe


Escrevi há um tempo atrás um texto falando sobre minha chatice aguda. Atitudes e cenas que faziam com que eu me sentisse a pessoa mais chata do Brasil. O causo é que não são todos os dias em que acordo Dona Florinda. Tenho dias de Hebe, a graciiiiinha de viver! Acordo feliz, dou gargalhadas sem o menor motivo, sinto vontade de colocar todas as bijoux do armário e se deixar até laquê eu uso! Tirando a mania de dar selinhos por aí (seria demais, né?) decidi fazer a boa e velha listinha. Mas ao contrário da outra, essa lista é feliz!

Nos dias de Hebe eu:

- Amo todos. Os velhos, as crianças, os lerdos, os gagos, os gordos, o meu TCC, amo até minha vizinha que defuma o apartamento debaixo e faz com que o meu pareça uma sauna de tanta fumaça.

- Não sinto ciúme. Pensa numa pessoa dançando alegremente e não ligando se seu affair conversa com váááárias mulheres (não só conversa como fala ao pé do ouvido e ainda solta gargalhadas). E nem olha feio, e nem pensa no MADA. Em dias de Hebe ajo exatamente como a própria: cumprimento com dois beijinhos no rosto e sou capaz de elogiar a roupa.

- Faço amizades. No ônibus, no trem, na farmácia, na padaria, em frente ao hospital, em frente ao colégio, em frente a banca. Já cheguei a conhecer uma mulher que era de Ipatinga (MG) e vendia roupas. Estava em São Paulo a passeio e queria umas dicas de lugares legais. O papo fluiu tanto que quando cheguei ao meu destino ela quase pegou meu endereço pra poder me mandar uma toalhinha personalizada com o meu nome, atividade esta que sua mãe faz muito bem.

- Tenho nicks otimistas. "A vida é bela", "Pátria Amada", "Brasil um país de todos", "Zeefa Querida", "Vida cinza ou vida verde ou vida enrolada" todos esses subnicks são felizes. A galera não entende e nem precisa, mas adoro personalizar o nick de acordo com o dia. Mania, cada louco com a sua.

- Penso em ter dois filhos. Se for um casal: Luiz Felipe e Catharina. Dois meninos: Bruno e Guilherme. Duas meninas: Giovanna e Catharina.

- Ajudo as pessoas com o coração em paz. Ajudar eu sempre ajudo, mas não posso mentir que em algumas vezes não estou com vontade. Nos dias de Hebe fico feliz em ceder meu lugar aos mais necessitados, ensinar o caminho, ajudar a atravessar a rua (idosos), ajudar a carregar alguma coisa, faço até trampo que não é meu.

- Faço faxina.

- Leio todos os horóscopos (mas só meu signo, claro). Terra, Uol, Personare, Joaobidu, EstrelaGuia e qual mais eu achar pela frente, mas só acredito naquele que for mais legal.

- Ouço Sertanejo sem reclamar. Não gosto do ritmo e acho as letras péssimas. Em dia de Hebe pode.

- Bebo cervejas. É claro que em um dia lindo desses uma gelada não poderia faltar.

E por incrível que pareça tenho vááários dias de Hebe. Em um ano pode tirar uns 15 que com certeza a apresentadora baixa por aqui. =P


domingo, 18 de outubro de 2009

Pqna Dosagem


... Sobre: Tribos

Adoro saber que tem gente como eu que não prioriza o jeito de se vestir e não precisa fazer parte da massa, da moda, da imposição dos veículos midiáticos. Acalma me encontrar com todos os meus, que não chegam a ser amigos, mas fazem parte do todo. Já foi mais difícil compreender e aceitar as diferenças. Hoje afirmo com convicção que sou feliz assim. E como sou dada a estripulias, não adianta mudar. Serei aquelas velhas hipongas que andam na Paulista de chinelo e vestido levando um labrador na coleira. Vou tingir meu cabelo de Acaju, usar anéis e colares e, pra fechar, vou deitar na minha rede e ouvir Gonzagão que eu ganho mais.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sobre ex-amor


Encontrar um ex-amor é sempre complicado. Independente se vocês namoraram, só ficaram ou nem isso, se foi só amor platônico. Pode ser aquele cara que fez você suspirar quando estava ainda na sétima série e surgiu do nada na festa. Ou seu ex-namorado do colegial com quem ficou apenas quatro meses e foi de uma intensidade voraz. Nunca sei como me portar diante deles. Tenho medo de parecer oferecida ou metida por mais que sendo um ex-amor eu não deveria necessariamente me preocupar com o que eles pensam, mas na prática nem sempre é assim.

Os ex-amores nos conhecem bem, sabem o que podem e não falar, ou o que devem ou não dizer e é ai que mora o problema. Quando cruzamos com eles os papos são mais ou menos os mesmos: e a facul? e a família? e o trampo? e tá namorando? e depois de responder à todas essas perguntas fica um clima estranho no ar. Se ele jogar um charme, falar perto do seu ouvido e tocar levemente a sua cintura ai danou-se. Se ele não fizer nada disso você pensa por que diabos ele não te beijou ainda e assim vai. Porque no fogo da situação a gente quase não pensa nas conseqüências, e trazer de volta um amor do passado não dá certo. Pelo menos comigo, sempre deu rolo. Não é apenas uma ficada esporádica e fala-se sempre do relacionamento antigo, lembra-se da famigerada "época" e no final cada um pro seu lado, "foi bom te ver". E o sentimento de depressão se aloja.

