quarta-feira, 29 de abril de 2026

Vontades

Queria poder dar um grito da janela toda vez que um arrombado acelera a porra da moto ou um carro sem escapamento. Isso é moda? denota poder? é in-fer-nal essa barulhada na Santa Cecília. 

Queria fechar meu Linkedin para todo o sempre. "Nathália, você nunca mais precisará abrir essa rede social". Imagina o alívio neste coração?

É claro que eu queria muito poder mandar um áudio pro meu pai contando as últimas, contando todas, falando bem rápido pro tempo não acabar e eu poder enfim ouví-lo de volta. Sem dúvida essa é a maior vontade e a maior mancada dessa vida. Mas a vida não é justa, não é mesmo?

Queria poder dormir e acordar um dia em Dublin, no outro dia em Londres e no outro acordaria no Rio direto pro mar do Arpoador. Imagina dormir e simplesmente acordar em outro país? bom demais.

Queria criar músculos de um dia para o outro e queria poder tomar todas as minhas cervejas em paz sem que isso influenciasse na minha dieta etc e tal. 

Queria dar um abraço na Renault e dizer que ela é muito fodaralha e merece cada centavo.

Queria que o Bolsonaro pegasse muito piolho e que de tanta coceira não conseguisse dormir. Que pena, né? E depois que ele pegasse sarna, pulga e percevejo e sofresse tanto com essas infestações que fosse enlouquecendo e se coçando, e enfim morresse depois da vitória do Lula4.

Queria ser menos tímida e mais corajosa, mas às vezes sou completamente múmia.


Vou fazer sopa de alho poró com batata, quer? 


 






segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Saudade

 Do Rio de Janeiro
 Da Irlanda
 Do interior da Inglaterra;

Saudade do vento gelado nas manhãs que antecipavam o inverno, das janelas embaçadas e de pegar o
13 para ir cuidar dos meninos em Clondalkin. Saudade de tomar o café do Costa e ir ouvindo minhas musiquinhas, saudade do mais básico daquela fase tão boa, queijos, vinhos, Guinness. Era outro tipo de peso na vida, não era esse peso corporativo chato pra caralho, era um peso da incerteza do futuro, mais interessante do que esse peso da mesmice, todo dia tudo igual.

Aqui vão acender o maçarico, mas se você não tem uma casa na praia e condições financeiras para viajar todo final de semana, só resta um ventilador e quando muito, uma cerveja gelada. Mas lá não, é hora do sol se pôr às 16h e só aparecer 09h, e sinceramente, essa também é uma saudade que bate forte.

Só quem morou fora entende.  

sábado, 7 de setembro de 2024

o dono da dor

 Saiu o Boto Marinho sentido Paquetá. 

Se você caiu aqui do nada, eu te explico: saiu hoje o bloco do Boto Marinho, a gente pega a barca na Praça XV sentido Ilha de Paquetá, e já dentro da barca, o pau come na fanfarra, sacou?

Mas tem bloco em Setembro?
Mermão, o Carnaval do Rio de Janeiro é o maior do mundo, simplesmente pq ele não acaba nunca.

NUNCA NÃO É CARNAVAL, essa frase veio da boca de um mineiro enraizado em SP, no caso, o dono do melhor bloco de SP, mas esse texto não é sobre isso.

E eu que naisci na cidade errada? Papo 10, eu sou carioca. É cidade grande com praia, com bar, com estrutura, com um povo alegre que ginga dentro da maior dificuldade, o carioca tira sarro estando chafurdado na merda, e disso eu sinto um orgulho, pq se fosse em sp tava todo mundo de bico dentro das suas micro bolhas mêu, pensando na meta mêu, eu gosto de trabalhar mêu. (gente chata!)

Eu realmente não posso reclamar, pq são paula tem sido gentil comigo desde que voltei de terras irlandesas, mas peraí um pouquinho: eu quero jogar vôlei na praia, sair andando e me jogar no mar, aquele mar verde de Ipanema, sacoé? Quero tocar meu trombone nos blocos, quero escrever minha tese sobre Carnaval numa terra onde essa coisa é levada realmente a sério! 

 E digo maix: Quero passar pelo seu Zé na Lapa agradecendo sempre, depois de descer Santa Teresa cansada, suada e felix. Pegar uma aula do Simas no Madri, ou no Bode Cheiroso, pq não?

Simplesmente sentar minha bunda no Arpoador e apreciar, só isso.


Eu sei que o Rio de Janeiro não é para amadores, mas se até o sotaque eu desenvolvi, que mais posso dizer senão que eu nasci na cidade errado. Ver meu Palmeiras, meu Vascão no bar, sem ninguém me olhar torto pq eu tô falando alto, até pq o carioca grita! (me identifico muito)

Vou morar na Glória, no Flamengo, Laranjeiras, Tijuca.  O gatilho meu pai.

Pra variar, era pra eu estar lá. Peguei um job pra trabalhar justamente pro Rock in Rio, só que quem me paga é são paulo, imagina a frustração de se sentir presa num lugar só por causa do dinheiro. Na moral, não desejo pra ninguém. Mas porra Brasil, vc pode ir outro finde.