Penso que cada ex-amor nos traz à tona uma forma de sentimento que estava quietinho guardado dentro do peito. Nem chega a incomodar, não atrapalha a vida, só está lá. E é por isso que os ex-amores não deveriam aparecer, ou melhor, deveriam sim, mas só de vez em quando, pra gente se dar conta do quanto já sofreu ou foi feliz por amor, das loucuras que já fizemos, os perigos que corremos, as lágrimas e gargalhadas tudo em função de uma pessoa que hoje em dia é apenas mais uma na multidão. Quanto de ilusão jogamos na história? quanto esforço, quanto ciúme e hoje ele me aparece do nada, me oferece uma cerveja como se nada tivesse acontecido? O buraco é mais embaixo.

Minha cabeça vai além e é por isso que sempre quando encontro um ex-amor me sinto mexida e vou pisando em ovos. Convém não beber demais, não conversar demais, nem olhar para trás. Ex-amor é igual a pão murcho: pode parecer fofinho, mas por dentro é insosso. E vida sem gosto não dá.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

E agora, José?


A vida é muito curta para se arrepender,
O tempo é a solução para todas as coisas.

Só me arrependo do que não fiz,

É melhor prevenir do que remediar.

Mais vale um pássaro na mão do que dois voando,

Quem desdenha quer comprar.
A vingança é um prato que se come frio,

Se não pode vencê-lo, junte-se a ele.

Faça aquilo que seu coração manda,
O que os olhos não vê o coração não sente.

O importante é fazer o que gosta,
Preciso ir atrás do leite das crianças.

Que confusão! Pra qual ditado dou ouvidos se um anula o outro?
É por isso que não gosto de frase-feita. Ao invés de ajudar, atrapalha mais ainda. Se já fico perdida imersa com as minhas angústias, conselho batido só faz embolar. Quem mandou ser boca aberta e pedir a opinião alheia, né? A gente tenta resolver da melhor maneira possível, mas chega uma hora que se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

E quanto mais vivo, mais acelerada fico. Tem horas que tento desligar, mas até a televisão chama na chincha: “Sei lá, a vida tem sempre razão, não há nada sem separação, a hora do sim é o descuido do não”, canta Chico na abertura da novela que também faz pensar. Dei pra procurar pelo em ovo, quando sossego arranjo algo pra me distrair e é claro que nunca é algo delicioso. São questões internas, sempre em busca de algum avanço. Faça o que digo, não faça o que eu faço, exclamam as amigas.

Questionamentos, sentido da vida, de onde viemos e para onde vamos, qual melhor caminho a seguir? Todos assuntos enfadonhos, que vez em quando surgem na cuca. Enquanto não encontro respostas que dêem o assunto por encerrado, sigo no balanço das ondas, não posso abandonar o barco, porque ajoelhou tem que rezar. E como diria Vicente Matheus: tá na chuva é pra se queimar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Chatice aguda


Tenho momentos de chatice aguda. Chata sou normalmente, mas nos momentos agudos nem eu me agüento. Tanto que resolvi fazer uma lista das coisas que me irritam em dias esporádicos.

Em dias de chatice aguda eu:

Odeio ouvir alguém chamar o cunhado de CU (e na maioria das vezes imendam a piadinha sem graça).

Não gosto que bebês olhem pra mim. Fica aquela situação chata, a mãe te olhando pra ver se você vai elogiar o filho e o nenê te olhando com cara de bobo. Na maioria das vezes desvio o olhar e finjo que não é comigo.

Detesto que me perguntem se estudei para prova. Isso me soa competição. Se digo que não estudei, a pessoa sempre fala que deu "uma lida mais ou menos". E se chego com a matéria na ponta da língua, a pessoa também sempre faz questão de lembrar algo que eu não disse, e aí fica aquela sensação de que vou mal na prova por causa da bendita coisa que não estudei.

Odeio ouvir no telefone: "lembra de mim?". Nunca lembro e me dá vontade de dizer algo bem X do tipo: é a esposa do porteiro da Sabesp, né? Aaah é você, Hitler?

Fico P da vida quando dizem: "E ai preparada?" Seja pra algum seminário, prova do Detran, apresentação no emprego, visita na casa da sogra, qualquer coisa. Nunca estou preparada. Posso estar pronta para começar, mas 100% preparada psicologicamente, nunca. Isso demanda muito mais tempo.

Não quero fazer amizades. Você tá dançando alegremente, achando a vida o verdadeiro mar de rosas, não quer nada, nem conhecer o príncipe. E é justamente nessa hora que alguém vem puxar conversa, elogiar seu cabelo, perguntar se você vai sempre ao local. Desdenho.

Não gosto de dizer como foi meu dia. Não gosto que me façam perguntas assim que eu acabo de chegar em casa e odeio quando me apressam pra ir comer. Isso sempre gera briga. Tô cansada, sempre ouvindo música, quero mais é ficar na minha, sabe? Mãe e pai definitivamente não entendem isso.


Lembrando que isso acontece apenas em momentos de chatice aguda e não diariamente.
Acho que em uns 4 dias por semana talvez? =P

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pqna Dosagem...


... Sobre: Incidentes cotidianos
Avenida Paulista, 30°C, 12h40 desta quarta-feira mega ensolarada. (Aliás, quem disse que essa cidade é cinza, hein?). Tô eu atravessando a rua quando DO NADA, a tira da minha rasteirinha tão querida quebrou! Comecei a arrastar o pé até chegar ao outro lado. Executivos altos me olharam sem entender. O pedinte da rua me ultrapassou com seu saco enorme de bugigangas. Encostei-me à banca de jornal fingindo que nem era comigo e comecei esbaforida a procurar um clip, um grampo, uma cola, um band id, qualquer coisa que pudesse quebrar meu galho no momento. Nada. Parti pro outro lado da avenida (e o mesmo lenga-lenga de arrasta pé) e fui obrigada a comprar uma nova. Queria era uma havaiana bem confortável e novinha, mas não pode trabalhar de chinelo. Precisa dizer? Odeio incidentes.