Não posso não, o Boto Marinho de inverno saiu hoje.









meu amor eu te amo demais infinitamente, tu não é fácil, mas eu tbm não sou, porra!
estaremos juntos muito em breve, e daí eu não vou te largar nunca mais.








saravá.


domingo, 25 de agosto de 2024

Veio aí

                                                                        Adivinha o DDD


Bom, de tanto eu falar que sou carioca, que isso, que aquilo, depois do dia memorável de São Jorge lá, eu sei lá o que deu na energia (tudo para mim!), mas mesmo em SP eu comecei a cruzar muitos cariocas. No bar chega uma querendo me mostrar o anel! (era de Copa), depois mil cariocas numa feirinha hippie aqui da rua. Numa outra vez brota uma de Nikity etc. TODOS repetem: "tu tem que morar lá!", meu deus que sotaque bonito, e eu sempre num pequeno surto de alegria ohohhohohohoho.

Corta

No último feriado do dia 09 de julho eu parti pra lá novamente, grazas a Deus. Sábado normal em Botafogo, fui tomar café da manhã e pum: a orla. choros, etc. Depois eu encontrei com Zanetti, Luísa, fiz amigos no hostel, fiz uma melhor amiga de infância e a gente se juntou com um outro carioca queridíssimo!

Sempre que eu me jogo sozinha pro Rio dá bom! NÃO TEM CONDIÇÕES.

Só que chega aquela hora que eu alucino e quero ficar sozinha. Dessa vez eu decidi ir ver um jogo do Flamengo em Vila Isabel, acabei entrevistando a dona de um bar que me contou uma história irada.
Dessa vez o Samba do Trabalhador não me escapou, assim como o Samba pra Roda (total de zero humbertos carrões), enfim eu sambei e sambei e vivi e me joguei no mar.

Corta

Ontem eu fui num churrasco com uma galera querida do Butantã, eis que recebo um presente:
Um mapa do Rio de Janeiro impresso em tamanho gigante, puta que pariu! Exquece de mim, pq eu nao queria mais conversar com ninguém, só queria ver meu mapa, adeus. Chorei? Mas é claro que eu chorei. Só uma pessoa que me conhece assim poderia ter dado um presente desses! pqp eu morri real etc.

Ontem você me perguntou se eu era feliz e eu respondi que sim, claro! e aí vc revidou dizendo que pra você a felicidade é um estado. E eu completei dizendo que eu estava sim feliz. Mas pensando bem, será mesmo? Acho que não sei dizer.

Sabia que eu vou morar na Glória?
Ah é?
Sim fica aqui no mapa.







Calvo.





sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Para Jaqueline

 




Eu queria apenas levar um perfume de presente.
Corta pra: máscara de Covid, Butantã, Av. Paulista, Augusta, Baile dos Ratos, Diná, Fatiado Discos,
show do Caetano, Margarete, BBB, Santa Cecília, sacolão, Assis, Europa, CarnaRio.

Talvez você seja a irmã que eu tanto quis nessa vida; a irmã que toma sorvete, enche o meu saco, dorme a hora que quer, sai por aí numa liberdade que parece a minha, tromba no meio do caminho, faz chorar de rir e chorar de saudade.

Um perfume: e uma vida inteira pra completar. 
Eu não gosto de gaúchos, você sabe, mas agora eu desfilo com uma camiseta original do Grêmio e bato minha perna canhota como quem bate uma bombacha. Eu sei lá o que é bombacha, sabe? Ai sabe.

É peixe de ano novo num agreste que sinceramente, série cubana numa simplicidade sem fim, seu cachorro, meu cachorro que tanto parecia você. 

Sou eu gritando na orelha de Santo Antônio, dai tu desafia ele (aham cláudia!), quantos momentos em tão pouco tempo? 

A única capaz de adentrar a casa de Marga. E o doce de abelha há um ano guardado na geladeira.

Nada nessa vida é por acaso, e nem eu, a pisciana mais sonhadora dessa vida de Manoel Carlos poderia imaginar o que viria pela frente quando eu cruzasse a casa do Campeche; Você tem noção que passamos um Carnaval no Rio de Janeiro juntas, né? 

Fátima, estaremos juntas em Copacabana, Santa Cecília, Lajeado, Rosa, London, China, Allianz, Arena

Que dupla de águas formamos, hein?

Obrigada.





domingo, 4 de agosto de 2024

Mais um texto sobre o Rio

Alguns me perguntam: "mas você tá aqui ou tá aí?" e esse aí está mais natural do que nunca. Ao todo, foram mais de 50 dias no Rio, só esse ano, e estamos em abril ainda.

Maricá, Niterói (crush do ano), Rio (crush da vida). O Rio de Janeiro, olha sinceramente. É um deslumbramento que já dura mais de 10 anos e toda vez essa euforia e história e amigos e agora: um bebê. O grupo de amigos vai aumentando, alguns ficam, outros, do nada aparecem. Eu não sei explicar muito bem, mas agora já é uma forma de pertencimento e "fingir costume", começa a ser a vida real. 

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Ao Vivo

 Enquanto os Santa Ceciliers passeiam e exibem seus Dr. Martens pela Fortunato, eu recordo os outonos que passei em Dublin/ London. É, sem duvida, a minha estação preferida. Aqui, sao 6 meses de um calor infernal, e la, 6 meses de um frio lascado. Nada como o equilíbrio outonal. Sol com brisa gelada. Tudo para mim. Ainda que a saudade lateje, eu me sinto cada vez mais PaulistanaCarioca. Aqui a vida flui perto dos meus. Cada demanda que a gente resolve diariamente. Uma luta pra colocar uma kitnet nos eixos e fazer todos os pratos virarem. Mas ai, a vizinha me mostra o minúsculo espaço em que divide com a filha na cama, e ela está me contando feliz, sem vitimismo. Quem sou eu pra reclamar de alguma coisa? Cada portinha desse corredor guarda uma angústia, assim como a minha. Mas no final das contas, a alegria e o prazer da vida conseguem se sobrepor.

domingo, 12 de maio de 2024

Como explicar?

 Eu moro na Santa Cecília há dois anos. Num apartamento delicinha, arejado, bonitinho, tudo para mim.
Sempre, SEMPRE, tranco a porta, mas confesso que algumas vezes eu esqueci ela aberta. Errei, fui moleque.

Corta pra quinta-feira 09/05/2024, depois de assistir o jogo do Palmeiras, estava eu aqui em casa ouvindo um som (eu estava de folga na sexta-feira), escurinho delicia, acenderia um incenso, para finalmente me deitar, sabe o episódio do Friends, que o Chandler pede a Mônica em casamento? então, era esse aí que ue ia assitir.

Quando do NADA, minha casa foi invadida por duas pessoas que eu não sei quem são, não sei de onde vieram, não sei o porquê de terem pisado aqui. Eram dois homens. Fecharam a minha janela, me jogaram na parede da sala, levei um chute na boca. Não lembro de mais nada. Acordei 6h com a boca inchada, meu celular estava travado (Iphone Indisponível), e minha chave, que leva o chaveiro com o Grinch, quebrada.

Desci desnorteada para a portaria, o porteiro até entender o que eu estava falando, puta merda.
Subi, toquei na casa de uns vizinhos queridos, que me acolheram, me ajudaram e finalmente chamamos a polícia.

Eu estava muito aérea com tudo o que estava acontecendo, mas a policial me disse para fazer um boletim de ocorrência e corpo de delito.

Assim começou o meu final de semana, e a minha folga.

Quem foi? E o porquê fez isso? é o que me martela na cabeça há 3 dias sem parar.
Troquei a fechadura, os miolos, coloquei uma tranca na porta. Agora estou segura? E se derrubarem a minha porta novamente?

Quem me conhece, sabe que eu sou uma mulher de fé, e que Santo Antonio não falha comigo.
Mas até nisso fui julgada por alguns olhares do bairro.

Ser mulher solteira, independente e sozinha, tem dessas.
Será que invadiriam a minha casa se eu casada estivesse? Se tivesse um homem aqui, alguém invadiria o meu aparamento?

Pelas imagens das câmeras que eu assisti, junto ao corpo diretivo do Condomínio, pudemos perceber que não entrou ninguém de fora, ou seja, quem cometeu esse crime mora aqui, sabe que eu moro sozinha, sabe de toda a minha rotina, vocês tem noção da gravidade disso?

Há males que vêm para o bem: meus vizinhos são uns queridos, meu pai me ajudou, rapha veio, meus amigos jornalistas ficaram putos e um grande amigo advogado disse que esse caso ele ia acompanhar de perto.

Quem vê stories, não vê a vida real.
Foi duro PRA CARALHO, mas a gente vai seguir nessa história até o fim.

"Sou como a haste fina
Que qualquer brisa verga
Mas nenhuma espada corta"












terça-feira, 7 de novembro de 2023

Good morning

 Hoje eu acordei.

A sensação é que eu dormi pelos últimos xxxx dias e levantei hoje como se nada tivesse acontecido.
Quer dizer, eu tive uma puta insônia, como se a minha mente estivesse gritando comigo de que ela já não podia mais um dia naquela mesmice. E ela gritava alto, brava mesmo, e então perdi o sono e fui inventando planos mirabolantes pra ver se finalmente eu adormecia. Quanto mais eu tentava relaxar, mais informações iam surgindo e o plano foi tomando tanta força que fui obrigada a fazer o café às 05h30 da madrugada. Parabéns mente, você venceu!

Liguei a TV como todos os dias, abri a página do jornal, e a sensação estranha de "onde eu estava esse tempo todo?" foi ficando cada vez mais forte e esquisita.

Olá Santa Cecília, olá janelona linda, oi cozinha azul com azulejo de flor, como vocês passaram?

Uma claridade invadiu o apartamento.
Sonhos, planos, vitalidade. acho que sonhar e depois de tanto tempo encontrar um novo sonho me deu uma energia acumulada nos últimos 04 meses. Carregou toda a minha bateria e eu sai da tomada.

tudo normal por aqui.

faltam 98 dias para o Carnaval.


domingo, 5 de março de 2023

Pós apocalipse ou depois do Carnaval - parte 1

 Agora que você foi embora, pegou suas últimas peças de roupa, esqueceu alguns potes de purpurina no banheiro azul, por mais que eu tenha implorado pra você ficar, você se foi, Carnaval, e na verdade eu entendi que você tinha que ir, te dei um beijo no rosto e um abraço bem apertado porque agora são mais 300 dias esperando até que você volte novamente etc. 

Agora são 07h de um domingo fresco na cidade de São Paulo e o meu fuso horário continua ativo como se aqui você estivesse. Eu treinei o corpo, os pés e as pernas desde dezembro pra poder aguentar o tranco, e aguentei, mas o fim do ciclo é mais demorado do que eu gostaria e pra ser sincera eu adoraria ainda estar dormindo, mas vou aproveitar essa paz e silêncio pra escrever essa carta pra você.

Esse ano você botou pra quebrar, hein?
Nada como um bom planejamento na ponta do lápis, rascunhando e organizando essa festa gigantesca, linda e perigosa! Você é tão poderoso e fiel que foi tirando as pedras do meu caminho e soprando no meu ouvindo a importância de manter o foco para quando você enfim chegasse. Foi dureza, lágrimas, mas deu tão certo, tão certo que eu apenas consigo te dizer muito obrigada por mais um ano!

Foram 24 dias no Rio passando por Santa Teresa, Nikiti e Botafogo numa catarse sem igual.
A fantasia de Janja, tal e qual combinamos foi um golaço! Dançar de frente pros militares armados num sol de 50 graus ouvindo Beattles, suar o biquini no Ogodô do Aterro e seguir num crack sem nome andando até a Praça XV já com o sol se pondo, pegar o Sinfônica Ambulante estando dentro do grupo de músicos de Nit com meus netos, O Cachorro Cansado lotado que fez com que eu recalculasse a minha rota e cruzasse com bairristas raiz num boteco mais raiz ainda. 

Você me inspira e me guia tanto que eu sempre dou de encontro com pessoas especiais que fluem na mesma energia que eu, e é por isso que eu continuo amando me perder no bloco e me encontrar, pra depois me perder de novo e assim sucessivamente até que os meus calcanhares gritem que chegamos no limite, mesmo o coração querendo sempre mais.

Embaixadores da Alegria, Céu Na Terra e Bloco das Tubas
Os três blocos mais especiais desse ano, pra variar, eu pulei sozinha e não quero parecer egoísta, mas a parada flui melhor assim e eu só posso seguir os ventos que o Carnaval me traz. Na sexta de abre-alas parti pro Buraco do Lume atrás do bloco do Vaca Atolada, eu odeio a sensação de ter perdido o bloco pq pra achar é uma trabalheira danada, mas enfim o achei, e era somente o começo, aquela sensação de "enfim você chegou", de quebra encontrei Manu da Cuíca e a agradeci pelo samba da Mangueira de 2019. O Carnaval e suas surpresas: No samba pós bloco, já no Vaca, na minha Lapa caótica,  eu simplesmente dei de cara com Gleisi Hoffmann -Presidente do PT!-  e a energia era tanta que eu virei a noite tomando cerveja no Amarelinho (sempre muito apaixonada etc), e decidi tomar um cafezinho para então finalmente subir Santa Teresa e pegar o Céu Na Terra no começo!

No trajeto para subir Santa o descontrole começou: Taxistas e Ubers não sobem o morro, eu não subo em moto, e o jeito foi subir nas pernas com um povo que eu cruzei pelo caminho. Santa Teresa esse lugar que eu quase não amo, é pra ir andando? Pois então vamos nessa! (haja cerveja, GT, café, joelho, água, Trident). O dia já estava quente e era apenas 08h da manhã. Meu deus o Céu Na Terra vai sair, que emoção. É claro que meu ego gritou dizendo que eu tinha de estar bonita e com meia arrastão e com sei lá qual tiara, mas o Carnaval muda as rotas, esse pisciano safado decide tudo no meio do caminho e eu estava sem maquiagem, com restos de purpurina e um look totalmente X, mas enfim lavei a alma descendo pelas vielas de Santa, era paralelepípedo e e escadas que não acabavam mais, as ruas abarrotadas de uma gente colorida, livre, feliz e aliviada. É Sábado de Carnaval, porra! O dia mais legal do ano, segue o bloco. Segui, e obrigada mais uma vez, meu amor, por ter me dado a oportunidade de esclarecer uma parada séria no meio do bloco. Ou as mulheres se unem contra a machistada e desmacaram narcisistas baratos e manipuladores, ou esses merdas vão continuar mentindo e enganando mais e mais, aqui não violão, aqui o papo é retão! Fim de bloco.

Uma vez me disseram em tom de deboche: "Você nunca pegou o Bloco das Tubas à noite, né? Não sei se você aguentaria."

Corta pro domingo de Carnaval:
Mariguella não segurou o tranco e descarregou. Era domingo à tarde e o Tubas sairia somente 20h, mas o que é que eu vou fazer até lá, meu St. Antonio? Segui o fluxo atrás de um bar cujo pudesse carregar o meu celular e eternizar esse blocão noturno que sai apenas da Candelária, puta merda!
Deu tudo errado, mas também deu tudo certo, eu me enfiei num inferninho da Lapa, carreguei meu celular, tomei banho (hahahahahaha senhoooora), arrumei briga, chorei, ajudei uma ambulante, cruzei com franceses, ensinei um hipster lindo a chegar na Candelária, quase fui pega por trombadinhas, fiz amizade com mais um ambulante e finalmente depois de todo esse pequeno apocalipse (é bom estar preparado para mais um capítulo ao vivo de The Last os Us), eu encontrei o Bloco das Tubas! Puta que pariu, que blocaço!!!!

Lotado, lindo, emocionante, um bloco que dá olé nos foliões, fingem que vão seguir por um caminho e se enfiam numa ruela paralela fazendo com que a gente volte tudo correndo, à noite, pelo centro do
Rio de Janeiro. Foi tão perfeito que até corda eu fiz, porque eu posso ser de SP, mas se tem uma coisa que eu manjo nessa vidinha é pular bloco no Rio e com licença vou proteger os músicos sim senhor. Joelho um pouco ralado, calcanhares sangrando, tomamos uma chuva homérica, mas a sede do folião depois de 2 anos de pandemia e 4 do pior Governo, a sede de quem enfim tem um Presidente para chamar de seu, a sede de quem se entrega de corpo, alma e coração ao corpo de baile, eu avisei meus pés: infelizmente vocês vão ter de aguentar sim, daqui não saio, daqui ninguém me tira.

No fim, quando eles pararam de tocar, eu tinha andado sei lá quantos quilômetros (sempre muito apaixonada rs, a paquera com homem carioca me pega de um jeito), quando as tubas foram para o alto e as palmas surgiram, só então eu dei por encerrado o domingo de Carnaval e voltei pro hostel (e lá a festa começou novamente com direito a um italiano dizendo que levou o pai na Igreja de Padova, Santo Antônio de Padova e eu de frente pro Cristo só querendo chorar e aliviar a tensão e emoção por tudo o que eu havia vivido naquele domingão). 

Pois bem senhoras e senhores ainda tem muita história para contar desse espetáculo catártico, que me inspira, motivo do meu choro, razão pela qual eu me organizo, brigo e bato o pé, festa pagã perfeita e também cheia de percalços, o assunto que faz com que eu fiquei hoooooras falando sobre, o Carnaval é tão fantástico, lindo e poderoso, meu Carnaval soberano, você sabe, né? Você sabe sim porque eu converso com você, obrigada por TUDO, estamos juntos, estamos fechados! E é como eu disse, escrevi e cravei: Ninguém toca no meu Carnaval. 



 


 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

30

 Faltam 30 dias para o Carnaval.

"O meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio
Vivo de cara pra o vento na chuva e quero me molhar"

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Voltei.

 Tão preparados? 
 pois senta que lá vem história!

e essa é das boas.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Carnaval de Concreto

Em Santa Cecilia agora são 15h39 (ou seis e onibus, eu sei que vocês pensaram isso), Tramontina. E não importa se você não está mais à frente do jornal que tanto amo, continuarei sendo sua fã, acompanhando a sua carreira e escrevendo meus boletins pra você, ora, ora, ora.

Hoje é 29 de Abril e há uma semana a essa hora eu estava pulando o
Vai quem Quer alucinada por entre as ruas do meu saudoso Butantã.
Carnavalia em pleno abril: a vida é mesmo uma graande loucura não é meixmo?

Além de pular todos os dias, encontrar pessoas aleatórias, cruzar com o povo na rua sem medo de ser feliz e mandando aquele filho da puta tomar no cu, de quebra ainda recebi uma querida vinda com cheirinho de Rio de Janeiro.

Quando vira Carnaval o mundo vira junto. São histórias das mais inimagináveis que acontecem, é mensagem que chega daqui e de lá, é crush que ressurge da cinzas, o povo pedindo endereço, é a melhor energia desse mundo e que saudade eu estava de invadir SP no Carnaval de concreto. Havia me esquecido como essa cidade abafa e explode ao mesmo tempo.

Eis que no último dia, um domingo fantasiado de terca-feira me surge a
Charanga do Franca pontualmente às 09h do Conceição Discos. Fui a pé, peguei um café na padaria e ainda não tinha caído a ficha de que sim senhoras e senhores: é Charanga na rua! haaaaaja! Que bloco mais lindo, meio magico, quente e que arrasta povo mesmo. Os posers que me desculpem, mas cantar a plenos pulmões é fundamental.

A segunda invadiu muito mais pesada e depressiva do que a quarta de cinzas. difícil a vida do folião (crente) que precisa retomar a vida normal depois de quatro dias de esbornia.

Hoje, sexta novamente sexta, SP amanheceu nublada e eu estou mais do que recuperada para mais um final de semana na babilônia ainda que me de tanta preguiça de sair da minha casinha tão delicia e aconchegante.

O ano invade e eu continuo conectada com a minha Dublinia. Eles me perguntam: Mas você não vai voltar? e eu Não tenho resposta. Ainda não. Mas uma hora sim.

Por agora espero você entrar no podcast ao vivo, Tramontina. 





quarta-feira, 6 de abril de 2022

Em Santa Cecilia

                                                             uma nova janela pra chamar de minha


Sabe quando você tem um crush muito brabo? 
você olha de lá, o crush de cá e nada acontece.
Passa um tempo...
...se reenconram novamente, e seca daqui e seca de lá e...
nada de novo.
Até que um dia, do nada, se encontram, se beijam, finalmente, valeime meu Santo Antonio, ficamos!

Minha história com Santa Cecilia é exatamente assim: um querer imediato, quando não se pode ter.
E a espera.
E vai ano e vem ano, vem Carnaval, 7 de setembro, Natal, países, caminhos e volta pra danada da Igreja amarela.

Agora rolou!

Sou a nova residente do bairro cujo a veja SP rotulou como hipster e aconchegante.
Estou há 10 minutos de onde sai o bloco do meu coração desde 2015, onde eu sempre quis ter um lugarzinho pra fazer xixi que não fossem por entre os carros, que não fosse tão dolorosa a volta já alta de mais uma segunda feira de Carnaval. Estou há 10 minutos do metrô à pé, quem conhece SP sabe a preciosidade disso. 

Andando pelas ruas, ganhando o Centro dessa cidade imensa, numa ruazela simples, cercada por idosos, pelos que fizeram raiz pra ganhar a cidade numa época que samambaia nem estava na moda,e Belchior nem era hype. 

Eu morri muitas vezes, mas hoje eu não morro não. Dá aqui o meu sax que eu vou aprender a tocar!

Pra me tirar do Butant só você mesmo meu crush antigo, meu Centro velho, meu coração SP, minha casa Mario de Andrade, meu Minhocão.

Meu sonho sempre foi ser repórter de cidades:
O que aconteceu com a linha do metrô? O bilhete único não carrega pq? Essa linha de ônibus demora tanto por que? Cadê a Prefeitura? Subiu a enchente mesmo com essa especulação imobiliária no entorno do bairro?  E o aumento do número de assaltos aumentou ninguém faz nada?

Nasci e cresci em São Paulo, a grande inspiração pra criar esse blog, minha profissão me possibilitaria ajudar a comunidade no entorno, foi pra isso que estudei tanto saindo do Jaguaré as 06h e invadindo Rudge Ramos, em São Bernardo, por quatro anos.

Agora eu faço parte de uma outra comunidade, me livrei do Maria Luiza (SARAVAAAAAA), mas a cidade continua tendo as suas questões e eu estarei atenta e escandalosa pra fazer barulho se preciso for.

Não desistam dos seus sonhos.

ah? o tão esperado beijo na boca com Santa Cecilia.

Se vai virar namoro? casamento? filhos Santa Ceciliers?
Quem viver verá.

Eu continuo na saga de desbravar novos lugares e cantos nessa cidade que ao mesmo tempo infinita, tão solitária de nós.


domingo, 3 de abril de 2022

Conexao Dublin - SP

A noite que invade a cidade é tão cinza quanto uma outra mais fria que já habitei por ai. Minha mãe e minha cachorra sentem frio, enquanto eu trajo shorts e camiseta. O cinza já não  me é estranho, tão pouco o frio, frio em SP? ah me ajuda!

Enquanto embalo caixas para iniciar um novo capítulo na capitar, sinto o ar fresco que invade a sala. Diferente da outra sala, aquela da Parnell com janelão e flores no parapeito.

São quase 4 meses de uma velha nova vida por aqui ainda que eu siga conectada com a minha Dublinia.
Não só pelos amigos, pelas notícias, pelos stories, pelos áudios dos meninos que cuidei, mas é como se eu estivesse lá estando aqui, e eu já vivi isso ao contrário.
A playlist indie rock continua em looping mesmo estando em  outro continente, é o jeito que encontro de não me distanciar da língua que tanto labutei pra dominar.

Sou obstinada, quando tenho foco vou até o fim até que todas as cartas do baralho estejam descartadas, e por isso vou caçando jeitos de não perder o inglês. E eu não vou perder. não admito. Não sou obrigada

O cotidiano de viver SP, o ano eleitoral, a carreira, os executivos e o bilinguismo me convocam pra projetos que nem estavam planejados, mas ganhar dinheiro, quem não quer? Eu quero e muito, mesmo que seja pra trabalhar aos sábados, como fiz hoje, como fiz lá, e como meu amigo me ensinou.

Não sei do futuro,
pela primeira vez na vida não tenho um plano porque a vida se apresenta no agora e no agora tantos caminhos são possíveis.

Uma coisa é certa, acho que vocês ja sabem - eu amo muito SP, esse moedor de carne ao vivo, mas eu também amo tanto minha Dublinia, ambas cinzas, eu não me lembrava que São Paulo era tão cinza assim.

vou transformar a ansiedade em experiencia, dinheiro, e historias pra contar.

por agora, o que adianto é que voltei a escrever. e vai ter Carnaval em abril.

voltamos em breve com mais informações diretamente da cidade de Sao Paulo, Nathalia Brasil para o SPTV,

Tramontina.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Iansã

 Senhora das nuvens de chumbo

Senhora do mundo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Senhora das chuvas de junho
Senhora de tudo dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Um céu partido ao meio no meio da tarde
Eu sou um céu para as tuas tempestades
Deusa pagã dos relâmpagos
Das chuvas de todo ano
Dentro de mim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim
Rainha dos raios, rainha dos raios
Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Pegar o touro pelo chifre

 Querido diário, tomei as duas doses da vacina, hoje começa o outono em Dublin, aquele genocida filho da puta ainda não caiu.

Voltamos.

É sempre bom lembrar que eu não posso me dar ao luxo de deixar a vida me levar pq primeiro odeio essa zorra toda de vida desorganizada, segundo que nada melhor do que uma boa meta pra alcançar, daquelas em que a gente se mata pra atingir, mas quando dá certo temos a deliciosa sensação de dever cumprido. Eu amo e tô me desdobrando pra bater a meta do ano e depois dobrar a meta, saudades Dilma <3

Faz um mês que eu terminei o trabalho com Santa Ceciler e Faria Limer e foi muito mais difícil do que eu imaginei. Depois de passar duas semanas em Westport com aqueles malucos eu voltei pra Dublinia com o coração cheio de saudade e boas memórias. Agora comecei um novo capítulo com uma garotinha muito fofa e boazinha, mas não quero me apegar pq depois quem sofre é a Minder pisciana. 

Eu invento umas coisas e saio colocando tudo em prática igual uma maluca, mas não é que as vezes o negócio da certo? 

Com a vida voltando ao normal eu decidi mais uma vez arregaçar as mangas só pra finalizar os projetos com chave de ouro, sabe pq? Às vezes temos que pegar o touro pelo chifre, sendo que no caso o touro sou eu mesma, então já imaginou a treta.

 Vou deixar tudo em ordem, limpo e organizado, voltar pro eixo, meter as caras usufruindo do poder da minha liberdade, ser livre é bom demais. 

É a raspa do tacho na Ilha Esmeralda e vai ser daquele jeito: naquele naipão. 


segunda-feira, 31 de maio de 2021

Vida Verão

 Vem chegando finalmente o verão em Dublin, mas é aquela coisa: dois dias sol, quatro com chuva e assim a gente segue. O plano de vacinação avança ainda que lentamente e se tudo correr bem devo tomá-la em julho, oremos! 

Com mais um ano de pandemia e num país frio como a Irlanda é quase impossível que a galera não ocupe os parques, ruas, canais e qualquer espaço em que haja raio de sol quando somos presenteados com dias claros e de calor.

 As ruas estavam lotadas e o Stephens Green bombou, tinha gente jogando futebol no meio da rua, caixa de som, pints à venda, um vai e vem pela George Street que me lembrou final de bloco, e se por um lado dava muita alegria por sentir que a vida enfim está voltando ao normal, é também muito esquisito quando vai chegando mais gente e mais gente. Será que um dia vou me enfiar na saída da Charanga do França sem ter medo e agonia? 

Ontem caminhando pela região mais cool da Dublinia eis que vejo duas amigas no exato momento em que se reencontraram: se abraçaram e se beijaram como quem mata a saudade, a vida mesmo é bem bonita de se ver e eu passei a valorizar os pequenos momentos depois da pandemia. 

Pandemia, saca? Pandemia + Governo Bozo, a vida real fica pesada pra caralho, por isso meus amigos, valorizem os momentos em que a felicidade bater por mais simples que seja, acho que isso é o mais importante, defendam os seus (e o SUS), vamo pra rua pra derrubar esse escroto genocida e seguir, o Brasil é bem maior que isso.

Aos fiscais do Covid: aqui em Dublin está liberado ir para a rua, ok? Ah tbm nao precisamos usar máscara na rua e nao, eu nao me aglomerei, eu estava apenas com os meus amigos, valheu. 


sexta-feira, 5 de março de 2021

Esgotamento

 Ando cansada, muito cansada. Um ano inteiro de pandemia, mais um ano em Dublin, quase um ano de dedicação total aos dois meninos que eu cuido, a mesmice e sensação de estar dentro da máquina de lavar a semana inteira: tudo igual. Eu nao aguento mais brincar de carrinho, bola, restaurante e nem assistir Peppa Pig. Os meninos crescem e o tédio do isolamento também chega pra eles, que sem amigos ou possibilidade de fazer algo diferente me exaurem sentindo que eu sou a responsável por entretê-los todos os dias. Esse frio do caralho de dublin não vai embora e eu ainda tenho que levá-los pra andar não importa se a sensação térmica é de -2. Haja saco. A porra do chuveiro da minha casa não esquenta e eu estou de saco cheio de dividir o quarto. Nada novo sob o sol, as reclamações são todas iguais também. Voltar pro Brasil está fora de cogitação e se você é brasileiro e lê esse texto eu espero não ter que explicar o porquê. Cansa. A cabeça num looping. Eu já fiz meditação, escutei 700 podcasts, tomei mil cervejas, dancei as mesmas playlists, nunca mais fui em uma festinha, nunca mais desbaratinei, a esperança anda à míngua e se eu disser que sinto vontade de morrer lá vem o povo que não entende. Eu realmente não aguento mais e também sei que também não posso parar pq até nisso o capitalismo se mete: sem dinheiro a chance de conseguir atingir os meus planos é nula, uma vez que não nasci rica. Queria morrer por 15 dias e depois voltar. Nem BBB nem A Viagem e nem Laços de Família ajudam. 

Pelo menos o Caetano foi vacinado. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Winter Time

                                                      Dublin, Woodford


O novo ano, esse cujo esperamos tanto, chegou chegando! Eu de PG, linda, animada, cercada pelos amigos que tanto gosto, o amigo que gosto tanto, o corte seco que me surgiu inesperadamente, porém, necessário, lágrimas, risos e gritos. Foi um festão. Fiquei triste, remoendo, mas agora eis que passou, ufa! me sinto leve, serena, plena e preparada! Os planos eu já escrevi e do que depender de mim, vão sair do papel, ahhhh se vão! Eu me jogo real, e não tô nem aí.

A semana começou colocando toda a rotina no lugar. Meus meninos, tretas, broncas, brincadeiras e: Neve!
Dublin amanheceu branquinha, com floquinhos de gelo pairando sob o meu rosto enquanto eu esperava o bus! Que pira! 

O inverno está tão bonito esse ano com pouca chuva, muito frio e sol. Tem saído aquele sol de filme com céu rosa meio algodão doce. É lindo de verdade e ainda que as minhas mãos queimem quando me esqueço de pegar as luvas, ainda que eu tenha que vestir duas calças e o sobretudo, tenho vivido dias muito bonitos. A verdade é que o frio acostuma, o que me fode é a chuva e as longas horas das noites que começam às 16h30 e terminam 08h30 quando a fraca luz do dia aparece. Essa sem dúvida é a pior parte. E haja vinho, haja comida, haja mente forte pra aguentar e esperar que logo mais tudo volta ao normal.

                                                      PG: Pomba Gira petralha


Acho que pra esse ano eu quero ser menos falante, quero me reinventar numa persona que ouve mais do que fala, e opina menos, e tem menos que sentir, ainda que eu não saiba ao certo como é que se racionaliza sentimento e se altera a personalidade. Não quero mais ouvir aquela frase e nem ser mal interpretada, por isso, quem fala menos tem menos chance, né?

Também quero arrasar com o meu trabalho, a minha nova carreira, quero abundância pra ter uma vida ainda mais confortável e quero aprender de uma vez por todas em quem é que eu posso confiar, porque eu entendi que essa lenga lenga só vai acabar quando eu me modificar, passar pelo papelão que passei na festa não quero nunca mais. O medo de perder ainda surge, mas eu tô preparada e eu sou de verdade! então pouco me importa ser cortada de festas e de momentos com pessoas em quem não posso confiar.

Preciso trabalhar aquela parte ruim da minha personalidade. Não dá mais pra ser assim e eu odeio rememorar e rememorar e rememorar e rememorar e rememorar e rememorar uma coisa que já passou.

A vida aqui pegou o ritmo que eu sempre quis. Agora eu sou bilíngue de verdade. Atingi tantos objetivos, alcancei tantos sonhos, agora é hora de me preparar pra voar mais alto, sabe quando o Mário Brós precisa passar a fase do cano pra zerar a estrela e chegar no chefão? é nessa fase que eu tô, e eu vou passar! Não tem piranha nem peixe voador que me segure.

Eu sou muito sortuda e muito grata por todos os meus amigos, mas eu sei o  a energia que eu ponho
pra tê-los por perto, pra me fazer presente seja no Rio, SP, Dublin, Fortaleza, Floripa, Joinville, Bahia. Amizade é coisa séria pra caralho.

Não vejo a hora de ser vacinada, virar jacaré, aprender a tocar saxe e sair tocando no Me Enterra na Quarta e na Charanga! Ninguém me para no Carnaval de 22. E o Bolsonaro que morra, que se exploda, que vire pó.

Agora em Dublin temos -2, tráfego segue tranquilo no sentido Norte e Sul, a previsão é de sábado de sol e poucas chances de chuva, seguimos no vinho, no som e nas boas novas.
Nathália Brasil para o SPTV, Tramontina.